NOTÍCIA
Um bom feedback não termina na constatação. Ele reconhece avanços, estabelece um foco prioritário e aponta um próximo passo possível
Por Priscilla C. Manesco, consultora da Academia Líderes de Educação na área de formação docente | As escolas investem em jornadas pedagógicas, palestras, cursos e reuniões de formação. Essas iniciativas são importantes para alinhar concepções, ampliar repertórios e fortalecer o projeto pedagógico da escola. Mas uma pergunta precisa acompanhar esse investimento: de que forma aquilo que foi discutido coletivamente se transforma, de fato, na prática de cada professor?
Uma mesma formação é recebida por profissionais com trajetórias, experiências e desafios distintos. Enquanto um professor precisa diversificar as estratégias de ensino, outro talvez necessite ampliar a participação dos estudantes ou encontrar maneiras mais efetivas de verificar se todos estão aprendendo. Por isso, embora indispensáveis, as formações gerais não conseguem responder, sozinhas, às necessidades individuais da prática docente.
É nesse espaço que o feedback formativo se torna uma responsabilidade da gestão. No entanto, acompanhar o trabalho do professor não significa fiscalizá-lo nem reduzir sua atuação a uma lista de acertos e falhas. Significa observar a aula com intencionalidade pedagógica, reconhecer o que já está consistente e identificar, junto ao docente, possibilidades concretas de desenvolvimento.

“O feedback formativo se torna uma responsabilidade da gestão. No entanto, acompanhar o trabalho do professor não significa fiscalizá-lo nem reduzir sua atuação a uma lista de acertos e falhas”, detalha Priscilla C. Manesco (Foto: arquivo pessoal)
Para que esse diálogo seja verdadeiramente formativo, ele deve se apoiar em evidências, e não em impressões pessoais. Dizer que uma aula foi “pouco participativa”, por exemplo, é uma avaliação genérica. Identificar que, durante determinada atividade, apenas alguns estudantes responderam, enquanto os demais permaneceram como ouvintes, oferece um ponto observável para a reflexão. A partir dele, gestão/coordenação e professor podem discutir quais estratégias favoreceriam maior participação e permitiriam acompanhar a aprendizagem de toda a turma.
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Um bom feedback também não termina na constatação. Ele reconhece avanços, estabelece um foco prioritário e aponta um próximo passo possível. Quando esse acompanhamento acontece de forma contínua, o professor deixa de receber orientações distantes de sua realidade e passa a contar com apoio para analisar as próprias escolhas, experimentar novas abordagens e compreender seus efeitos sobre a aprendizagem.
A formação coletiva constrói referências comuns; o feedback formativo ajuda cada professor a transformá-las em prática. Assumir esse acompanhamento como parte da liderança pedagógica é reconhecer que a qualidade da aula não depende apenas do esforço individual do docente. Ela também resulta das condições que a escola cria para que seus profissionais continuem aprendendo. Afinal, se a aprendizagem dos estudantes é responsabilidade da escola, o desenvolvimento de quem ensina também precisa ser assumido como um compromisso permanente da gestão.
* Priscilla Campiolo Manesco é pedagoga e historiadora. Atua como gerente técnica acadêmica da Escola de Ciências da Educação na Vitru Educação, com mais de 25 anos de experiência na formação de professores. Especialista em formação docente, inovação pedagógica, gestão curricular e avaliação educacional. É avaliadora do SINAES e integrante da Comissão de Elaboração e Revisão de Itens do ENADE (BNI). Consultora da Academia Líderes de Educação na área de formação docente, dedica-se à qualificação das práticas docentes e ao desenvolvimento de educadores com visão de futuro.
Este artigo foi originalmente produzido para a Academia Líderes de Educação, hub da revista Educação para diretores de escolas públicas e privadas. Conheça e faça parte: