A 7ª edição do evento acontece de 23 a 25 de julho, em Natal, (RN), e reflete sobre que instituição escolar queremos construir e para quem
Em um mundo que muda na velocidade de um clique, a educação se vê diante de uma pergunta incômoda e inevitável: afinal, escola pra quê? É essa provocação que guia as discussões da 7ª edição da ExpoEduc, transformando o encontro que começa hoje, em Natal (RN), em um espaço de reflexão sobre o papel da escola diante das transformações sociais, tecnológicas e humanas do nosso tempo.
A professora Claudia Costin, que é também economista e especialista em políticas educacionais, reforça que o descompasso entre a formação dos professores e a realidade da sala de aula é um dos desafios a serem enfrentados no âmbito da educação, uma vez que há uma desconexão entre teoria e prática. “A formação não prepara para a sala de aula real, que é um ambiente dinâmico, desafiador e, muitas vezes, imprevisível”, aponta Claudia, que palestrará no evento.

Entre os confirmados deste ano estão o maestro João Carlos Martins, a atriz Mayana Neiva, Rafael Magalhães, Rodolfo Costa e Marcos Meier (Foto: Divulgação)
Esse desalinhamento se torna ainda mais crítico em um contexto marcado pelas transformações tecnológicas. Com o avanço da inteligência artificial, funções vêm sendo substituídas em ritmo acelerado, exigindo da educação uma mudança de rota.
“Não é robotizando alunos, por meio da memorização, que vamos competir com máquinas. Precisamos fortalecer aquilo que nos torna humanos”, defende a especialista.
E o que nos torna humanos? Costin destaca competências que escapam aos algoritmos: pensamento crítico, criatividade, resolução colaborativa de problemas e habilidades socioemocionais como empatia e persistência. É um chamado por uma escola que vá além do conteúdo e ensine, sobretudo, a pensar.

Escolas devem instigar os jovens a pensar, orienta a professora Claudia Costin, que palestrará no evento (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Mas o avanço tecnológico também carrega o risco de aprofundar desigualdades já existentes. Enquanto escolas com mais recursos incorporam ferramentas de inteligência artificial para personalizar o ensino, outras ainda enfrentam limitações básicas. “Se apenas uma parte das escolas tiver acesso a essas ferramentas, a desigualdade tende a aumentar”, alerta.
Nesse contexto, a educação em tempo integral aparece como uma estratégia estruturante — não para ampliar carga horária de forma mecânica, mas para permitir um ensino mais adaptativo, com acompanhamento individualizado e tempo para recuperação de aprendizagem. “Não é possível resolver os desafios educacionais com jornadas tão curtas. É preciso tempo e organização para atender cada estudante onde ele está”, explica.
Outro ponto central é o papel do professor, que, segundo Costin, precisa ser reposicionado como protagonista da transformação educacional — mas dentro de uma lógica coletiva. “Quando olhamos apenas para o professor isoladamente, corremos o risco de ampliar desigualdades. É preciso pensar a educação em rede, com políticas públicas estruturadas e colaboração entre escolas”, ressalta.
Ela também chama atenção para a importância de resgatar o valor simbólico da docência. “Quando o professor passa a ser visto com pena, e não com respeito, a profissão perde força. Isso impacta a autoestima do próprio docente e a forma como os alunos o enxergam.”
Por trás de tudo isso, há uma urgência que atravessa o debate: reformular a formação docente. “Não formaríamos um médico apenas com teoria. Por que fazemos isso com professores?”, provoca, ao defender uma formação mais conectada à prática e à complexidade da profissão.
Mais do que um ponto de encontro, a ExpoEduc se consolida como um território fértil de ideias — onde diferentes vozes se cruzam para tensionar certezas e propor novos caminhos. Ao reunir especialistas, educadores e gestores, o evento amplia o debate sobre o futuro da aprendizagem, conectando prática, inovação e políticas públicas em uma mesma conversa.
É nesse ambiente que temas como inteligência artificial (IA), formação docente, equidade e protagonismo ganham densidade — não como tendências abstratas, mas como desafios concretos que atravessam o cotidiano das escolas.

Crislan Viana, CEO do ExpoEduc: o evento se consolidou como um espaço de construção coletiva que vai além do conteúdo (Foto: Divulgação)
O evento acontece em três dias, até 25 de julho, com grandes nomes para debater a educação junto a professores, gestores e demais profissionais da educação. Já estão confirmados nesta edição nomes como o maestro João Carlos Martins, a atriz Mayana Neiva, Rafael Magalhães, Rodolfo Costa, Marcos Meier e, como adiantado, a professora Claudia Costin.
É nesse cruzamento de inquietações que o evento se firma como catalisador de mudanças. “A ExpoEduc coloca a educação no centro das decisões estratégicas e aproxima esse diálogo de quem está diretamente envolvido na formulação e execução de políticas públicas”, afirma o CEO do evento, Crislan Viana.
Para ele, o congresso ultrapassa a lógica tradicional de transmissão de conhecimento. “A ExpoEduc se consolidou como um espaço de construção coletiva que vai além do conteúdo: é um ambiente de cidadania, inovação e transformação social, onde diferentes atores se encontram para repensar o papel da escola diante dos desafios do presente e do futuro”, afirma o CEO da ExpoEduc, ao mencionar ainda as ações conjuntas com o movimento ‘Natal, Capital da Educação’, que irão oferecer oportunidades de formação gratuita a educadores nos dias que antecedem o congresso.
A ExpoEduc não entrega respostas prontas — e talvez esse seja seu maior mérito, avaliam os organizadores. Em vez disso, acende perguntas. E, entre todas elas, uma insiste em permanecer: que escola é essa que queremos construir — e para quem?
Tema: Escola pra quê? Construindo uma escola que supera os desafios da educação 2030
Data: 23 a 25 de julho
Local: Centro de Convenções de Natal
Saiba mais: ExpoEduc