Realizado pela Ação Educativa, projeto Afluentes selecionará 35 agentes culturais das periferias paulistas para ciclo que articula cultura, educação popular e enfrentamento aos desafios climáticos
O Afluentes, projeto realizado pela Ação Educativa que mobiliza jovens de diferentes territórios periféricos na busca de soluções para os desafios climáticos e socioambientais, abre inscrições para o Ciclo Formativo Cultura e Justiça Socioambiental.
Gratuita, a formação é voltada a agentes culturais inseridos em processos organizativos nas periferias do estado de São Paulo e será realizada entre 23 de setembro e 7 de dezembro de 2026, em formato híbrido, com encontros virtuais, atividades presenciais e ações desenvolvidas nos próprios territórios. Ao todo, serão oferecidas 35 vagas. As inscrições estão abertas até 14 de setembro.
Iniciada em 2024, a iniciativa parte do entendimento de que os impactos das questões socioambientais atingem de maneira especialmente intensa comunidades negras, pobres e vulnerabilizadas. Diante desse cenário, o ciclo busca aproximar a discussão sobre justiça socioambiental da atuação de coletivos e organizações comunitárias, reconhecendo a arte e a cultura como ferramentas para estimular diálogos, reflexões e ações coletivas nos territórios.
“A emergência climática já faz parte da realidade das periferias e é fundamental que as respostas a esses desafios também sejam construídas a partir dos territórios. O Afluentes parte desse reconhecimento e aposta na cultura, na educação popular e nos conhecimentos produzidos pelas próprias comunidades como caminhos para ampliar o debate sobre justiça socioambiental e fortalecer a capacidade de mobilização e incidência de quem já atua nesses espaços”, afirma Juliane Cintra, coordenadora institucional de projetos na ONG Ação Educativa.

Podem participar do Afluentes agentes culturais envolvidos em ações nos territórios periféricos do estado de São Paulo, incluindo integrantes e produtores de coletivos culturais que atuam em espaços como cursinhos populares, bibliotecas comunitárias, saraus, slams e grupos de teatro, entre outras iniciativas (Foto: Divulgação)
A formação pretende oferecer um espaço de reflexão teórica e prática sobre a questão socioambiental e fornecer ferramentas para que agentes culturais e educadores populares possam trabalhar o tema por meio da arte, da cultura e da educação popular. A proposta também busca contribuir para a disputa de narrativas e para a circulação de conhecimentos sobre questões socioambientais e racismo ambiental, conectando os conteúdos discutidos durante o curso à experimentação estética nas comunidades.
Podem participar agentes culturais envolvidos em processos organizativos em territórios periféricos do estado de São Paulo, incluindo integrantes e produtores de coletivos culturais que atuam em espaços como cursinhos populares, bibliotecas comunitárias, saraus, slams e grupos de teatro, entre outras iniciativas. Para a seleção, os candidatos deverão apresentar no formulário informações sobre sua atuação na área da cultura.
O ciclo combina encontros virtuais e presenciais com uma etapa de atuação direta nas comunidades. A abertura será realizada presencialmente em 23 de setembro, das 18h às 21h, na sede da Ação Educativa, em São Paulo, durante a Semana de Formação em Direitos Humanos e Educação Popular da organização. Os encontros online ocorrerão às quintas-feiras, das 19h às 21h, nos dias 1º, 8, 15, 22 e 29 de outubro; 5, 12 e 28 de novembro; e 3 de dezembro. Também estão previstas atividades presenciais nos dias 28 de novembro e 7 de dezembro, com horário e local definidos posteriormente junto à turma.
Ao longo da formação, serão discutidos temas como racismo socioambiental e território; cultura como linguagem de disputa; emergência climática e memória territorial; curadoria coletiva; justiça socioambiental, direito à cidade e reparação; produção, circulação e formação de público; e experiências de atuação nos territórios. Os encontros virtuais contarão com a equipe de formadores da Ação Educativa e convidados.
Outro componente da formação é o “Tempo Comunidade”, voltado à aplicação prática das discussões realizadas durante os encontros. Nessa etapa, os participantes desenvolvem atividades, pesquisas e intervenções diretamente em suas comunidades de origem ou de atuação, aproximando os conhecimentos produzidos nos territórios das reflexões teóricas trabalhadas no curso. Entre uma etapa virtual e outra, a turma também será estimulada a organizar ações de incidência em seus territórios.
“Queremos que a formação tenha uma conexão concreta com o cotidiano de quem participa. A proposta não é apenas discutir os desafios socioambientais, mas criar condições para que cada agente possa relacionar esses debates às experiências do seu território e pensar como a cultura pode contribuir para produzir outras narrativas, mobilizar pessoas e construir respostas coletivas”, destaca Cintra.
A dedicação prevista é de aproximadamente quatro horas semanais: duas horas destinadas às aulas online, realizadas às quintas-feiras, das 19h às 21h, e outras duas horas flexíveis para atividades complementares virtuais e nos territórios. A participação em todas as etapas do ciclo é obrigatória. A Ação Educativa não arcará com despesas de deslocamento ou conexão com a internet.
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Afluentes: Ciclo Formativo Cultura e Justiça Social