"Mesmo aposentada, ainda tenho seis classes. Não posso nem pensar no meu último dia em sala que eu choro. É uma emoção só!"

Gustavo Morita
Solange Abate, professora há 36 anos

Eu nasci querendo ser professora. Quando era bem pequenina, com três aninhos, eu já queria lousinha para brincar. Foi realmente vocação. A minha irmã, dois anos mais velha que eu, já estudava no Colégio Joana D’Arc, onde eu também estudei e lecionei a vida inteira, até hoje. Com cinco anos eu chorava porque queria ir à escola e acabei entrando para a alfabetização. Era sempre a primeira da classe.

Sempre tive interesse pela linguagem. Meu avô ia me ensinando as letras na borda do jornal e eu perguntava para minha mãe os significados das palavras. Me formei em Letras (Português e Francês). Meus professores de português na escola foram ótimos! Até hoje me lembro do que eles falavam nas aulas. Antes de dar aula, eu trabalhei em uma firma de cosméticos como secretária. Não era o que eu queria. Com 21 anos fui dar aula no Joana.

Minha pós-graduação é a sala de aula. Fui me atualizando sozinha. Também gosto de trocar ideia com os professores mais novos.  É importante ter humildade para se integrar ao novo.  Atualmente, com a internet e a rapidez das informações, se você não se atualizar acaba ficando para trás. Os alunos de hoje têm tudo pronto, por isso suscitar o interesse dos jovens é um desafio. Eu ainda acho que os alunos têm que ler e escrever. A criança tem que fazer cópia, ditado, caligrafia. Eu gosto de unir o tradicional ao moderno.

Sou professora há 36 anos e ainda tenho seis turmas. Além disso, sou a coordenadora de Língua Portuguesa da escola. O trabalho enobrece os homens. Você não tem tempo para colocar besteira na cabeça. Mesmo aposentada, não pretendo parar. Nunca fiquei desempregada! Estou deixando as salas de aula aos poucos, mas não posso nem pensar em como será meu último de em sala que eu choro. É uma emoção só! Tantos anos… Eu acho que isso é uma missão mesmo. Eu vim com essa missão e, modestamente, acho que a cumpri, e ainda cumpro, muito bem.

É gratificante ver o progresso do aluno. Alguns dizem que é um orgulho besta. Não é não. É satisfação, êxito profissional. Estamos dando aula para isso. Mas para mim, o melhor é o reconhecimento dos alunos. Esse reconhecimento pode ser diário ou não. Alguns demoram um pouco.

Todos têm que ser felizes com o que fazem. Apesar das agruras, você lida todos os dias com pessoas, etnias, educações, culturas diferentes. O professor acaba sendo um pouquinho de tudo: pai, filósofo, psicólogo. Com o tempo você vai aprendendo a lidar com o semelhante. A experiência e a boa vontade são muito importantes.

Solange Abate, professora de Língua Portuguesa no Colégio Joana D’Arc

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