NOTÍCIA

Inovação

Autor

Revista Educação

Publicado em 09/07/2026

Jovens inovadores e empreendedores propõem soluções mobile

Iniciativa para impulsionar soluções que geram impacto social e ambiental, o Campus Mobile finalizou sua 14ª edição premiando os vencedores de seis categorias

As tecnologias avançaram muito nos últimos anos e seguem impulsionando o surgimento de soluções disruptivas para todos os segmentos do mercado. Atrelado à essa profusão de novas tecnologias está o celular, o dispositivo móvel na mão da maior parte da população do planeta. A inovação no setor mobile é fértil de experimentações e novos talentos. É em busca deles, do aprimoramento de seus projetos e de novas soluções que atua o Campus Mobile, concurso que alcançou sua 14ª edição em 2025.

Realizado pela Associação do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), com patrocínio exclusivo do Instituto Claro, apoio da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e do beOn, hub de inovação da Claro, o programa estimula estudantes e recém-formados em cursos de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado a desenvolverem aplicativos móveis e soluções tecnológicas com potencial de impacto social. Mais de 10 mil pessoas já se inscreveram no concurso. 

Nesta edição, o Campus Mobile registrou o recorde de 417 projetos inscritos por 894 candidatos, abrangendo 27 estados, 233 municípios e mais de 200 universidades. Foram selecionados 102 projetos, aprimorados ao longo da mentoria que o programa proporciona. As equipes vencedoras de cada uma das seis categorias conquistaram uma viagem de imersão para o Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos. Os vencedores foram conhecidos dia 10 de junho, no Web Summit Rio 2026.

 

Impulsionar inovações

A primeira edição, em 2012, nasceu como resposta a um questionamento social proveniente de pesquisa científica voltada à educação em tecnologia. Na época, Roseli de Deus Lopes, coordenadora do programa e docente da Poli-USP, atuava como conselheira do Instituto Claro e buscava projetos alinhados aos seus valores institucionais. 

 

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Mobile

“A iniciativa é uma forma de fazer com que o sonho do jovem vire realidade”, afirma Roseli de Deus Lopes, coordenadora do Campus Mobile e professora titular da Poli-USP (Crédito: Divulgação)

“Queria fazer algo diferente, uma iniciativa focada em impulsionar inovações nessa área de mobilidade, porque as coisas não acontecem por acaso. A iniciativa é uma forma de fazer com que o sonho do jovem vire realidade”, conta Roseli, que desenhou com sua equipe a primeira versão do Campus Mobile. 

“Todo mundo tem o celular na mão, mas como conseguimos agregar mais valor a esse dispositivo? Esse é o desafio colocado. O pessoal do Instituto Claro gostou e começamos a fazer uma co-criação, a cada ano ajustando detalhes, de forma a conseguir potencializar que recebêssemos jovens do Brasil inteiro, de diferentes unidades da federação.” Inicialmente não havia divisão por categorias, que foi implementada a partir da 2ª edição. Agora, os projetos podem ser inscritos em seis categorias, sendo que todas estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

 

A iniciativa

O Campus Mobile é desenvolvido em etapas que abrangem formação, mentoria e avaliação. Os criadores dos projetos selecionados iniciam uma primeira rodada com mentoria à distância. Em seguida, há uma imersão em São Paulo, no Inova USP, o Centro de Inovação da USP e na sede da Claro, em que os jovens prosseguem com a mentoria, recebendo suporte que os auxiliam a amadurecer e refinar suas ideias. 

“Os mentores que nos ajudam nesse programa não são apenas do ambiente acadêmico, também são de todo o ecossistema de inovação da Claro, os parceiros, o beOn”, detalha Roseli. O objetivo é que os jovens se preparem para apresentar seus projetos, já prototipados, à banca final avaliadora e um dos requisitos é que o projeto tenha viabilidade técnica e de negócios. 

“Nesse momento da banca, eles precisam mostrar que têm potencial para transformar a ideia em algo concreto, um aplicativo, uma aplicação web”, conta Roseli. Nesse processo, são selecionados 18 projetos. Os seis vencedores são apontados numa segunda banca. 

