NOTÍCIA
O Parceria pela Valorização da Educação, PVE, do Instituto Votorantim, já atuou em 197 municípios de pequeno e médio porte, em 23 estados, ao longo de 18 anos. Desde 2023, tem apoio do BNDES
O Instituto Votorantim, criado em 2002, trabalha a atuação social junto às empresas do Grupo Votorantim. É responsável por influenciá-las a adotarem as práticas de investimento social corporativo (ISC). Os projetos se voltam à educação, às cidades e comunidades sustentáveis e à inclusão produtiva. Outra frente também são as parcerias institucionais com organizações, como a realizada com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para o programa Parceria pela Valorização da Educação, o PVE.
Iniciado há 18 anos, o objetivo do PVE é contribuir para a melhoria da qualidade da educação municipal pública, atuando junto às secretarias municipais de educação. Desde sua criação, foram mais de 1,4 milhão de estudantes beneficiados em 197 municípios, de pequeno e médio porte, em 23 estados.
“Temos orgulho desse programa”, conta Fernanda Ferraz, diretora-presidente do Instituto Votorantim, ao mencionar que o PVE propicia a redução das desigualdades dentro dos municípios.
“Na realidade dos pequenos e médios municípios, temos a escola que está na centralidade, tem qualidade e nível de atenção. Nas escolas rurais, em lugares mais afastados, a criança e o adolescente não têm o mesmo acesso. Com o PVE, por meio da avaliação de impacto sabemos que por onde passamos aceleramos a redução dessa desigualdade dentro do município. Na prática, significa que as crianças têm uma educação equitativa”, detalha.
Anna Carolina Bruschetta, coordenadora de capital humano, conta que, há duas décadas, o Ministério da Educação (MEC) lançou uma campanha para levar a comunidade à escola. Quando criado, acompanhando a política pública, o PVE era voltado para a mobilização da sociedade em torno da escola. Mais recentemente, o programa passou a ter seu foco na gestão pública, a partir da percepção de que a relação entre gestão educacional e escolar era um ponto sensível em municípios de pequeno e médio porte. “Percebemos que não adianta trabalhar a mobilização e deixar frágeis as competências de gestão”, explica a coordenadora.
Por meio de sua metodologia, o PVE busca fortalecer as competências gestoras e a comunidade local e, dessa maneira, contribuir para a superação de desafios como defasagem da aprendizagem, desigualdade entre escolas do mesmo município, lacunas de gestão educacional e escolar e a baixa participação da comunidade.

Aprimorar a gestão educacional e escolar pode reduzir desigualdades no município (Foto: Shutterstock)
Anna conta que em muitos municípios os secretários e secretárias de educação têm baixo conhecimento de gestão. São indicados politicamente ou são docentes que não tiveram formação em gestão educacional. “Entramos desenvolvendo e formando secretários e secretárias.”
Uma das três frentes do projeto é a GEDU, gestão educacional. “Formamos o secretário e a equipe técnica da secretaria. Sabemos que o secretário pode sair, e para garantir a continuidade da política pública e das práticas, chamamos a equipe técnica. Com isso, chegamos em todas as escolas do município.”
São abordados conteúdos como o desenvolvimento de políticas, instrumentos e ferramentas de gestão e temas como gestão de recursos, transparência, comunicação. “Como o secretário se comunica com suas escolas? Como está o seu papel de liderança? Muitas vezes, o docente que se torna secretário não se vê como líder”, conta Anna.
Na outra ponta, a gestão escolar, frente chamada GESC, forma a dupla gestora – direção escolar e coordenação pedagógica –, de cada escola do município. “Se na gestão educacional o PVE trabalha a articulação das secretarias com as escolas, na gestão escolar trabalha o papel da diretoria na liderança com os docentes e o papel da coordenação pedagógica conversando com as famílias.”
O conteúdo do GEDU, então, é traduzido para as competências da gestão escolar. “Por exemplo, na gestão de recursos da secretaria de educação, eles precisam entender de VAAR, de como acessar os recursos do MEC e como prestar contas. Na escola, vou falar de PDDE, como acessar, como prestar contas, para não ficar com as contas bloqueadas. São as mesmas competências”, explica.
A terceira frente é a de mobilização da comunidade, chamada MOB no âmbito do programa, “a cerejinha do bolo”, diz Anna. Participam funcionários de unidades da Votorantim, muitos deles pais ou avós dos estudantes da escola, equipe técnica da secretaria e comunidade. “Formam-se grupos de mobilização. Isso, na pandemia, foi essencial para garantir que os conteúdos chegassem às comunidades, e continua sendo essencial; por exemplo, eles fazem carretas de busca ativa”, conta a coordenadora.
Em cada município, o PVE tem sua implantação ao longo de quatro anos, mas uma metodologia de continuidade, o PVE graduado, assegura mais quatro anos. “Temos, portanto, um ciclo de oito anos com os municípios e que atravessa gestões.”
Para Fernanda Ferraz, o longo prazo tem relação com um valor bastante presente no Grupo Votorantim, o capital paciente. “O modelo de investimento da Votorantim é de longo prazo. Isso se revela também no investimento social. Além do resultado, buscamos impacto, então o projeto precisa desse investimento de longo prazo, de quatro anos, pelo menos, para demonstrar de fato o impacto.”
A ação é norteada por plano de trabalho para cada ano, com a seleção das prioridades de competências. Anna detalha: “Fazemos antes um diagnóstico para ver se o que eles acham que é prioridade está de acordo com o diagnóstico. Trabalhamos nas formações – presencial e remota –, sendo que a maioria dos formadores é regional, para levar a cultura local. No final do ano, medimos de novo, com o mesmo questionário, e verificamos o quanto avançaram no conhecimento e na implementação das práticas, até que concluam o ciclo de quatro anos.”
Outra característica do PVE é a adaptabilidade. Fernanda Ferraz conta que os programas do Instituto, em geral, têm a matriz de competências. “Mas temos adaptabilidade, pois atendemos um país continental. As demandas de Cidreira, no Rio Grande do Sul, são diferentes das de Epitaciolândia, no Acre.”
Em 2025, o PVE alcançou 72 municípios de 18 estados, com impacto em mais de 233 mil estudantes em territórios onde há presença de empresas do portfólio Votorantim.
Em maio, nos dias 6 e 7, em Guarulhos, SP, aconteceu o Encontro Impacto Positivo Educação 2026, que reuniu gestores públicos, especialistas e representantes de 54 municípios brasileiros para debater os desafios da educação pública. Com apoio do BNDES e empresas Votorantim, o evento também sediou o Prêmio PVE ‘Inovar para transformar’, que reconhece boas práticas de redes municipais no âmbito do programa.
Ao todo, foram inscritos 61 projetos, em 35 municípios, nas categorias Gestão Educacional (19), Gestão Escolar (28) e Mobilização Social (14). A edição destacou temas como equidade, impactos climáticos, uso de dados e da tecnologia na aprendizagem, saúde mental, inclusão e educação ambiental.
Os municípios premiados foram Cidreira (RS), Simões (PI), Itapissuma (PE), Rosana (SP), Xambioá (TO), Jardim do Mulato (PI), Camaçari (BA) e Armação dos Búzios (RJ)