Mestre em letras e consultora de gestão de projetos educacionais para redes públicas e privadas de ensino
Publicado em 29/06/2026
A EPT precisa ser compreendida como estratégia central de desenvolvimento e de justiça social; estudo mostra que a modalidade pode aumentar o PIB em até 2,32%
Durante décadas, parte do debate educacional brasileiro tratou a educação profissional e tecnológica como um ‘caminho alternativo’, quase sempre destinado aos que precisavam trabalhar cedo. O tempo mostrou o equívoco. Em um país que busca produtividade, inclusão e mobilidade social, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) precisa ser compreendida como estratégia central de desenvolvimento e de justiça social.
O Decreto nº 12.603 de 2025, que institui a Política Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, reposiciona esse debate ao articular a EPT ao Plano Nacional de Educação (PNE) e ao prever participação de gestores educacionais, instituições formadoras e representantes do mundo do trabalho.
Mais do que formar mão de obra, a norma reconhece que preparar jovens para o trabalho exige diálogo entre escola, território, projeto de vida e, sobretudo, o respeito à diversidade dos sujeitos em diálogo com a educação e o mundo do trabalho.

Estudante participante da 5ª Semana Nacional da Educação Profissional e Tecnológica (SNEPT) (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
Essa perspectiva é decisiva. O mundo do trabalho mudou e vem mudando diariamente. O jovem que se forma hoje se vê diante de ocupações que exigem repertório tecnológico, capacidade de resolver problemas, comunicação, colaboração, criticidade e aprendizagem contínua.
Não basta dominar uma técnica: é preciso compreender processos, adaptar-se às transformações e agir com ética. A escola que ignora isso condena jovens à defasagem; a escola que incorpora isso amplia horizontes. Os números confirmam o potencial desse segmento.
Um estudo do Itaú Educação e Trabalho mostra que triplicar o acesso ao ensino médio técnico pode elevar o PIB brasileiro em até 2,32%. O levantamento aponta ainda redução da desigualdade de renda e maior inserção produtiva. Profissionais com formação técnica recebem, em média, 32% a mais do que aqueles com apenas o ensino médio regular.
Não se trata de escolher entre formação humana e formação profissional. Essa falsa oposição já ficou para trás. Há uma juventude esperando por escolas que façam sentido. Jovens que desejam trabalhar, empreender, cursar a universidade e transformar a vida de suas famílias.
Quando a rede pública oferece itinerários técnicos de qualidade, com professores valorizados, infraestrutura adequada e conexão com arranjos produtivos locais, ela entrega mais do que diplomas: entrega futuro, constrói uma ponte entre o conhecimento apreendido e a realidade, redefinida a partir de novas perspectivas.