Como retomar o processo de ensino-aprendizagem

Nem todos os alunos acumularam a mesma evolução escolar durante o período em que estiveram fora das salas de aula

A curva de contágio pela covid-19 descendente em um número crescente de países começa a provocar também nos educadores brasileiros a esperança de ver as escolas reabertas com a aprendizagem presencial retomada. Evidentemente, nada será como antes, e muitos cuidados serão necessários para evitar o contágio, pelo menos até que exista uma vacina contra o novo coronavírus – e ninguém sabe quando isso ocorrerá.

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O fato é que pelo menos 1,5 bilhão de crianças e adolescentes voltarão às aulas em todo o mundo.Da mesma forma como participou do período de isolamento, propondo recomendações e alternativas de educação virtual, a UNESCO promove agora o diálogo sobre a preparação e o planejamento para a reabertura das escolas, divulgando documentos e promovendo webinares internacionais.

ensino-aprendizagem retomada

Aprendizagem dos alunos e a segurança deles e colaboradores são centrais para o início do ‘novo normal’ (foto: Shutterstock)

A partir do compartilhamento de informações e um amplo planejamento, é possível destacar alguns dos desafios comuns a serem antecipados, baseados em orientações da Organização Mundial da Saúde, UNICEF e Banco Mundial, considerando inicialmente a reabertura das escolas em três etapas distintas:

Antes da reabertura, a UNESCO orienta que as escolas se preparem com políticas, planos de ação e procedimentos, com o aval dos órgãos oficiais de governo, adaptando estruturas físicas e capacitando profissionais, tanto de áreas administrativas, quanto pedagógicas.

Aprendizagem e cuidados

O foco deve ser garantir a retomada do processo de ensino-aprendizagem, oferecendo segurança sanitária a colaboradores, alunos e suas famílias. Também é preciso responder questões como: quais turmas devem voltar primeiro; se será possível manter o ensino a distância para um grupo específico de alunos; a logística de acesso; transporte, entre outros.

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Durante a reabertura, o trabalho deve também abordar ações pedagógicas, reforçando métodos de ensino alternativos, que combinem os conteúdos abordados por meio do ensino a distância com o trabalho presencial e levem em conta que nem todos os alunos acumularam a mesma evolução escolar durante o período em que estiveram fora das salas de aula.

Com as escolas abertas, o desafio das instituições, segundo a UNESCO, será monitorar os indicadores de saúde, a fim de oferecer meios para o bem-estar e a proteção de toda a comunidade escolar, bem como realizar ajustes permanentes de planos estratégicos, ações de logística e métodos de ensino, a partir de diretrizes oficiais dos órgãos de governo. As orientações da UNESCO, em inglês, estão disponíveis em (https://en.unesco.org/news/back-school-preparing-and-managing-reopening-schools).

O trabalho de reabertura das escolas, um momento aguardado por todos nós, será um processo lento, gradual e sem verdades absolutas. A cada dia, novas decisões. Portanto, a união de todos nós, educadores dispostos a compartilhar ações, ideias e os valores da UNESCO, ajudará a escrever os próximos capítulos de um novo normal, que assume a reinvenção de métodos de ensino, mudanças nas relações sociais, mas que preserva e protege um bem comum universal: a educação.

*Myriam Tricate é Coordenadora Nacional do Programa das Escolas Associadas da UNESCO no Brasil.

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