Repertório sociocultural e disciplina: dicas de alunas nota máxima na redação do Enem

Não basta o estudante escrever bem e ter disciplina. É necessário entender o mundo, ter um repertório sociocultural

Uma das principais preocupações entre os estudantes que prestam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a redação. Com um tema cercado de especulações a cada ano, e uma estrutura que diverge dos textos de outros vestibulares, a redação possui um grande peso na nota do exame. Cássia Caroline Aguiar da Ponte, de 18 anos, e Emily Moraes de Oliveira, de 19 anos, estudantes que obtiveram nota máxima na última edição, acreditam que prática e disciplina nos estudos são alguns fatores essenciais para chegar ao resultado.

Para Emily, aluna do Colégio Sesc São José, em Curitiba, a nota foi resultado de um trabalho conjunto: “Meus professores no colégio, a dedicação e a organização nos estudos”, frisa. A curitibana revela que, em 2019, quando prestou o vestibular pela primeira vez, a nota obtida não foi satisfatória.

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“Na época eu tirei 580, um resultado que não foi muito agradável. Então eu comecei a me preparar mais. Durante a semana, havia um dia específico em que eu estudava só os conteúdos, as atualidades e via bastante notícias. Eu tinha um caderno onde eu separava as notícias mais relevantes que eu poderia colocar no texto. Montava um repertório e organizava as ideias só para eu estar por dentro do assunto”, conta.

Além de procurar se manter atualizada, Emily se organizou para desenvolver duas redações por semana, método ressaltado por sua professora de produção de textos, Luana Gabriela da Silva. “Esse comportamento é uma coisa muito rara. Vemos que, de modo geral, quem quer se dedicar bastante faz uma por semana, a Emily deu um passo além”, afirma.

A docente argumenta que o texto do Enem possui uma estrutura que o difere de outros vestibulares e concursos públicos. “É uma estrutura com critérios de correção muito específicos. Dentro desses critérios tem uma coisinha chamada repertório sociocultural. Às vezes, o aluno pode saber escrever muito bem, ter um bom vocabulário e uma construção de frases perfeita, mas, se ele não tem repertório sociocultural, não será um texto nota mil”, enfatiza. 

Como formas de desenvolver um repertório sociocultural, Luana aponta para o uso da internet de maneira que favoreça os estudantes. “Sempre falo na primeira aula para eles seguirem páginas no Instagram e no Twitter de veículos de comunicação sérios que não publicarão fake news. Trabalho com eles filmes e programas de televisão disponíveis no YouTube. Trago clipes para que interpretem e relacionem à atualidade”, esclarece. “Eles têm nas mãos uma infinidade de possibilidades para aumentar o repertório sociocultural e o que eles precisam é ser orientados em relação a isso.”

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O YouTube foi uma das ferramentas encontradas por Cássia Caroline Aguiar da Ponte, estudante do Colégio Master, em Fortaleza, para desenvolver os seus textos. “Acompanhava vídeos de muitos canais voltados para redação”, diz. Cássia conta que sempre gostou de ler e aponta o hábito como um dos elementos que contribuíram para a nota máxima. “Li muito durante o fundamental, uma amiga me emprestava os livros que ela tinha gostado e ia me incentivando. No ensino médio, por conta da correria, eu tive que parar de ler. Mas quando cheguei para fazer a redação, eu senti que isso havia me ajudado na parte de ortografia e na gramática”, salienta.

A estudante, que passou em medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca a importância de estudar outras redações nota mil. “Comecei a entender direitinho como era a estrutura porque, se você observar, elas são bem parecidas. Eu captei esse padrão para usar na minha redação e já tinha uma noção de como os corretores analisariam”, comenta.

O método também é indicado pela professora Luana. De acordo com a profissional, a análise dos textos auxiliam o aluno a compreender o que há em comum nas redações mais bem avaliadas. “Ele precisa conhecer muito bem a estrutura através da análise do texto nota mil, treinar essa estrutura e construir um estilo de texto dele”, aponta. “[Assim, o estudante] vai replicando aquele estilo enquanto estuda os vários temas da atualidade. A prática é o que leva à perfeição”, reforça a docente.

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