NOTÍCIA
Pesquisadora reforça o papel da escola na formação humana e no desenvolvimento de responsabilidade e cuidado com o planeta
Em um cenário marcado por eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e pressões sociais cada vez mais complexas, a escola assume papel central na formação de cidadãos capazes de compreender e enfrentar os desafios ambientais do nosso tempo.
A ecopedagogia, abordagem educacional que busca uma relação mais profunda entre o ser humano e o meio ambiente, e a ecoformação apontam caminhos para repensar a relação da sala de aula com temas complexos como a crise climática e suas consequências para o meio ambiente.
Essas perspectivas defendem que os processos educativos precisam integrar ciência, cultura, território e responsabilidade socioambiental, promovendo experiências que conectem os sujeitos entre si e ao planeta.

“A ecopedagogia amplia o papel da escola ao reconhecer que educar não é apenas transmitir conteúdo, mas desenvolver consciência, responsabilidade e pertencimento ao planeta” (Foto: Shutterstock)
A seguir, cinco práticas que podem apoiar a implementação da ecopedagogia na educação básica.
Relacionar temas curriculares ao entorno imediato torna o aprendizado mais significativo. Observações de campo, análise de problemas ambientais locais ou investigações sobre o uso dos espaços públicos aproximam o estudante da realidade e fortalecem a compreensão da interdependência entre comunidade e natureza.
A crise climática não pode ser compreendida de forma isolada. Projetos que integram diferentes componentes curriculares, como Ciências, Geografia, Língua Portuguesa, Artes e Tecnologia, ampliam o olhar sobre a complexidade do mundo e contribuem para uma ecologia da aprendizagem.
A ecopedagogia valoriza a escuta, a reflexão conjunta e o respeito à diversidade. Debates, rodas de conversa e análise crítica de notícias ajudam os estudantes a desenvolver pensamento crítico, empatia e capacidade de enfrentar incertezas – aspectos essenciais em ambientes de transformação contínua.
Hortas escolares, trilhas ecológicas, atividades de mapeamento do bairro ou ações comunitárias conectam estudantes ao ambiente e reforçam o compromisso ético com a vida. Essas vivências ampliam a ecoformação ao integrar conhecimento, sensibilidade e ação prática.
Plataformas e coleções formativas ampliam o acesso dos professores a conteúdos inovadores. A coleção Fronteiras que Conectam, desenvolvida pela PUCPRESS em parceria com a FTD Educação, por exemplo, é um material gratuito e disponível para professores de todo Brasil. A coleção integra ciência, meio ambiente, cultura e cidadania, estimulando práticas pedagógicas alinhadas à sustentabilidade. Os materiais estão disponíveis no site:
Para Isabelle Porteles, pesquisadora e coautora do artigo acadêmico ‘Ecoformação e Ecopedagogia: um olhar sistêmico para a transformação na Formação Continuada de professores da Educação Básica’, a ecopedagogia representa mais do que uma tendência educacional: é uma exigência ética diante da crise socioambiental.
“A ecopedagogia amplia o papel da escola ao reconhecer que educar não é apenas transmitir conteúdo, mas desenvolver consciência, responsabilidade e pertencimento ao planeta. Quando professores e estudantes compreendem que suas ações estão profundamente conectadas à vida em todas as suas formas, criam-se as bases para uma educação que fortalece vínculos, desperta sensibilidade e impulsiona transformações reais. Cuidar do planeta começa pela forma como cuidamos da formação humana”, destaca Isabelle Porteles, gerente de desenvolvimento educacional da FTD Educação.
O artigo acadêmico ‘Ecoformação e Ecopedagogia: um olhar sistêmico para a transformação na Formação Continuada de professores da Educação Básica’ analisa como abordagens integradoras podem fortalecer a formação docente e contribuir para práticas pedagógicas mais críticas, éticas e comprometidas com a sustentabilidade da vida.
O texto, de autoria coletiva, é assinado por Isabelle Porteles, que é graduada em Letras e mestranda em Educação pela PUCPR; por Cátia dos Santos Xavier (pedagoga, mestranda em Educação pela PUCPR e coordenadora educacional da FTD Educação); por Daniele Saheb Pedroso (professora, pedagoga e mestre em Educação pela UFPR); e Raquel Kowalski (designer e professora com mestrado, doutorado e pós-doutorado em Educação pela PUCPR).