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ExpoEduc

Autor

Revista Educação

Publicado em 25/07/2026

O campo educacional precisa acompanhar o futuro da sociedade

Cláudia Costin, referência em políticas públicas, fala sobre equidade e caminhos para se avançar na Agenda 2030 da ONU

Por Ingrid Torres de Natal | O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 da Agenda 2030 da ONU (ODS 4) trata de assegurar uma educação inclusiva e equitativa de qualidade. Isso significa garantir que meninas e meninos completem a educação primária e secundária, com acesso a programas de primeira infância de qualidade, incluindo a pré-escola. A meta contempla ainda assegurar que os alunos adquiram conhecimentos necessários para o desenvolvimento sustentável, por meio de uma educação para a sustentabilidade, a cultura e a paz.

Foi com esse objetivo da Agenda 2030 em mente que Cláudia Costin, referência em políticas públicas e ex-diretora global de Educação do Banco Mundial, pautou o painel ‘O futuro do trabalho e a educação do século 21’ na ExpoEduc*, em Natal.

Cláudia resgata que o Brasil só universalizou a educação primária na primeira década do século 21, sendo que o desafio agora é garantir a conclusão dessa fase. Hoje, apenas 73% dos adolescentes concluem o ensino médio, segundo dados do IBGE.

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Então, como devemos preparar o Brasil para 2030? “Qualidade na educação não é só infraestrutura”, destacou Cláudia Costin. “É sobre resultados efetivos de aprendizagem, sobre dar oportunidades reais para aprender.” Essa visão se conecta à equidade, já que existem profundas desigualdades educacionais no Brasil e reverter isso exige que os melhores professores e diretores estejam nas escolas mais desafiadoras. “Não basta ‘dar aulas’, precisamos mudar essa cultura e enfrentar o desafio da equidade”, defende.

Outro tema debatido é que, para ela, a escola ainda está num processo de construção, com isso, não se encontra plenamente preparada para a inclusão total de crianças atípicas, deficientes e neurodivergentes, por exemplo. A perspectiva de Cláudia é que o ambiente escolar necessita olhar para o futuro com uma metodologia de ensino que dê a todos a chance de aprender, sem meritocracia, sem exclusão definitiva do direito à educação. Assim, a educação brasileira conseguirá avançar para alcançar a meta da Agenda 2030 da ONU.

Agenda 2030

“Qualidade na educação não é só infraestrutura”, destaca Cláudia Costin (foto: Ingrid Torres/revista Educação)

A mudança não inclui apenas os alunos, mas os professores também

“Os professores não são vítimas, somos profissionais e merecemos respeito pelo exercício da profissão”, diz Costin, defendendo o direito de celebrar as boas práticas docentes. Para ela, é preciso caminhar mais rápido para o tempo integral nas escolas, pensando na aprendizagem dos alunos e nas condições dos professores, incluindo também a assistência social atuando junto à educação já na primeira infância. A educação, resume, “tem que ser humanizada, mas não é para amadores”.

Para que esse plano de ensinar a aprender seja efetivo, Costin ressalta a importância de os professores reconhecerem a aprendizagem como uma prática contínua, que se atualiza constantemente e que eles mesmos também estão aprendendo, para então despertar os estímulos de interesse pelo conhecimento em sala de aula.

Segundo Cláudia Costin, essa prática se tornará essencial porque cada vez mais se exige uma formação de cidadãos que foque também na capacidade de pensar e solucionar problemas complexos de forma colaborativa, principalmente com o avanço da tecnologia e o surgimento das inteligências artificiais (IAs).

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Inclusive, Costin aponta a IA como divisor de águas sobre como o mundo se adapta ao futuro do trabalho. Afinal, daqui a uns anos, muitos postos de trabalho serão substituídos, tornando a aprendizagem ao longo da vida uma necessidade de readaptação, incluindo a necessidade de desenvolver pensamento crítico, coisas que um robô não consegue fazer.

O debate sobre tecnologia na escola, para ela, vai além da permissão do uso de celular nas escolas ou da digitalização dos materiais educacionais, e atinge uma metodologia de aprendizagem que não pode ser evitada. Precisa ser por meio de mídias: “Não é só sobre usar celular na escola, mas sobre ter educação midiática, seja digital, seja por meio de jornais”.

A escola que dialoga com a Agenda 2030

Costin encerrou sua participação compartilhando sua utopia para uma educação que caminhe lado a lado às metas da Agenda 2030 da ONU, mas não só isso, que inclua uma nova forma de ensinagem. Para ela, como dito nesta matéria, uma escola de excelência possui equidade, com alunos e professores trabalhando colaborativamente. Ela almeja que, ao ensinar o gosto pelo conhecimento, os saberes não se fragmentem e, acima de tudo, que se ensine a pensar e a aprender durante toda a vida daquele estudante, desde a infância até a velhice.

*A ExpoEduc é o maior congresso norte-nordeste de educação, reunindo professores, gestores e alunos. O evento está acontecendo no Centro de Convenções em Natal, Rio Grande do Norte. Começou quinta, 23, e termina hoje, 25.

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