As inscrições podem ser individuais ou em equipe, com participantes de qualquer área do conhecimento e não apenas das áreas de engenharia ou de desenvolvimento de sistemas. “Em geral, os times são mistos, alguém que tem visão mais de mercado, outro mais técnica e esses são os que acabam se dando melhor.”

 

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A força está na comunidade

O crescimento pessoal e profissional não é destino apenas dos vencedores. Na imersão, por exemplo, o programa traz participantes de edições anteriores, profissionais dos ecossistemas da Claro e da USP, que contam os reveses, o que deu certo, como pivotaram seus projetos e venceram desafios. É a oportunidade, também, para tecer a rede de contatos. A formação de comunidades é a base para o ambiente de inovação. 

“A cada ano incorporamos mais pessoas ao processo. Quem participou dos anos anteriores continua fazendo parte da comunidade, que é de troca e oportunidades. Sempre falamos para eles que ‘generosidade gera generosidade’. Ao longo do tempo, pessoas que já participaram acabam conhecendo outras, dando dicas, divulgando vagas. Além de empreendedores, trabalhando em suas próprias empresas, há também os que vão trabalhar em empresas maiores, mas com esse olhar mais inquieto, de pessoas que querem fazer coisas diferentes. É uma comunidade muito forte e essa é a grande força do programa, todo mundo ganha”, caracteriza Roseli.

O crescimento da comunidade, entretanto, não ocorre sem direcionamentos. Alexandre Martinazzo, engenheiro pesquisador na LSI-TEC e líder de operação e educação no Campus Mobile, afirma ser necessário um esforço consciente para alcançar a diversidade de gênero, buscando a participação de mais mulheres, assim como a diversidade étnico-racial, incentivando a participação de negros e indígenas. O resultado aparece: entre os vencedores da edição deste ano, 50% são do gênero feminino e 42% se autodeclaram pretos ou pardos.

Outra preocupação é a diversidade regional. “Também olhamos para as localidades, para não ficar concentrado em São Paulo e Rio de Janeiro, que são os grandes centros que atraem pessoas de tecnologia. Olhamos para o interior do Brasil; 60% dos participantes são de fora das capitais”, explica Alexandre. 

 

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Para obter essa capilaridade, o programa conta com embaixadores, pessoas que participaram pelo menos uma vez do Campus Mobile e são capazes de replicar o que é o evento para a próxima geração. “Temos a nossa rede universitária, que podemos acionar para buscar esse apoio na divulgação, mas também investimos na formação, de forma mais longitudinal, daqueles que identificamos como capazes de replicar os valores que tentamos fortalecer no Campus Mobile, e eles se tornam embaixadores e embaixadoras.”

Nesse momento, são 18 embaixadores, três para cada categoria. Eles apadrinham os projetos da região onde estão, trabalham de maneira similar aos orientadores de Trabalho de Conclusão de Curso, os TCCs, e são uma figura de referência para quem está chegando.  “A intenção é que a pessoa olhe para o embaixador e pense: ‘eu posso ser como ele num futuro próximo’”, finaliza Alexandre. 

 

Solução para ‘dor’ da agropecuária 

“A mastite bovina é a doença com maior incidência na agropecuária leiteira mundial, segundo dados da Embrapa e, no Brasil, atinge até 60% do rebanho”, conta Giovanna Vargas Barbosa, 23 anos, recém-formada em medicina veterinária na Universidade Estadual de Goiás (UEG), unidade de São Luís de Montes Belos.  Já de volta à Goiânia com o fim da graduação, é uma das vencedoras do Campus Mobile, na categoria Green Tech & Agtech, com o projeto WiMilk. Ela se prepara no momento para a viagem ao Vale do Silício.

Giovanna viu de perto o problema da mastite bovina. “O pecuarista não consegue perceber a doença em estágio inicial, de maneira preventiva. E quando percebe a vaca já perdeu muito leite”. Giovanna queria resolver ‘essa dor’, como ela diz, e também trabalhar com inovação, mas faltava conhecimento acerca da tecnologia. Fez cursos gratuitos e chegou a dominar o Python. Mas, ela sabia, também precisava encontrar as pessoas certas.

