NOTÍCIA

Academia Líderes de Educação

Autor

Revista Educação

Publicado em 04/11/2026

A comunidade participa do diagnóstico institucional

Quando os participantes percebem que suas contribuições resultam em melhorias concretas, a participação cresce e a confiança no processo também

Por Leo Victorino da Silva*, diretor do Colégio Dom Aguirre, embaixador da revista Educação e da Academia Líderes de Educação em Sorocaba (SP) e região| Há décadas, a educação superior brasileira consolidou uma importante mudança na forma de gerir instituições: sustentar estratégias através de processos permanentes de autoavaliação institucional. Mais do que cumprir exigências legais, muitas incorporaram a avaliação como instrumento de gestão, planejamento e melhoria contínua. Na educação básica, entretanto, essa cultura ainda caminha de forma tímida.

É comum que escolas realizem pesquisas de satisfação, ouçam famílias em momentos específicos ou acompanhem indicadores de desempenho acadêmico. Mas essas iniciativas, muitas vezes, permanecem fragmentadas, desconectadas entre si e pouco utilizadas como fundamento para decisões estratégicas. O resultado? Decisões importantes acabam sendo tomadas com base em impressões ou em demandas mais urgentes. Essa diferença merece reflexão.

A Comissão Própria de Avaliação (CPA), prevista pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), tornou-se um espaço permanente de escuta de estudantes, professores, técnicos e gestores. Seu objetivo não é fiscalizar, mas produzir conhecimento sobre a instituição para orientar seu desenvolvimento.

 

Institucional

Em vez de assumir que o gestor precisa ter todas as respostas, reconhece-se que decisões mais consistentes emergem quando a comunidade participa (Foto: Shutterstock)

A lógica por trás desse modelo talvez seja ainda mais relevante para a educação básica. Escolas convivem diariamente com questões complexas: satisfação das famílias, permanência dos estudantes, inclusão, clima escolar, saúde emocional dos profissionais, comunicação institucional, aprendizagem, infraestrutura, segurança, relacionamento entre equipes, percepção da qualidade dos serviços oferecidos etc.

Quantas dessas decisões são efetivamente orientadas por evidências?

Sem mecanismos estruturados de investigação, a gestão trabalha frequentemente sobre hipóteses. Mais do que importar uma estrutura administrativa, a educação básica pode incorporar uma cultura permanente de autoavaliação institucional. Um grupo interno, representativo e participativo, inspirado no funcionamento das CPAs, pode organizar pesquisas periódicas, acompanhar indicadores, analisar tendências e produzir relatórios capazes de subsidiar o planejamento estratégico da escola. Isso significa transformar percepções em dados, dados em conhecimento e conhecimento em decisões. 

 

Leia: Educação digital precisa tornar-se política estruturante

 

Institucional

Dados quantitativos, isoladamente, não explicam a realidade, reitera Leo Victorino da Silva (Foto: arquivo pessoal)

A avaliação precisa responder perguntas relevantes e gerar consequências práticas. Quando os participantes percebem que suas contribuições resultam em melhorias concretas, a participação cresce e a confiança no processo também.

Outro aspecto importante é compreender que dados quantitativos, isoladamente, não explicam a realidade. Taxas de evasão, índices de satisfação ou resultados de avaliações externas precisam dialogar com informações qualitativas obtidas por meio de entrevistas, grupos focais, espaços de escuta e observações institucionais. Gestão baseada em evidências não significa gestão baseada apenas em números.

Esse movimento representa também uma mudança de postura da liderança escolar. Em vez de assumir que o gestor precisa ter todas as respostas, reconhece-se que decisões mais consistentes emergem quando a comunidade participa da construção do diagnóstico institucional.

Em um cenário cada vez mais complexo, marcado por transformações sociais aceleradas e por expectativas crescentes das famílias, talvez a principal inovação na gestão não esteja na adoção de novas tecnologias, mas na capacidade de conhecer profundamente a própria escola antes de decidir seus próximos passos.

 

* Leo Victorino da Silva é diretor do Colégio Dom Aguirre, em Sorocaba (SP). Mestre e doutor em Educação, atua na gestão educacional, é embaixador da revista Educação e da Academia de Líderes de Educação, na região de Sorocaba.

 

Este artigo foi originalmente produzido para a Academia Líderes de Educação, hub da revista Educação para diretores de escolas públicas e privadas. Conheça e faça parte: 

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