NOTÍCIA
Professora pesquisa há mais de 20 anos sobre convivência escolar. Segundo ela, as pessoas precisam passar por uma transformação cultural
Por Ricardo Pinheiro, estudante de jornalismo na FIAM-FAAM* | No cotidiano da educação básica, conflitos, tensões e episódios de violência deixaram de ser exceção para se tornar parte de uma realidade que desafia educadores, gestores e famílias. Esse cenário foi o ponto de partida do debate realizado no espaço aquário, da Bett Brasil**, que reuniu especialistas para discutir caminhos concretos de transformação da convivência escolar.

Trabalho coletivo é fundamental, diz Telma Vinha (foto: Geovana Cristina/ FIAM FAAM)
Com a participação de Telma Vinha, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, coordenadora do Gepem há mais de 20 anos e referência nacional no tema, e de Patricia Auerbach, escritora e mestre em Educação. O encontro destacou que a violência nas escolas não pode ser enfrentada apenas com medidas punitivas ou pontuais. É preciso repensar profundamente as práticas educativas e o clima institucional.
Telma Vinha iniciou enfatizando o desenvolvimento de intervenções para que todos encontrem soluções nos problemas de violência — que têm aumentado desde a pandemia. Para essa transformação coletiva se efetivar, a especialista reforçou que a mudança tem de começar pela cultura, envolvendo gestores, professores e família.
Já Patrícia Auerbach destacou a autoestima e o acolhimento aos professores, que estão adoecidos, com “pesos nas costas”. Para a escritora é preciso pensar como ajudar e cuidar desses educadores, o que envolve uma participação coletiva, pois a escola tem limitações. “Precisamos ‘dar as mãos’ e tratar o ambiente escolar como comunidade, o ser humano é o foco”, propôs.
Outro ponto destacado durante o debate foi a importância da comunicação nos espaços escolares. De acordo com Telma, as relações humanas geram conexões e empatia, por isso, é preciso acolher o indivíduo, escutar o que ele tem para falar, sem julgamentos, e trabalhar as vulnerabilidades.
Ao final do debate, Vinha retomou a importância do trabalho coletivo entre escola, família e sociedade para combater a violência escolar e promover um ambiente mais acolhedor para todos. A educadora explica que a família é a primeira instituição socializadora. Já a escola é vista como segunda e, por isso, devem atuar juntas. Ela finalizou a discussão citando Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira: “Educação não transforma o mundo, educação muda as pessoas, pessoas transformam o mundo”.
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*Esta matéria foi produzida numa parceria entre a revista Educação e a FIAM-FAAM.
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