NOTÍCIA
Quando uma escola decide existir para mais do que a si mesma, passa a se perguntar todos os dias: o que estamos dispostos a compartilhar?
Por Juliana Pereira de Albuquerque Storniolo*, diretora de ensino da escola FourC e embaixadora da Academia Líderes de Educação em Bauru e região | A FourC Bilingual Academy nasceu há 18 anos, em Bauru, a partir do olhar de Sara Hughes, uma educadora à frente do seu tempo. Desde o início, a escola foi pensada para derrubar as paredes entre sala de aula e mundo, formando crianças e adolescentes para um cenário em constante mudança e servindo como espaço de referência e troca para outros educadores.
Como diretora de ensino, aprendi que liderar uma escola é um exercício contínuo de cuidado e de coerência. Cuidado para estar perto do que acontece nos corredores, nas salas, nos pátios — onde a educação de fato se decide. Coerência para que aquilo em que dizemos acreditar apareça nas escolhas concretas de todos os dias. Uma escola se constrói menos por grandes anúncios e mais pela soma de pequenas decisões fiéis a um propósito.

Uma diretora isolada não transforma uma escola. Quem transforma é o conjunto — coordenadores, professores, famílias, colaboradores — que veste o propósito e o multiplica (Foto: Shutterstock)
Ao longo da minha trajetória, tenho buscado vivências que me desafiem a olhar a escola de outros ângulos. Essa busca já me levou, por exemplo, ao SXSW, em Austin, onde participei de três edições, duas delas como mentora, e a experiências ligadas ao Project Zero. Mantenho também uma rotina intensa de estudos online, hoje junto com a equipe, em cursos de universidades como Harvard, porque acredito que uma escola só pode ser uma organização que aprende se seus líderes se colocam como aprendizes permanentes.
Foi com esse espírito que, em maio de 2026, passei 15 dias na Ásia representando a FourC, observando como a inteligência artificial e outras tecnologias vêm sendo incorporadas à educação. Não fui em busca de novidades para impressionar, mas de práticas que façam sentido para nossas crianças e educadores. A inovação que me interessa não é a que substitui o humano pela máquina, e sim a que devolve tempo e energia ao professor para aquilo que só ele pode fazer: olhar nos olhos, provocar, acolher, formar pessoas.

“Educar é um ato de intenção e de coerência; o futuro da educação será construído por quem tiver coragem de aprender junto, em vez de competir sozinho”, afirma Juliana Storniolo (Foto: Arquivo pessoal)
Carrego um princípio de liderança: nada acontece sozinho. Uma diretora isolada não transforma uma escola. Quem transforma é o conjunto — coordenadores, professores, famílias, colaboradores — que veste o propósito e o multiplica. Duas vezes por ano, reunimos parte desse ecossistema em encontros para gestores e educadores, abrindo a escola para que vejam a prática acontecendo e levem algo útil para suas realidades.
É por isso que vejo tanto sentido em me aproximar da Revista Educação e da Academia de Líderes da Educação. Compartilhamos o propósito de expandir conhecimento, inspirar gestores e fortalecer a educação brasileira, pública e privada, sem muros desnecessários. Em Bauru e região, assumir o papel de embaixadora significa ser ponte: entre escolas,redes, experiências que ganham força quando se encontram.
Sigo acreditando que educar é um ato de intenção e de coerência, e que o futuro da educação será construído por quem tiver coragem de aprender junto, em vez de competir sozinho. Essa é a régua que escolho subir todos os dias – e é com esse olhar que me coloco à disposição para, a partir de Bauru, contribuir com a conversa maior sobre a educação que queremos para o Brasil.
*Juliana Storniolo é embaixadora da revista Educação e da Academia Líderes de Educação em Bauru e região. É diretora de ensino da escola FourC. Graduada em Letras e mestra em Educação.
Este artigo foi originalmente produzido para a Academia Líderes de Educação, hub da revista Educação para diretores de escolas públicas e privadas. Conheça e faça parte:
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