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Quando ouvir docentes faz toda diferença

Secretária da rede municipal de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, destaca a importância de acompanhar a evolução dos alunos e valorizar docentes para melhorar a aprendizagem

Um município jovem do Mato Grosso, com apenas 38 anos de existência, mas que vivencia um aumento populacional de forma expressiva — atualmente, já são mais de 99 mil habitantes —, vem se destacando quando o assunto é educação e formação dos docentes. No Ranking de Competitividade de Municípios 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), considerando o MT, Lucas do Rio Verde lidera no pilar qualidade da educação. Na edição deste ano, o estudo analisou 423 municípios com mais de 80 mil habitantes.

Elaine Benetti, secretária de Educação do município localizado a cerca de 330 km de Cuiabá, destaca dois fatores importantes para o progresso dessa área: constância nas ações (como a formação docente) e avaliações que permitam acompanhar os resultados dos alunos, o que viabiliza a identificação de possíveis fragilidades pedagógicas e a realização de reajustes de rota sempre que necessário.

Em Lucas do Rio Verde, além das avaliações de larga escala como o Saeb e da estadual Avalia MT, há também uma prova local, que já existe há mais de uma década. São três aplicações por ano (no início, meio e fim do período letivo, chamadas de diagnóstica, processual e somativa, respectivamente) que contemplam as áreas de português e matemática.

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Dos municípios do MT, Lucas do Rio Verde lidera em qualidade da educação, segundo estudo (Foto: ASCOM prefeitura de Lucas do Rio Verde)

A avaliação utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia que permite identificar ‘chutes’ em questões e oferece, segundo especialistas, um panorama mais fiel do desempenho do aluno. O sistema também é aplicado em exames como o Enem e o Saeb.

De acordo com Elaine, o instrumento permite avaliar quais habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) o estudante assimilou ou não e, a partir disso, adotar ações para melhorar o que for necessário. “Na Secretaria de Educação, temos uma equipe de formação continuada. Chamamos os professores e eles vêm no período do horário de trabalho (na hora-atividade) e recebem capacitações para melhorar os resultados”, conta a secretária.

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Elaine Benetti, secretária de Educação, defende avaliação local da aprendizagem para o monitoramento dos resultados ser constante (Foto: Arquivo pessoal)

Para ela, é importante haver uma avaliação local para que o monitoramento dos resultados educacionais seja constante e as ações mais ágeis. A secretária destaca que, no caso das avaliações externas, o resultado pode chegar até seis meses depois. Já com a avaliação municipal, os dados podem ser acessados com mais rapidez. No caso de Lucas do Rio Verde, a partir desses números, a equipe pedagógica da secretaria vai até a escola, dialoga com a equipe gestora e monta um plano de ação para a recuperação das turmas que necessitem.

 

Leia: Inovação que honra as raízes: escola resgata autoridade docente

 

Educação infantil e alfabetização

A rede municipal de Lucas do Rio Verde conta com 13.868 alunos e possui escolas que atendem até os anos finais do ensino fundamental. A avaliação é aplicada em todos os segmentos, tendo início ainda na educação infantil. 

“Nossos alunos do infantil cinco também fazem prova no final do ano. Não para saber se vão ser aprovados ou reprovados, mas para sabermos como estão saindo da pré-escola. Se houver alunos com muita dificuldade ainda dos conhecimentos básicos para uma alfabetização, a gente melhora para o ano seguinte”, explica Elaine. 

Desta forma, é possível aprimorar encaminhamentos pedagógicos para a turma seguinte. Em relação à alfabetização, Lucas do Rio Verde conta com 80% dos alunos alfabetizados ao final do 2º ano do ensino fundamental e detém o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), concedido pelo Ministério da Educação (MEC). 

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A rede municipal conta com 13.868 alunos (Foto: ASCOM prefeitura de Lucas do Rio Verde)

Segundo Elaine Benetti, o objetivo é seguir avançando e chegar pelo menos a 95% ou 96%. Além disso, no fim de agosto deste ano, o município também instituiu, via decreto, uma política local de alfabetização. A legislação prevê, por exemplo, formação continuada para os professores, voltada para a alfabetização e o letramento; capacitação para equipes gestoras; seleção, aquisição e distribuição de acervos literários e recursos didático-pedagógicos para o fortalecimento da alfabetização; e aplicação de instrumentos de acompanhamento pedagógico, incluindo testes de fluência leitora.

Troca e escuta

De acordo com a secretária, o município busca potencializar as ‘pratas da casa’, ou seja, investir na formação docente. E isso não significa promover cursos faraônicos. “Temos muita oficina, escuta do professor. Acolhemos o docente para ver onde ele está tendo dificuldade”, conta. “Temos muito professor bom na rede, que tem muito conhecimento. Então a gente faz grupo de estudo para que esse professor ensine o outro professor. Acho que é importante. Eles gostam porque é entre eles, colegas.”

 

Leia: Cidade faz a lição de casa

 

Elaine Benetti destaca que ao implementar políticas educacionais, deve-se ouvir os profissionais que atuam na escola. “O que percebi nessa experiência como secretária é que, quando há um projeto, uma tomada de decisão que envolve recurso público, e o desejo vem da escola, os projetos permanecem. Quando se faz um projeto que é sonho de gestão apenas, ou seja, é um desejo do prefeito ou da secretária, esse projeto não vai para a frente”, resume.

 

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