NOTÍCIA
Lançamento presencial acontece em seminário em 3 de setembro em São Paulo (SP) com discussões entre pesquisadores das organizações
Uma iniciativa coletiva inédita da sociedade civil, que reúne instituições respeitadas de pesquisa – Ação Educativa, ABPN, Afro-Cebrap, Cebrap, Cedra, Dara, Gemaa, Neri do Insper –, com financiamento do Instituto Iandé e da Imaginable Futures, mede as desigualdades raciais na educação brasileira e identifica, em cada etapa educacional, os mecanismos que perpetuam essas desigualdades, muitas vezes apesar de haver políticas para combatê-las, e aponta soluções.
Em todos os estudos, baseados em dados oficiais, foram identificados fatores institucionais que são barreiras para a equidade: trata-se de políticas ou práticas do próprio sistema de educação agindo como possíveis fatores de perpetuação ou acirramento das desigualdades raciais ao longo do tempo.
O debate dos especialistas sobre as evidências e os resultados ocorrerá em seminário presencial, na Ação Educativa, em 3 de setembro, quinta-feira, a partir das 9h30 (rua General Jardim, 660, São Paulo-SP).
Principais achados dos estudos, resumidos por etapa e política:
Educação Infantil, Fundamental e Médio: escolas majoritariamente com estudantes negros têm menos docentes com formação adequada, e o VAAR apresenta limites como mecanismo redistributivo para premiar reduções de desigualdade (Estudos: Raça e desigualdade de oportunidades educacionais no Brasil: evidências do Ensino Fundamental e Médio (Cedra); Desigualdades raciais na Primeira Infância (Afro-Cebrap); Desigualdades que a renda não apaga: raça/cor, gênero e território na conclusão do Ensino Médio no Brasil (2016-2025) (Cebrap);
Ensino Fundamental II: desigualdades raciais na aprendizagem do 5º e do 9º anos migraram para dentro das escolas, independentemente de quais cidades concentram mais estudantes negros e indígenas (Estudo: Desigualdades Raciais no Brasil: uma análise do Ensino Fundamental (Neri do Insper));
Educação de Jovens e Adultos (EJA): a presença majoritária de estudantes jovens e negros na EJA resulta de processos cumulativos de exclusão ao longo do percurso escolar (Estudo: Evasão e abandono dos jovens da Educação Básica e a perpetuação das desigualdades educacionais e sociais no Brasil: a interseccionalidade raça, gênero e classe (Ação Educativa));
Ensino Superior: a distribuição territorial de oferta de instituições públicas de ensino superior ainda é um obstáculo para o acesso de estudantes negros (Estudo: Desigualdades raciais na educação: a passagem do Ensino Médio ao Superior (Gemaa));
Política Nacional de Assistência Estudantil: A PNAES alcança a população vulnerável e racialmente marcada, mas ainda falta uma avaliação quantitativa nacional que comprove seu impacto e isole efeitos desta política de outros fatores socioeconômicos e institucionais (Estudo: Estado da arte das avaliações da Política Nacional de Assistência Estudantil – PNAES (Dara)).

Em todos os estudos da coalisão, baseados em dados oficiais, foram identificados fatores institucionais que são barreiras para a equidade (Foto: Agência Brasil)
As organizações envolvidas acreditam e defendem que produzir melhores dados e achados é condição fundamental para elaborar melhores políticas públicas. “O trabalho de instituições da sociedade civil nos fornece caminhos para ajudar a nortear a formulação de políticas públicas, o que é essencial para o Brasil neste momento. Pesquisas independentes como estas conseguem desagregar os dados de forma a ter um olhar específico para a questão racial, por exemplo. Estamos em período pré-eleitoral, de escolha de legisladores e de governantes que poderão alterar a realidade das desigualdades raciais na educação”, explica Maria Brant, diretora-presidente do Instituto Iandé.
Ainda que foquem em etapas educacionais e políticas diferentes, os estudos compartilham alguns pontos fundamentais, como os listados a seguir:
Entre as soluções para enfrentar as desigualdades raciais na educação brasileira, os estudos apontam: