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Gestão

Brasil não tem mulher negra reitora

No CNE (Conselho Nacional de Educação), na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e no Semesp (entidade que representa as instituições de ensino superior privadas), a liderança está nas mãos de mulheres. No setor público, reitoras e vice-reitoras representavam 30,2% das 63 […]

Publicado em 03/01/2022

por Redação Ensino Superior

No CNE (Conselho Nacional de Educação), na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e no Semesp (entidade que representa as instituições de ensino superior privadas), a liderança está nas mãos de mulheres. No setor público, reitoras e vice-reitoras representavam 30,2% das 63 universidades federais existentes no Brasil no ano de 2017, revelou uma análise apresentada no 17º Colóquio Internacional de Gestão Universitária. Enquanto isso, no setor privado, elas até se conhecem entre si e por vezes trocam figurinhas, mas a quantidade é silenciosa, um mistério.

Leia: Entenda o que é uma educação antirracista e como construí-la

As reitoras de instituições de ensino privado são geralmente eleitas, para além de suas competências, pela linha de sucessão familiar. Segundo apuração da redação, percebe-se que a ocupação desse lugar por mulheres, acontece principalmente nas instituições de ensino cujos negócios são de família, invariavelmente branca e onde a rotatividade do cargo é baixa. Além disso, cada instituição estabelece seu período para novas eleições, fatores que podem dificultar um levantamento durável e preciso sobre quantas ocupam a reitoria no setor privado.

Uma das poucas certezas nesse campo é que, entre mais de 2000 instituições de ensino, não se encontra nenhuma mulher negra como reitora. “Não se acha, simplesmente porque não existe”, afirma o professor José Vicente, reitor da Unipalmares, a única representativa nesse sentido. Mas as mulheres querem e cada vez mais se preparam para alcançar a reitoria.

É preciso reverter a baixa representatividade feminina na reitoria bem como de mulheres negras (foto: Envato Elements)

Disposição para o cargo

Fernanda Serva é pró-reitora de pesquisa e pós-graduação e também ação comunitária na Unimar (Universidade de Marília), em São Paulo. Ela é uma entre as que vêm durante anos se preparando para atingir o cargo máximo de uma instituição e por lá, é certo de que o caminho se seguirá por aí. Atualmente, esse lugar é do fundador, Marcio Mesquista Serva, seu pai, enquanto a vice-reitora é sua irmã, Regina Lucia Losasso Serva. “Meu pai sempre propiciou que eu e minha irmã ocupássemos essa posição. O apoio para uma liderança feminina é muito importante para a mudança de cultura nesse aspecto”, diz.

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A pró-reitora afirma ainda que na Unimar 70% dos cargos de gestão e docência são ocupados por mulheres, o que para ela, estabelece um canal de escuta importante tanto com a administração, como com a docência e os alunos. “Há uma forma de condução e acolhimento diferente que eu gosto muito”, conta.

Mulheres e resultados

Esse é o mesmo pensamento de Silvia Teixeira, reitora da Unisanta (Universidade Santa Cecília), em Santos-SP, cuja estrutura administrativa é parecida com a da Unimar; passada de pai para filho e que ela e os irmãos Lúcia e Marcelo Teixeira, encabeçam. Para a reitora, mulheres nos altos cargos agregam, sobretudo, habilidades diferentes e propiciam uma instituição muito mais humana, para além dos ganhos financeiros.

“Mulheres favorecem esse perfil mais voltado para o social, inclusivo, flexível, empático e resiliente”, justifica.

relatório Women in Business and Management: The Business Case for Change, da ONU, revela justamente que mulheres em cargos de alta gestão geram rendimentos 20% mais elevados. “Por isso precisamos construir modelos de gestão que promovam igualdade e que as empresas e instituições passem a valorizar essa questão pois muda completamente a visão empresarial”, conclui Silvia Teixeira.

*Matéria da Mayara Figueiredo publicada originalmente no site da Plataforma Ensino Superior.

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Redação Ensino Superior


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