NOTÍCIA
Fundado em 1982, a partir de 2002 a instituição concentrou e consolidou sua atuação na educação pública, tendo o programa Jovem de Futuro como alavanca para o aperfeiçoamento da gestão educacional pública
O Instituto Unibanco é a instituição homenageada na 20ª edição do Prêmio Top Educação. Realização da revista Educação, a premiação destaca as marcas mais lembradas pelo público a partir de votação — as vencedoras serão conhecidas no dia 1º de outubro — e há três anos incorporou duas categorias especiais, homenageando uma personalidade e uma instituição que vêm contribuído para a educação no país.
O Instituto Ayrton Senna, a Fundação Roberto Marinho e a Fundação Itaú foram instituições homenageadas nas edições anteriores. Desta vez, a redação da revista Educação escolheu o Instituto Unibanco. Fundado em 1982, a princípio, a instituição apoiou iniciativas de diferentes áreas e a partir de 2002 concentrou sua atuação na educação pública.
Essa diretriz se consolidou em 2007, com a criação do programa Jovem de Futuro, voltado inicialmente ao fortalecimento da gestão das escolas públicas de ensino médio. Desde então, o Instituto evoluiu de projetos concentrados em unidades escolares para parcerias de longo prazo com redes estaduais de ensino. Essa atuação parte da constatação científica de que a gestão é, depois da atuação dos professores, o fator intraescolar que mais influencia os resultados dos estudantes.
O objetivo central do Instituto Unibanco é contribuir para que todos os estudantes tenham acesso a uma educação pública de qualidade, capaz de ampliar oportunidades e promover seu pleno desenvolvimento, reduzindo as desigualdades. Para isso, atua no fortalecimento da gestão pública e das capacidades estatais, apoiando práticas sistêmicas, colaborativas e fundamentadas em evidências. Sua visão para 2033 é que a educação pública se torne uma referência de boa gestão pública, promovendo o desenvolvimento dos estudantes com equidade e democracia.

O programa Jovem de Futuro alcançou, em 2025, 6.163 escolas e cerca de 1,76 milhão de estudantes. Hoje é parceiro dos estados do Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
Ao longo das décadas, o Jovem de Futuro se transformou. Lançado inicialmente em quatro escolas, a primeira geração apoiava diretamente as escolas e a formação de seus gestores. Na segunda, o programa ganhou escala nas redes estaduais. A terceira consolidou ciclos contínuos de planejamento, execução, monitoramento e correção de rotas, adaptando à educação pública o PDCA (Plan, do, check, act, na sigla em inglês, ou planejar, fazer, avaliar, agir), método clássico da administração, e conectando escolas, regionais e secretarias de maneira sistêmica.

Mirela de Carvalho, gerente de implementação do Instituto Unibanco, em recente formação realizada no âmbito do programa Jovem de Futuro (Foto: divulgação)
O programa alcançou, em 2025, 6.163 escolas e cerca de 1,76 milhão de estudantes. Hoje é parceiro dos estados do Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul.
Uma avaliação de impacto, realizada nos estados que as três primeiras gerações foram implementadas, identificou um avanço de cinco pontos na escala Saeb entre os estudantes participantes, resultado equivalente a aproximadamente um ano adicional de aprendizagem em comparação com o grupo de controle.
Confira artigo (em inglês) de Ricardo Paes de Barros, Mirela de Carvalho, Samuel Franco, Beatriz Garcia, Ricardo Henriques e Laura Machado, elaborado para o Banco Mundial.
O Jovem de Futuro continua sendo uma das principais frentes de atuação da instituição. Em sua quarta geração, iniciada em 2025, o programa passou a integrar mais diretamente a gestão educacional ao ciclo completo das políticas públicas, contribuindo para que as redes desenvolvam capacidades permanentes de diagnosticar problemas, formular políticas, implementá-las, avaliá-las e aprimorá-las com autonomia.
Para isso, a atual etapa, implementada em seis estados, amplia o foco da gestão escolar para todo o ciclo das políticas públicas e está estruturada em três componentes: a integração do Circuito de Gestão ao desenho e à implementação das políticas; o fortalecimento da governança e do uso de dados educacionais; e o desenvolvimento dos profissionais da educação.
O Circuito de Gestão é uma metodologia que adapta à educação pública um processo contínuo de planejar, executar, monitorar resultados e corrigir rotas, envolvendo escolas, instâncias regionais e secretarias de Educação. Em 2025, Ceará, Espírito Santo, Goiás e Piauí concluíram a incorporação da metodologia às próprias rotinas e passaram a conduzi-la de maneira autônoma. O Rio Grande do Sul, por sua vez, desenvolveu seu próprio ciclo de governança educacional a partir dos aprendizados do programa.
Esse processo representa um resultado especialmente relevante para o Instituto: a consolidação de capacidades que permanecem nas redes públicas e não dependem indefinidamente da presença de um parceiro externo.
Também em 2025, o Instituto apoiou tecnicamente o Ministério da Educação na reformulação do Plano de Ações Articuladas, o Novo PAR, instrumento que orienta o diagnóstico, o planejamento e a assistência técnica e financeira da União às redes de ensino.
A nova plataforma reúne mais de 300 indicadores e recebeu a adesão das 27 secretarias estaduais e de 5.564 secretarias municipais de Educação. Todas as unidades da Federação e 99,8% dos municípios concluíram seus planejamentos.
O Instituto também busca fortalecer a sociedade civil e ampliar a presença de grupos historicamente sub-representados no debate educacional. O 2º Edital de Fortalecimento Institucional, publicado em 2025, selecionou 20 organizações negras, indígenas e quilombolas. Cada uma receberá R$ 100 mil por ano, durante três anos, além de mentoria e formação em áreas como gestão, liderança, comunicação, incidência e sustentabilidade.
Uma das prioridades do Instituto no ano passado foi o apoio às políticas de recomposição das aprendizagens. No Ceará, por exemplo, a parceria contribuiu para fortalecer uma política voltada ao enfrentamento das defasagens em matemática no ensino médio, em uma rede que reúne 687 escolas e mais de 317 mil estudantes. No Espírito Santo, apoiou a consolidação de uma política integrada de recomposição, articulando currículo, avaliação, materiais pedagógicos e formação continuada.
Em Goiás, a atuação alcançou 925 escolas e mais de 428 mil estudantes, com foco na recomposição e na personalização do ensino. Em Minas Gerais, onde o programa abrangia 2.370 escolas e cerca de 582 mil estudantes, o apoio à Secretaria de Educação permitiu realizar um diagnóstico inédito de 150 projetos, programas e ações, reorganizar prioridades e estruturar um Escritório de Projetos.
No Rio Grande do Sul, os aprendizados do Jovem de Futuro contribuíram para a criação de uma metodologia própria de gestão da rede. No Piauí, a parceria apoiou a qualificação do Programa Gestão da Aprendizagem, principal iniciativa da rede para a recomposição das aprendizagens, contribuindo decisivamente para que o estado se destacasse nacionalmente no Ideb.
Leia entrevista com Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco:
Conheça, também, a ‘Educadora do ano’, a socióloga Ednéia Gonçalves, personalidade homenageada do Prêmio Top Educação 2026, na entrevista realizada pela editora Laura Rachid para a edição de setembro, disponível na versão digital:
Premiada internacionalmente, a educadora e colunista da revista Educação Débora Garofalo é a detentora da menção honrosa. Confira artigos recentes:
Revista Educação: referência há mais de 30 anos em reportagens jornalísticas e artigos exclusivos para profissionais da educação básica