NOTÍCIA
Especialistas debatem os novos caminhos que as escolas terão de seguir e alertam para os investimentos exigidos com a implementação do Sistema Nacional de Educação
Criado como fórum para executivos financeiros do ensino superior do Brasil há 17 anos, com o nome de FinancIES, desde o ano passado esse grupo também atua na educação básica, através do FinanciEB, especializado para o público dos gestores financeiros de escolas de educação básica.
Eleita recentemente como presidente, Emília Pinheiro Miranda é pró-reitora administrativa do Centro Universitário Tabosa de Almeida (ASCES-UNITA), instituição de ensino superior privada, comunitária e filantrópica, em Caruaru (PE), que há 66 anos oferta mais de 20 cursos de graduação, 30 programas de pós-graduação lato-sensu, quatro programas de residências multi e uniprofissionais na área de saúde, além de convênios nacionais e internacionais.
Emília acentua que o objetivo do FinanciEB é ser um ambiente de atualização constante sobre as melhores práticas administrativo-financeiras para a educação básica, com vistas a manter a sustentabilidade e competitividade, em um mercado com contextos cada vez mais complexos. Emília vai usar sua experiência na administração do centro universitário, marcada por eficiência e resultados, em sua atuação à frente da presidência.
O II FinancIEB acontecerá nos dias 26 e 27 de agosto, na Fecap, no bairro da Liberdade, em São Paulo, e vai tratar dos impactos do Sistema Nacional de Educação (SNE) nas escolas de educação básica.

Emília Pinheiro Miranda preside o FinancIEB, evento que em agosto debaterá sobre as adequações exigidas pelo SNE (foto: divulgação)
Principalmente, os especialistas vão debater acerca da governança, do compliance dos processos e da necessidade de adequação de seus principais sistemas aos novos padrões exigidos. A gestão financeira passará a exigir maior eficiência e previsibilidade, o que impacta diretamente na forma de planejar custos e alocação de recursos para investimentos.
Segundo Emília, as escolas passam a ter de adequar-se, com seus sistemas de gestão, para disponibilizar dados de acordo com os padrões que serão estabelecidos pela INDE, a nova Infraestrutura Nacional de Dados da Educação, novo pilar de tecnologia para integração das informações educacionais no país.
As adequações
As exigências se aplicarão aos estabelecimentos de educação básica públicos, privados e comunitários. Emília alerta que é importante que as escolas possam acompanhar os prazos das implementações de todas as diretrizes do novo sistema, para garantir que seus registros eletrônicos estejam compatíveis com os padrões definidos pela estrutura nacional de dados, a INDE.
Um elemento-chave será que cada aluno possua o identificador nacional único do estudante – o INUE – para que seja possível acessar os dados escolares que serão exigidos do estudante, garantindo informações para análises mais detalhadas.
Além disto, o identificador permite a portabilidade dos dados, em caso de transferência do aluno para a rede pública e vice-versa, garantindo a continuidade do acompanhamento da sua trajetória escolar, independentemente das mudanças entre redes de ensino, destaca a presidente.
A gestão escolar precisará ter um foco ainda maior sobre a profissionalização de seus processos administrativos e de gestão: na qualificação da mão de obra docente e administrativa, na adequação de seus sistemas integrados de informações, ações que implicam em investimentos.
A pró-reitora Emília diz que é importante destacar também a observância em relação às adequações aos padrões nacionais de qualidade que serão a base da avaliação nacional da educação básica, que as escolas privadas passam a integrar.
A entrada das escolas particulares no Sistema Nacional de Educação exigirá investimento e empenho dos gestores administrativos financeiros. O novo cenário também amplia o debate sobre autonomia das instituições e tendência de centralização de decisões.
Contudo, a instituição do Sistema Nacional de Educação cria um arcabouço permanente para o acesso único e integrado às informações, que ao longo do tempo poderá contribuir para o melhor planejamento de políticas educacionais, bem como para o acompanhamento da trajetória dos estudantes, como a sua inserção nos demais sistemas de ensino e mercado de trabalho.