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Criatividade e força de vontade marcam comprometimento dos professores para adaptarem o ensino às aulas online

Impactados com o isolamento social, docentes revelam como estão driblando os desafios e garantindo a missão de transmitir conhecimento

Publicado em 25/05/2020

por Laura Rachid

Os educadores estão abraçados ainda mais na força vontade e criatividade para se adaptarem ao cenário atual. Postura compreensível, uma vez que, mesmo com o avanço da pandemia da covid-19, a missão de transmitir conhecimento continua — pelo menos no universo das escolas e alunos que possuem condições para aulas online.

Leia: Coronavírus: como estão nossos professores

Para exemplificar, os professores das áreas das Ciências da Natureza (Biologia, Química e Física), que costumam dar aulas em laboratório, foram forçados à essa adequação. Rafael Correa leciona Física para o 3º ano do ensino médio do particular Colégio Santa Maria, localizado no Jardim Marajoara, capital paulista, e sua saída foi a criação de um circuito dentro de casa para medir a corrente elétrica dos aparelhos eletrônicos. “Para fazer a medição correta, é necessário colocar um aparelho chamado multímetro dentro do circuito”, revela. Em seguida, Rafael gravou a aula, composta por teoria, experimentos e exercícios. Deixando o momento ao vivo para a turma sanar dúvidas.

Outro que também precisa de laboratório é Maurício Rodrigues, professor de Química do mesmo colégio. Sua saída para falar sobre cromatografia — técnica de separação de substâncias por afinidade química — em uma videoaula, por exemplo, foi simplificar o experimento utilizando objetos que os alunos possuem em casa. “Só precisei de um filtro de papel, algumas canetinhas e um copo com água. Se fosse em uma aula presencial, seria uma cromatografia mais sofisticada”, conta. Maurício acrescenta que os alunos dão feedback sobre o que deu certo ou não.

aulas online professores

Aulas online exigem outra linguagem (foto: Shutterstock)

Despertando o conhecimento

Aproximar o que será ensinado com a realidade dos estudantes é outra característica comum entre alguns docentes que visam estimular e facilitar a aprendizagem. “Dessa forma, eles [alunos] terão uma ótima oportunidade, juntos com seus familiares, em distanciamento social, para discutir e replicar o que aprenderam”, defende Flávio César Borges, professor de Biologia em Goiânia, GO, no Colégio Integrado, do grupo Saber Educação. Flávio diz que procura sempre relacionar suas aulas com problemas vividos naturalmente, sejam eles do meio ambiente, saúde ou cultural. “Não basta definir o que é aterosclerose, é importante, na hora do almoço, discutir sobre os alimentos que fazem bem à saúde, sobre a prática de exercícios mesmo diante da dificuldade momentânea de fazê-los e sobre como podemos melhorar nosso bem-estar. Portanto, faz parte da construção da metodologia de ensino pensar sobre o que se deve aprender e para que aprender”, acrescenta.

E por falar em cotidiano, as informações sobre a pandemia está sendo tema das aulas de Matemática de Anibal Soares, docente no Santa Maria. O 1º ano do ensino médio está estudando funções exponenciais e pesquisando o que significa dizer que o número de casos de coronavírus cresce exponencialmente. Posteriormente farão uma comparação, caso o crescimento fosse linear, e explicar as justificativas para o isolamento social por meio de pesquisas e trocas de informações. “Desta forma, esperamos que eles aprendam a buscar conhecimento de forma autônoma, mediante orientação dos docentes, e desenvolver bom senso em relação às fake news e aos cuidados que devem tomar”, defende.

Leia: Exigir que todas as escolas reduzam a mensalidade em no mínimo 30% não é a solução

Ainda mais dedicação na elaboração

Em relação ao planejamento, Flávio César, do Colégio Integrado, sente que as aulas online requerem uma dedicação maior, uma vez que a linguagem e dinâmica são diferentes da modalidade presencial. “Precisamos pensar no que vamos ensinar e, também, roteirizar quais seriam os pontos de maiores dificuldades sobre aquele assunto. A dúvida do estudante deve ser antecipada na sua apresentação. Por exemplo, ao falar sobre o sistema circulatório, é comum que os alunos tenham dúvidas sobre o ‘infarto’. Uma boa dica é o professor se preparar com uma bela imagem do miocárdio para mostrar pela plataforma virtual. Na aula remota, não podemos ser pegos de surpresa, será mais difícil para explicar caso não tenhamos o recurso certo, na hora certa”, pontua o docente de Biologia.

Flávio tem consciência de que, pelo colégio que leciona fazer parte de um grande grupo educacional, há uma maior facilidade no acesso à ferramentas que viabilizem o que ele chama de processo de aprendizagem significativa. Além disso, “ a equipe pedagógica está se desdobrando na elaboração de tutorias e fazendo um trabalho incrível de engajamento de toda a comunidade escolar. Considero, dentro desse contexto, que é possível, sim, aprender com qualidade, mas que caminhos árduos de adaptação tiveram que ser superados”, afirma.

“Os recursos eram pouco conhecidos por nós, professores, na verdade, estamos evoluindo bastante no ‘mundo tecnológico”’. Este momento está servindo para troca de experiências, compartilhamento de boas práticas e, também, por incrível que pareça, maior proximidade com todos os atores da escola. É isso mesmo, vejo uma escola muito mais unida”, finaliza.

Aulas online também para os pequenos

Em muitos colégios que adotaram o modelo virtual, as aulas acontecem não apenas no ensino médio, mas para os pequenos também. Indagada sobre as dificuldades do ensino online, Adriana Francisca de Oliveira Silva, professora e coordenadora de educação infantil e fundamental I do Colégio Português de São Paulo, localizado também na capital paulista, destaca que desafios sempre surgem. “Estamos trabalhando coisas básicas como a empatia, o respeito, a compreensão e a paciência para falar. No começo foi complicado, hoje em dia, se sentem [as crianças] numa condição muito melhor. Eles esperam ser chamados e deixam os microfones desligados durante as explicações, evitando possíveis distrações. Mas é um processo enriquecedor, estamos falando de crianças de sete anos, que possuem condições e se tornam capazes para fazer uma simples conferência com qualquer CEO internacional, e vão se sair muito bem”, ressalta.

Aliás, vale expor que o Colégio Português se tornou um Microsoft Future School ano passado. O que significa dizer que há uma sala de inovação e tecnologia, no caso, do jogo Minecraft, em que o aluno põe a mão na massa e aprende brincando, mas claro, neste momento de isolamento social, as portas estão fechadas e o ensino acontecendo remotamente.

Assista:

Neurociência: como ensinar matemática de maneira criativa

Autor

Laura Rachid


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