NOTÍCIA
Não há aprendizagem integral sem considerar o estado emocional de quem aprende
A neurociência comprova que emoção e cognição estão tão conectadas em nível neurofuncional que, quando uma não funciona adequadamente, a outra é afetada. Isso tem implicações diretas para o processo de aprendizagem: não há aprendizagem integral sem considerar o estado emocional de quem aprende, seja criança, adolescente ou adulto. Em um mundo permeado por tecnologia e inteligência artificial, as habilidades humanas determinam o futuro que estamos criando, e o poder das relações é o que vai definir a qualidade do nosso bem-estar. Por isso, a saúde mental passou a ocupar espaço nas reuniões de gestão: os sofrimentos emocionais de crianças, adolescentes, professores e colaboradores trazem preocupação e exigem atenção urgente.
No caso dos adultos, quando o trabalho deixa de ser espaço de realização e se transforma em território de adoecimento, emerge a síndrome de burnout. Isso não significa que seja consequência de “trabalhar demais”, mas sim de condições adversas que se traduzem em ansiedade, depressão, insônia, dores físicas, queda de imunidade e uso abusivo de substâncias.
Demos um passo importante no sentido de conduzir as instituições a ambientes mais seguros. A nova versão da NR-1 reconhece oficialmente os chamados riscos psicossociais, como assédio, sobrecarga, isolamento e clima tóxico como parte da saúde e segurança no trabalho.
Nesse contexto, a Conecta Clima e Cultura trata o bem-estar como estratégia: identifica e classifica os riscos psicossociais e propõe planos de ação customizados e personalizados, de forma a mitigar ou prevenir problemas de saúde mental. O objetivo é fortalecer as relações entre os diversos colaboradores, desenvolvendo ambientes de confiança, escuta e segurança psicológica.
Cabe às instituições, principalmente as educacionais, criar ambientes saudáveis e sustentáveis, para que as pessoas possam ser inteiras e aptas a acolher e formar nossas crianças e adolescentes.
Assim, é essencial iniciar este trabalho com nossas crianças e adolescentes para que saibam identificar, nomear e manejar suas emoções e sentimentos, com o intuito de promover a saúde mental e o bem-estar, prevenindo eventuais comprometimentos futuros.
Nesse caso, a Conecta Educação Socioemocional, programa estruturado para escolas implementarem com crianças do ensino fundamental, traz uma solução baseada na abordagem da Aprendizagem Criativa, que garante um espaço seguro de experimentação, onde o erro é compreendido como parte essencial do processo de aprendizagem, criando o ambiente ideal para desenvolvimento socioemocional.
Além disso, a metodologia da Conecta, explora diferentes estratégias inovadoras, como a utilização de jogos digitais para auxiliar no mapeamento das competências dos jovens, kits de criatividade com materiais não estruturados e jogos de tabuleiros autorais, que estimulam o protagonismo estudantil, fortalecem os vínculos entre os colegas e facilitam a expressão e reconhecimento das emoções.

(Foto: Shutterstock)
A partir do pressuposto de que neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de modificar sua organização estrutural e funcional em resposta a experiências, aprendizados e estímulos do ambiente, podemos afirmar que competências socioemocionais como reconhecer emoções, regular impulsos, interpretar intenções e construir vínculos, podem ser desenvolvidas e consolidadas em circuitos neurais modificáveis pela experiência.
Isso significa que escolas e redes de ensino têm, nas mãos, uma poderosa alavanca: criar experiências intencionais, seguras e significativas que favoreçam, ao mesmo tempo, a aprendizagem cognitiva e o desenvolvimento socioemocional de estudantes e profissionais da educação.