NOTÍCIA
No Colégio Zuleide Constantino, os princípios básicos de convivência são apostas para humanizar o ensino
É possível se reinventar constantemente e de maneira sólida? Em Pernambuco, o Colégio Zuleide Constantino prova que sim, contrariando a ideia de que o modelo de escola tradicional ‘parou no tempo’. Fundada há mais de 40 anos, a instituição particular baseia–se nas necessidades atuais e nas diretrizes oficiais de ensino. Assim, insere em sua rotina robótica, competências socioemocionais, aulões e olimpíadas de conhecimento, buscando sempre forte aprovação nos vestibulares.
Localizada em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife, a instituição atende da educação infantil ao ensino médio, totalizando cerca de 1.300 alunos.
Para Maely Almeida Pinheiro, coordenadora do 9º ano e 1º ano do ensino médio, a constante atualização exige, em contrapartida, cuidado com o que ficou para trás, não se esquecendo da evolução contínua da educação e dos próprios jovens. Ela defende que é preciso resgatar a figura do docente e as bases da convivência humana no ambiente escolar. “Trabalho a educação a partir do respeito. Nesse processo, preciso sempre lembrar que o professor é uma autoridade e que o ‘por favor’ e o ‘com licença’ são fundamentais. São pequenos aspectos que precisam ser resgatados.” Maely atua como educadora há 17 anos, com experiência nas redes pública e particular. “Venho de uma família de educadores, na qual o estudo era o que me levava além.”

“Trabalho a educação a partir do respeito”, destaca a coordenadora Maely Almeida Pinheiro (Foto: Arquivo pessoal)
A escola, por meio da coordenação pedagógica, busca desenvolver um trabalho participativo, pautado no diálogo, no alinhamento conjunto e no respeito às especificidades de cada segmento, considerando as diferentes demandas que vão da educação infantil ao ensino médio. Nesse contexto, a coordenação busca promover uma atuação integrada, garantindo que cada necessidade seja compreendida e conduzida de acordo com as particularidades de cada etapa da educação.
Dessa forma, no acompanhamento dos alunos do 9º ano ao 3º ano do ensino médio, Maely e o coordenador Caio Thomas dividem, de maneira conjunta e participativa, as demandas diárias, buscando o alinhamento nas decisões, nas ações pedagógicas e no acompanhamento dos estudantes. Sendo Maely coordenadora responsável pelas turmas do 9º e 1º médio e Caio do 2º e 3º médio. “Essa organização fortalece o trabalho em equipe e garante uma atuação mais integrada, colaborativa e coerente com as necessidades dos alunos e com os objetivos da instituição”, analisa Maely.
No Colégio Zuleide Constantino, a robótica e o pensamento computacional integram práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento científico, tecnológico e criativo dos estudantes. Nesse contexto, alunos a partir do 9º ano, sob a orientação do professor Alexandre Nunes, de matemática, participam da Ciência Jovem, importante iniciativa de educação científica em Pernambuco. “Nossa participação já resultou em conquistas expressivas, incluindo prêmio de campeão em 2023,” orgulha-se Maely.
Mais do que a construção de protótipos, essas experiências têm como objetivo desenvolver a capacidade dos estudantes de relacionar o conhecimento escolar às situações e aos desafios do mundo contemporâneo. “Enquanto educadores, visualizamos os pós, nunca o interno. O nosso objetivo é sempre externo; que o aluno vislumbre aquilo que está fora, aquilo que quer buscar.”
A aprendizagem por meio de experiências práticas também se destaca na Expo CZC, realizada anualmente no colégio. O evento cultural e científico vai além do modelo tradicional de feira escolar, propondo uma experiência imersiva na qual os estudantes participam ativamente da concepção e da transformação dos espaços de aprendizagem. Em uma das edições, por exemplo, um projeto sobre longevidade e alimentação em diferentes regiões do mundo transformou as salas de aula em ambientes temáticos. Isso permitiu que estudantes representassem aspectos culturais e modos de vida de diferentes povos, como os asiáticos, e proporcionou ao público experiências de imersão no conteúdo estudado.

Na foto, equipe pedagógica e gestora do colégio fundado há mais de 40 anos (Foto: Arquivo pessoal)
Embora o professor seja responsável pela orientação pedagógica e pela definição das diretrizes desse projeto, a construção e a execução das propostas contam com a participação efetiva dos estudantes. Esse protagonismo se evidencia desde a pesquisa e a organização dos conteúdos até a elaboração dos cenários, apresentações, produções artísticas e demais atividades que compõem o evento.
Para Maely Almeida Pinheiro, o ganho de conhecimento acadêmico é apenas um aspecto. Muito além disso, o grande valor pedagógico e socioemocional da Expo CZC reside em sua capacidade de revelar talentos ocultos e dar voz a alunos introspectivos por meio de apresentações teatrais e artísticas. Assim, o Colégio Zuleide Constantino utiliza a feira como um espaço de acolhimento e autodescoberta, consolidando memórias que os estudantes levam para a vida adulta.