NOTÍCIA
Com a pausa na rotina escolar, crianças e adolescentes passam a ter mais tempo disponível. E a forma como esse tempo é vivido também importa
Só tirar o celular das mãos de uma criança é suficiente para que ela se desconecte?
A pergunta ganha importância em uma infância em que o digital já faz parte da rotina. Em 2025, 92% dos brasileiros de 9 a 17 anos eram usuários de Internet, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil, do Cetic.br/NIC.br/CGI.br. O dado ajuda a dimensionar o lugar que a tecnologia ocupa na vida dessa geração e mostra por que o desafio está não em eliminá-la da rotina e tratá-la como vilã, mas em garantir espaço para outras formas de brincar, conviver e descobrir o mundo.
Nas férias, essa discussão ganha uma dimensão especial. Com a pausa na rotina escolar, crianças e adolescentes passam a ter mais tempo disponível. E a forma como esse tempo é vivido também importa.
Tirar o celular pode abrir espaço. Mas é o que entra no lugar dele que faz a verdadeira diferença.
É nesse ponto que as Temporadas de Férias do NR se apresentam como uma experiência de convivência presencial. Com mais de 70 anos de atuação, o NR reúne crianças e adolescentes em uma programação organizada por faixa etária, com brincadeiras, esportes, atividades na natureza, atividades culturais, desafios em grupo e momentos de convivência. Nas temporadas temáticas, como NRB, NRV, NRFC e NR Broadway Camp, os interesses específicos de cada grupo também ganham espaço na vivência.

As férias são uma oportunidade rara de experimentar outros ritmos e perceber interesses que a correria da rotina nem sempre deixa aparecer (Foto: Divulgação)
Na prática, uma atividade esportiva coloca os participantes diante de regras, escolhas, cooperação e frustrações. Uma brincadeira em grupo exige negociação, escuta e respeito pelo outro. Explorar a natureza desperta curiosidade, atenção ao ambiente e disposição para experimentar. Até escolhas aparentemente simples, como decidir uma atividade, organizar os próprios pertences ou resolver uma situação cotidiana sem a presença constante dos pais, podem se tornar experiências importantes de autonomia.
O brincar ocupa um papel central nesse processo. É brincando que a criança testa possibilidades, cria estratégias, experimenta papéis e aprende a conviver. Quando isso acontece ao ar livre, o corpo, a percepção e a relação com o ambiente entram de vez na experiência. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca, em seus materiais de orientação, a importância do brincar, do lazer ao ar livre e do contato com a natureza para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
A convivência multiplica essas oportunidades. Durante uma temporada, a criança encontra pessoas fora de sua bolha habitual e precisa se adaptar a uma nova dinâmica. Descobre amizades inesperadas, aprende a lidar com uma divergência durante um jogo ou percebe que consegue fazer algo que nunca havia tentado.
Para que essa presença aconteça de forma genuína, nas temporadas do NR o celular não faz parte da rotina. Quando levado, o aparelho é recolhido na chegada e devolvido no embarque de retorno. Assim, a experiência acontece sem a mediação constante da tela, favorecendo a participação nas atividades, nas conversas e nas relações.
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Isso não significa, porém, preencher cada minuto do dia. Também há valor nos momentos entre as atividades. Conversar durante uma refeição, um olhar curioso para o que acontece ao redor, descansar entre uma atividade e outra ou simplesmente descobrir uma nova maneira de passar o tempo. As férias são uma oportunidade rara de experimentar outros ritmos e perceber interesses que a correria da rotina nem sempre deixa aparecer.
Reconectar, nesse contexto, não significa voltar a um mundo sem tecnologia. Significa criar espaço para estar inteiro em uma experiência: olhar para quem está ao lado, prestar atenção ao agora, participar, movimentar-se e fazer escolhas.
É essa combinação que faz das férias um período tão rico. Quando há espaço autêntico para brincar, conviver, explorar e descobrir, o tempo livre deixa de ser apenas uma pausa no calendário escolar. Ele passa a fazer parte da própria experiência de crescer.
Afinal, a educação não para nas férias. Ela apenas muda de lugar.