Diretor da EMEF Profa. Maria Aparecida Rodrigues Cintra, SP, mestre em educação. Professor do 'Uma jornada pela diáspora africana' (prêmio Educação em Direitos Humanos, SMDHC - SP) e professor de pedagogia do Instituto Vera Cruz.
Publicado em 01/07/2026
No caso brasileiro, essa potência está profundamente ligada à sua diversidade. É ela que nos singulariza, nos torna interessantes e complexos
Das tramas da educação brasileira não se tece apenas o cotidiano escolar, mas o próprio projeto de nação. Cada escolha curricular, cada política pública, cada gesto de valorização ou de negligência revela o lugar que ela ocupa, seja como bem comum ou apenas como um serviço a ser prestado.
Quando assumida como valor estratégico, a educação passa a ser base para o desenvolvimento do país e para o reconhecimento de sua potência no mundo. No caso brasileiro, essa potência está profundamente ligada à sua diversidade. É ela que nos singulariza, que nos torna interessantes e complexos. Mas não basta celebrá-la, é preciso cuidar, proteger, defender.

Combater o racismo, a LGBTQIA+fobia, a misoginia e a xenofobia não é um complemento, mas condição fundamental para uma educação de qualidade social.
Nesse sentido, pensar a educação como bem comum nos provoca a uma pergunta incômoda: que país queremos construir?
Porque formar sujeitos para um mundo mais complexo, inclusive do ponto de vista produtivo, exige uma escola que amplie repertórios, que sustente experiências densas e que não renuncie à sua responsabilidade formativa.
Porém, há contradições, como: a resistência em cumprir com o piso nacional; a desvalorização sistemática de todos os profissionais da escola; a limitação das experiências curriculares que persiste e tensiona o projeto. É na trama coletiva, entre avanços, entraves, práticas e sujeitos, que se decide se a educação será, de fato, o fio que sustenta um país mais justo, diverso e possível.