Volta por cima no reino do gelo

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Baseado em um livro de Hans Christian Andersen, Frozen conta a história de uma princesa que transforma em gelo tudo que toca

Uma das principais batalhas da indústria do entretenimento no século 21 envolve a animação, com seu enorme potencial para agradar a crianças e também a adultos. Prova disso, em números que os estúdios norte-americanos de cinema adoram contemplar, é a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria global superada por Frozen (EUA, 2013, 102 min.), que saiu da cerimônia do Oscar, em março, com os prêmios de melhor longa de animação e de canção original (o sucesso internacional Let It Go). Desempenho muito superior, por exemplo, ao do badalado drama adulto Trapaça, que ficou sem nenhuma estatueta (e que arrecadou, em todo o mundo, “apenas” US$ 250 milhões).
O sucesso de Frozen representou uma festejada volta por cima para a área de animação do império Disney, que havia sido ameaçada de esvaziamento (e até mesmo de fechamento) desde a incorporação da produtora Pixar ao gigante do entretenimento fundado por Walt Disney (1901-1966). Talvez não por acaso, a matéria-prima veio da literatura clássica, a exemplo de outros grandes êxitos do estúdio: o livro A Rainha da Neve, do dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), publicada pela primeira vez em 1845. A história original trata de uma maldição: tudo em que uma princesa toca vira gelo, e esse poder duvidoso atira o mundo todo em um inverno aparentemente sem fim.
Como se poderia supor para uma produção Disney, Frozen adapta esse ponto de partida em chave mais leve, musical e bem-humorada. O filme conta a história de duas irmãs, herdeiras do trono de Arendelle. Elsa, a mais velha, é a que congela tudo o que toca. Infeliz com o que provoca, mas sem poder controlar o próprio dom, ela decide fugir. Anna, a caçula, vai atrás de Elsa, com a dupla missão – durante a qual recebe diversas ajudas, entre as quais a de um homem da montanha e sua rena – de salvar o reino e também a irmã. Para as crianças menores, principalmente as meninas, é um drama romântico encantador. Para os mais velhos, outro exemplo de animação que pode oferecer recompensas superiores ao de boa parte dos dramas convencionais com atores.