NOTÍCIA
Voltada a professores, bibliotecários, mediadores de leitura e profissionais da educação, a FlipEduca propõe uma reflexão sobre a literatura como prática de encontro e formação humana
O Programa Educativo da Flip oferecerá nesta edição mais de 40 atividades em quatro dias de programação gratuita, de 23 a 26 de julho, em Paraty. A programação é voltada às crianças, aos jovens, às famílias e aos profissionais da educação.
Reunindo escritores, ilustradores, artistas, pesquisadores e educadores brasileiros e internacionais, a Flipinha, a FlipZona e a FlipEduca promovem encontros literários, oficinas, apresentações artísticas, sessões de cinema e atividades formativas que ampliam as possibilidades de viver a literatura.
“A literatura nasceu antes do livro, viveu na voz, nas rodas, nas canções, nas histórias compartilhadas entre diferentes gerações. Quando encontrou a página, não abandonou essas formas de existir: apenas descobriu novos caminhos para continuar circulando. É essa literatura em movimento que orienta a curadoria do Programa Educativo da Flip. Uma literatura que sai das páginas para encontrar a cidade, as escolas, as praças, os quintais, os cinemas, os palcos e as muitas paisagens de Paraty”, afirma Luis Filipe Pôrto, gestor curatorial e de conteúdo do Educativo Flip.
Os livros encontram o teatro, a música, o cinema, as artes visuais, a oralidade e a brincadeira não para ilustrar a literatura, mas para revelar algo que sempre esteve presente em sua natureza: sua capacidade de criar vínculos, produzir encontros e ampliar as maneiras de imaginar o mundo.
Essa proposta nasce de uma atuação permanente do Educativo Flip ao longo do ano, construída em diálogo com escolas, bibliotecas, educadores, artistas, mediadores de leitura, comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas e com os próprios jovens de Paraty.
Voltada a professores, bibliotecários, mediadores de leitura e profissionais da educação, a FlipEduca propõe uma reflexão sobre a literatura como prática de encontro e formação humana. Em conversas e oficinas, escritores, pesquisadores e educadores discutem literatura negra, literatura indígena contemporânea, literatura LGBTQIA+, mediação de leitura, poesia, clubes de leitura e formação de acervos, ampliando repertórios e fortalecendo redes de aprendizagem.
A Flipinha convida crianças e suas famílias a experimentar a literatura com o corpo, a imaginação e a palavra. Histórias, oficinas, espetáculos, música e encontros com autores transformam a Praça da Matriz em um espaço de convivência, descoberta e criação coletiva.
Neste ano, a construção da programação teve início com um processo curatorial ampliado. Um conselho formado por Ananda Luz, Caio Zero, Edmilson de Almeida Pereira, Sony Ferseck e Carla Mausch indicou obras que dialogam com diferentes perspectivas estéticas, culturais e territoriais da literatura para as infâncias. Parte desses livros foi apresentada a um grupo de educadoras de Paraty durante dois encontros formativos conduzidos por Luís Filipe Porto e Helô Pacheco, criando um espaço de troca e escuta que aproximou a curadoria das experiências e demandas locais.
Participam desta edição autores e ilustradores como Gabriela Romeu, Guto Lins, Alessandra Roscoe, Caco Galhardo, Edmilson de Almeida Pereira, Clarice Campos, Madu Costa, Maitê Freitas, Marcelo Pimentel, Ana Matsusaki, Anderson Shon, Edu Prestes e Kammal João, além de uma expressiva presença de autoras indígenas, entre elas Eva Potiguara, Jama Wapichana, Aline Kayapó, Vanessa Guarani Ratton e Mathilde Macuxi, reafirmando o compromisso da programação com a diversidade de vozes que formam a literatura brasileira contemporânea.

Reunindo escritores, ilustradores, artistas, pesquisadores e educadores brasileiros e internacionais, a porgramação educativa traz a Flipinha, a FlipZona e a FlipEduca (Foto: Divulgação)
Na FlipZona, a literatura se aproxima das perguntas que atravessam as juventudes. A programação é resultado de um processo de escuta que envolveu cerca de 400 estudantes de escolas públicas de Paraty e região, reafirmando o protagonismo dos jovens na construção da própria festa.
Participam desta edição autores como Éric Chacour, Vitor Martins e Bethânia Pires Amaro, em encontros que abordam identidade, pertencimento, memória, afetos, imaginação e criação literária. A programação inclui ainda oficinas, uma sessão especial do filme Quinze Dias, adaptação do romance de Vitor Martins, e a mostra de curtas produzidos pelo programa Jovem Repórter, ampliando o diálogo entre literatura, audiovisual e produção cultural juvenil.
Mais do que apresentar metodologias, a programação convida os participantes a pensar a leitura como uma experiência capaz de produzir pertencimento, escuta e transformação.“Ao reunir crianças, jovens, famílias, educadores, escritores e artistas, o Programa Educativo da Flip reafirma que formar leitores não significa apenas incentivar o hábito da leitura. Significa defender o direito de todas as pessoas de participar da vida cultural por meio da literatura. Ler, ouvir, contar, ilustrar, cantar, filmar, brincar ou compartilhar uma história são diferentes maneiras de exercer esse direito”, defende Belita Cermelli, dretora de educação e cultura da Flip.
Neste ano, a identidade visual da Flipinha foi criada a partir de desenhos feitos por crianças de Paraty. Durante uma oficina com a artista Marcela da Terra, realizada na Escola Municipal Maurício Lopes de Souza Filho, na Várzea do Corumbê, elas produziram ilustrações usando pigmentos naturais que inspiraram a criação da identidade visual desta edição. Já o design da FlipZona foi criado a partir da oficina “Narrar o território”, realizada com jovens de 14 a 24 anos de Paraty. As fotografias produzidas pelos participantes inspiraram a identidade desta edição.
Veja a programação completa do programa Educativo da Flip