Saiba o que as escolas públicas de ensino médio com bons resultados têm em comum

Pesquisa com alunos de baixo nível socioeconômico de cem escolas públicas com bom desempenho se torna ferramenta de inspiração para o setor educacional
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A série de estudos sobre educação Excelência com equidade é fruto de uma parceria entre o instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Fundação Lemann, Instituto Unibanco e Itaú BBA. O relatório da terceira etapa do programa, Excelência com equidade no ensino médio: a dificuldade das redes de ensino para dar um suporte efetivo às escolas, coordenada pelo economista, gestor e educador Ernesto Martins Faria, publicado no fim de 2019 revela as práticas e estratégias de escolas públicas do ensino médio com bons resultados frequentadas por alunos de baixo nível socioeconômico.

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Foram selecionadas unidades com bons resultados na Prova Brasil e no Enem 2017 com taxa mínima de aprovação de 95%. Infelizmente, não são muitas. Das 5.042 escolas públicas de ensino médio incluídas no universo da pesquisa em função do nível socioeconômico de seus alunos, apenas cem tinham os indicadores de qualidade definidos pelo estudo. E 82 delas são de tempo integral.

Os estados com o maior número de escolas dentro dos critérios da pesquisa são Ceará (55), Espírito Santo (14), Goiás (7) e Pernambuco (7). Em cada um deles foram visitadas duas escolas da amostra de bom desempenho e mais uma com índices na média, para comparação. Conheça os principais pontos positivos em comum entre as cem escolas envolvidas no estudo:

escolas públicas

Foto: reprodução pesquisa Excelência com equidade

Em que elas podem servir de inspiração

Decisões tomadas com base em evidências quantitativas e qualitativas;

Esforço concentrado no uso de dados e no monitoramento contínuo do processo de aprendizagem, com uso de sistemas integrados de gestão educacional;

Currículo efetivamente diversificado, que inclui o aluno conferindo autonomia para que ele escolha seu caminho na formação;

Trabalho de parceria entre alunos e professores, com escuta ativa e exercício da hierarquia com respeito, mas sem tabus;

Relacionamento e interlocução com os agentes ligados à escola: pais, famílias, comunidade e secretaria de educação;

Estratégias pedagógicas que dialoguem com a rotina dos alunos e contemplem necessidades distintas de aprendizagem. Na maioria dos casos, essas condutas incluem a combinação de métodos de fixação (exercícios e simulados) com outros capazes de estimular a criatividade e o protagonismo do aluno (esportes, feira de ciências, tutoria ou mentoring entre alunos e aulas eletivas criadas por eles).

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Desafios para replicar os fatores em massa nas redes

A maioria suprema das escolas com as melhores performances (82% no caso do estudo) em aprendizagem e fluxo escolar no ensino médio funciona em período integral, com no mínimo sete horas de carga horária diária. Unidades em turno único teriam considerável limitação de tempo para tentar atingir os mesmos resultados;

Em grande parte das cem escolas da amostra, os professores davam aula em apenas uma unidade e as médias de alunos por educador são consideravelmente menores do que a geral;

Existe o desafio do financiamento da implementação e gestão dessas iniciativas, pois os modelos adotados nessas escolas têm custo por aluno mais alto do que a média;

A continuidade de ações e a manutenção do corpo docente, dois pontos difíceis de conquistar, sobretudo em escolas de regiões pobres, marcadas por pedidos de transferência de professores, são eixos comuns fundamentais na viabilização de avanços nas escolas regulares e integrais envolvidas no estudo.

O que as secretarias devem fazer para melhorar o suporte

Tornar o acompanhamento pedagógico mais eficiente e frequente. Atualmente, ele é bem menos efetivo no médio do que no fundamental;

Lutar pela criação de condições políticas e financeiras que permitam o aprimoramento do financiamento do período;

Formar professores com maior qualidade para todas as áreas de ensino, dando a eles melhores condições de trabalho, quantidade menor de alunos e de escolas para trabalhar e salários melhores.

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Fatores associados às escolas e redes mais eficientes

Bom ambiente escolar;

Currículo como norte das ações pedagógicas;

Programas de formação continuada de professores com ação da escola;

Avaliações para indicar intervenções pedagógicas.

Ações garantidas pelo financiamento da unidade escolar, gerando tranquilidade*Conheça a íntegra do estudo em https://www.portaliede.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Excelencia_com_Equidade_Ensino_Medio_WEB.pdf     

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