NOTÍCIA
“A sustentabilidade escolar dentro da gestão parte de uma semente que necessita de um ambiente fértil para prosperar”, reflete Alex Corsino sobre como transformar o solo educacional e trazer uma gestão mais sustentável
Por Ingrid Torres de Natal | O que faz uma escola permanecer sustentável ao longo do tempo? A resposta não está onde a maioria costuma procurar, tampouco está vinculada somente ao aspecto financeiro. Antes de ser um resultado, a sustentabilidade é uma semente, algo que se planta dentro do ambiente educacional e que envolve todos que fazem parte da escola, incluindo gestores, professores, famílias e alunos.
Essas são reflexões do painel ‘Maturidade Cultural nas Escolas: O que separa instituições comuns de escolas sustentáveis?’, que aconteceu no primeiro dia da ExpoEduc*, em Natal, apresentado por Alex Corsino, administrador e CEO da SkillsHub Desenvolvimento e Inovação Empresarial.
Uma das provocações centrais de Corsino é sobre onde a atenção da gestão escolar costuma se concentrar. “Olhamos excessivamente para as sementes e esquecemos do solo”, diz ele. Aqui, ele nos convida a pensar que investir apenas em conteúdo, metodologia ou resultado é um caminho certo, mas que pode ser expandido quando é dado o mesmo cuidado ao ambiente que sustenta tudo isso, dando destaque também à cultura, às relações e à saúde organizacional. Ou seja, não adianta apenas plantar a semente, mas preparar e cuidar do solo onde essa semente vai germinar.
É aí que entra o conceito que dá nome a essa reflexão: a maturidade cultural. Segundo Alex Corsino, maturidade cultural é a capacidade de uma instituição de desenvolver pessoas enquanto produz resultados. Não uma coisa ou outra, mas as duas ao mesmo tempo, de forma equilibrada.
E maturidade cultural não significa ausência de conflitos, significa evoluir de maneira consistente. Escolas maduras não são as que nunca enfrentam problemas, mas as que sabem atravessá-los sem perder o rumo.
Entender a escola apenas como um espaço de transmissão de conteúdo é uma visão limitada. “A escola ensina conteúdos e também ensina maneiras de viver”, pontua Corsino. Essa dupla função, a de formar academicamente e humanamente, é o que torna a instituição um organismo vivo, e não apenas uma linha de produção.
Nessa lógica, ele propõe uma imagem: “A escola é uma terra fértil onde pessoas desenvolvem pessoas.” O papel da liderança escolar, então, deixa de ser apenas administrar processos e passa a ser cuidar das condições do solo educacional, priorizando cultivar um ambiente onde as pessoas possam crescer.
Se a escola precisa ser terra fértil, quem prepara esse solo? Para Alex Corsino, a resposta começa pela liderança. “Primeiro você tem que ser a transformação que você deseja ser no mundo”, resume ele ao citar o filósofo Gandhi. Não é possível pedir maturidade cultural a uma instituição sem que a gestão não aplique em sua própria prática os valores que deseja reproduzir.
Assim, a sustentabilidade escolar não nasce de um plano de ação isolado, mas de uma postura contínua de quem conduz a instituição.

“A escola se torna sustentável pelas pessoas que desenvolve e pela cultura que constrói ao longo do tempo”, afirma Corsino (Foto: Divulgação)
Voltando à metáfora inicial, o gestor sintetiza sua visão sobre gestão escolar ao dizer que: “a sustentabilidade escolar dentro da gestão parte de uma semente que necessita de um ambiente fértil para prosperar”. A sustentabilidade, portanto, não é um projeto com início, meio e fim, mas constitui um processo permanente de cultivo, que exige atenção tanto ao que se planta quanto ao terreno onde se planta.
Por fim, a reflexão de Alex Corsino aponta para uma conclusão simples e ao mesmo tempo profunda, a de que a escola se torna sustentável pelas pessoas que desenvolve e pela cultura que constrói ao longo do tempo.
Não são os números de matrícula, nem apenas o resultado financeiro que garantem a permanência de uma instituição de ensino. É a maturidade cultural, a capacidade de equilibrar desenvolvimento humano e resultado, de cuidar do solo tanto quanto da semente, e de manter a liderança coerente com o que se deseja construir, que tornam escolas verdadeiramente sustentáveis.
*A ExpoEduc é o maior congresso norte-nordeste de Educação, reunindo professores, gestores e alunos. O evento está acontecendo no Centro de Convenções em Natal, Rio Grande do Norte, entre os dias 23, 24 e 25 de julho.