Riscos de hackers: setor de educação investe pouco em cibersegurança

Em pesquisa feita pelo Datafolha com tomadores de decisões, 42% afirmam que sua empresa educacional não está preparada para reagir à uma invasão digital

Com a pandemia, é fato que a transformação digital se intensificou nas escolas, só que essa expansão parece não estar dialogando 100% com a segurança de dados armazenados no universo cibernético, sejam eles informações pessoais de funcionários e alunos e até sobre o desempenho escolar – importante destacar que as instituições escolares estão adotando cada vez mais plataformas e ferramentas digitais próprias ou terceirizadas que personalizam a aprendizagem ou otimizam o tempo da gestão, sendo mais mecanismos que guardam informações.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) pode ter aumentado a discussão desse assunto no setor, mas os investimentos e precauções ainda não são vistos com prioridade. Uma pesquisa divulgada em maio deste ano, por encomenda da Mastercard e realizada pelo Datafolha, ouviu 351 pessoas que ocupam cargos decisores da área de tecnologia nos setores de educação (dos 351 ouvintes, 99 são da área educacional), saúde, telecomunicações, segurança, seguros, varejo e fintechs de pequeno, médio e grande porte.

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Segundo os entrevistados, 41% das empresas de educação são alvos de fraudes e ataques digitais com alta ou média frequência. Em relação aos cuidados, 78% das empresas de educação possuem profissional de TI para segurança das informações. Contudo, apenas 29% têm uma área própria para a cibersegurança, tendo o segundo menor percentual entre os setores (saúde, 23%, varejo, 30%, financeiro + seguros, 42% e tecnologias + telecom, 54%).

educação cibersegurança

Foto: Mika Baumeister/Unsplash

Tendência é na proteção

“Pelo volume de informações que o setor de educação abarca, ele é muito visado. Informações de desempenho escolar e outras têm valor no mercado paralelo, de fraude”, alertou Estanislau Bassols, gerente geral da Mastercard Brasil, em evento online de lançamento da pesquisa. Apesar disso, 44% dos entrevistados disseram que a cibersegurança não é prioridade no orçamento da empresa e 42% afirmaram que a empresa não está preparada para reagir à uma invasão digital.

De acordo com um relatório de 2019 do Ponemon Institute, entidade estadunidense que promove o uso responsável de informações e práticas de gerenciamento de privacidade, o custo médio de uma violação de dados para empresas é de US$3,9 milhões – baseado em mais de 500 organizações em 16 países e 17 setores industriais.

Com o avanço do digital no dia a dia e dos riscos com invasões, investimentos em segurança cibernética em diversas áreas do mundo tiveram crescimento anual de 12% a 15% e até 2024 está previsto que esse mercado gire em torno de US$ 300 bilhões, revela pesquisas da Gartner e o relatório de estatísticas de risco virtual da Risk Based Security.

“Esse investimento vem crescendo no mundo, esperamos que o Brasil siga também. É uma área nova e imaginamos que, com esses vários ataques, haverá investimentos mais pesados para os próximos anos”, avalia Estanislau Bassols.

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Dicas de proteção

A pesquisa apresenta também algumas orientações para a proteção dos dados:

Fazer simulações de riscos e fraudes frequentemente – sem esquecer dos parceiros e terceiros;

Ter uma área focada em cibersegurança na companhia;

Treinar e conscientizar seus funcionários sobre a importância da

segurança no ambiente digital;

Contratar e fazer parcerias com empresas que ofereçam soluções em cibersegurança.

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