 

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Num certame de startups conheceu os agora sócios Pedro Castro Viana, da engenharia mecatrônica da PUC, e Lucas Mascarenhas, da ciência da computação da UFMG, e começaram a desenvolver a solução: uma câmera instalada no curral consegue capturar os movimentos das vacas 24 horas por dia – se come, fica em pé, dorme ou mesmo põe a língua para fora, evidenciando desconforto térmico – e enviar esses dados para o computador.  

A partir de métricas cientificamente utilizadas na veterinária, é possível obter, por meio de inteligência artificial, uma média com os dados capturados e enviar relatórios aos produtores. Mas ainda faltava resolver como as informações chegariam aos produtores de maneira ágil. 

Mobile

Giovanna Vargas Barbosa conta que o chat automatizado do WiMilk foi todo pensado na semana de imersão em São Paulo. Na foto, está com o sócio, Lucas Mascarenhas, à esquerda, e à direita está Rinaldo da Silva Bento Júnior, finalista da categoria Entretenimento e Cultura, com o projeto Cris e Bento (Foto: Arquivo pessoal)

“Não tínhamos feito nada ainda em relação a aplicativos. Fizemos várias pesquisas em campo e percebemos que os produtores preferiam um chatbot acoplado ao Whatsapp do que ficar baixando outros aplicativos”, conta.

Giovanna soube do Campus Mobile por uma amiga, que também foi participante e embaixadora da iniciativa, e se inscreveu. O resultado depois da semana imersiva em São Paulo foi a construção de chatbot automatizado. O WiMilk envia informações, como relatórios semanais ou mensais, para o celular do produtor via chatbot no Whatsapp. 

Além do produtor, seus funcionários conversam com o sistema e, para facilitar a comunicação, podem enviar áudio, porque a inteligência artificial consegue interpretar. “Fizemos vários testes com sotaques diferentes, gírias, e a IA conseguiu interpretar e atender ao que foi pedido”, comemora a veterinária. 

Outro objetivo é o da identificação única. “Por exemplo, a vaca de número 23 não está comendo como deveria, seria bom apartá-la para testes. O funcionário separa essa vaca, faz alguns testes ou chama o veterinário. Se estiver realmente contaminada, colocamos no sistema. No final do mês conseguimos fazer um gráfico mostrando a evolução, se o tratamento está sendo eficaz ou não”, detalha. 

 

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Giovanna garante que com o WiMIlk o produtor consegue ter controle da produção e do bem-estar da vaca. “Estimamos que ele teria uma redução de mais ou menos 60% no uso de antibióticos, um critério que está sendo muito procurado pela União Europeia.”  Falta pouco para o WiMilk entrar no mercado. O projeto ainda está em fase de validação, com câmeras instaladas e testes acontecendo em duas fazendas. O trio procura investidores e já há interessados na compra do sistema.

 

De malas prontas para o Vale do Silício

Os irmãos Renata e Lucas Brito de Oliveira, de 30 e 33 anos, estão prestes a realizar o sonho da primeira viagem internacional de suas vidas. A ida ao Vale do Silício está cercada de expectativas. A mais importante delas é ter insights, comenta Renata, e descobrir novos features, diz Lucas, para incorporar ao aplicativo que eles desenvolveram, o Canteiro Circular, vencedor da categoria Tecnologias Urbanas.

Ambos de Salvador, Renata ‘caça desafios’, permanece antenada a eventos que possam agregar conhecimento e networking. Ela conta que nas redes sociais o algoritmo entregou a possibilidade de inscrição no Campus Mobile. Ela é engenheira civil, atualmente mestranda em meio ambiente, águas e saneamento pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Lucas estuda desenvolvimento de sistemas na Estácio Bahia. 

Antes do Campus Mobile, a dupla participou de ideathons e desafios universitários, como o da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em que obtiveram o segundo lugar. Já havia, portanto, um protótipo, “mas ainda muito imaturo”, afirma Renata. Nos cinco meses de participação no Campus Mobile o Canteiro Circular ganhou corpo. Com isso, relata a engenheira, “conseguimos incubar num hub de startups da área da engenharia civil, aqui em Salvador, e também ganhar o prêmio Ademi-Bahia.”  

 

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Mobile

Os irmãos Renata e Lucas Brito de Oliveira vão buscar insights e features no Vale do Silício para encorpar ainda mais o aplicativo Canteiro Circular (Foto: Arquivo pessoal)

O aplicativo Canteiro Circular é um modelo de gestão, operação e conexões sustentáveis que parte da filosofia da economia circular, que tem como objetivo maximizar a vida útil do produto e dos materiais e minimizar o desperdício. 

Partindo do modelo citado, entre as funcionalidades do aplicativo no modo gestão, Renata destaca o diário de obras e o controle financeiro, com atendimento por meio de IA personalizada, o Luck, em homenagem ao irmão Lucas, que interage com o usuário desde o app até o Whatsapp. 

Ainda nesse modo da gestão, alinhado também ao modo conexões e à preocupação com resíduos, está um marketplace, “espécie de OLX da construção”, em que as construtoras podem vender ou comprar materiais que sobram nas obras. 

No modo operação, o aplicativo tem uma trilha personalizada que segue os “Rs” da economia circular, como Reusar, Reciclar. “Temos dez Rs e o primeiro deles é Recusar o desperdício. É da logística reversa, há uma ordem de prioridade, e primeiro você recusa o que não deve ser feito”, explica a engenheira.

Uma plataforma associada oferece, ainda, a agilização de documentações ambientais ligadas à gestão de resíduos com 80% de celeridade, por meio de uma IA treinada para este fim. “Isso gera uma economia financeira de R$1.500 a R$ 1.800 por documento”, destaca Renata. 

A comercialização do Canteiro Circular já teve início, mas os irmãos sabem que todo começo é difícil. “A ideia é ter uma boa escalabilidade para diferentes contextos regionais e diferentes portes de construtoras. Começamos focados nas pequenas e médias construtoras, aquelas que fazem reformas para residência ou condomínio com uma torre. Mas também pode ser escalado para uma construtora de maior porte, porque os princípios são os mesmos, como a gestão ambiental, a conformidade legislativa”, finaliza Renata. 

 

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“Em 2026, o Campus Mobile chega à sua 15ª edição, um marco ainda mais especial por coincidir com os 25 anos do Instituto Claro. É uma trajetória construída em uma atmosfera de inovação e propósito pulsante; que envolve pessoas apaixonadas por inovação, e principalmente, por unir tecnologia e impacto social. Ver o programa crescer, bater recordes de participação e revelar talentos de todas as regiões do país nos enche de orgulho. Estamos cuidando da próxima edição com muito carinho e entusiasmo, para que ela seja uma celebração dessa história e, ao mesmo tempo, o ponto de partida para novas ideias, conexões e transformações”, completa Daniely Gomiero, Diretora de DHO – Desenvolvimento Humano Organizacional, Cultura e Sustentabilidade na Claro e Vice-Presidente de Projetos do Instituto Claro

 

As seis categorias e seus vencedores – 14ª edição Campus Mobile: 

 

Diversidade: LUMINA 

Giovana Hossein Rebello, Isadora Ferreira Guerra e Rodrigo Sandler (RS).

Educação: Nexo: Simulador de Carreiras

Aurea Ferreira Nascimento e Mario Matheus Pombal Rebello (TO).

Entretenimento e Cultura: Niño The Game

Aurian Moura de Lira, João Mateus Gonçalves da Silva, e Maria Clara Albuquerque Moura (PE)

Green Tech & Agtech: WiMilk

Giovanna Vargas Barbosa (GO)

Saúde e Tecnologias Assistivas: AUTherm

Joao Rubens Belluzzo Neto (SP)

Tecnologias Urbanas: Aplicativo Canteiro Circular

Lucas Brito de Oliveira e Renata Brito de Oliveira (BA)

 

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