COLUNA

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Débora Vaz

Diretora pedagógica do Colégio Santa Cruz, SP. É pedagoga com especialização em educação. Participou da produção e implementação do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores do MEC.

Publicado em 07/07/2026

O que se perde ao renomear a profissão docente?

Ao esvaziar ou colocar em risco a essência do ofício do professor, atacam-se as múltiplas funções da escola

Nos últimos anos, temos observado uma série de nomenclaturas aparentemente inovadoras para rebatizar os profissionais da educação que atuam na docência, sob o pretexto de atualizar ou modernizar’ a função do professor. Termos como mediador, facilitador, tutor, curador e designer de aprendizagem, entre outros, surgem tanto em editais de gestão de pessoas quanto em catálogos de propostas formativas destinadas a essa categoria.

É fundamental afirmar que, embora parte dessas nomeações represente facetas importantes do trabalho docente, a tentativa de renomear a profissão por meio desses atributos isolados traz um risco central: o de perdermos o principal legado da função do professor — a saber, o ensino —, tão presente simbolicamente na ideia que esse termo histórico carrega.

O professor Fernando Almeida, em seu recente livro Licença para criticar (ed. Cajuína), combate os eufemismos utilizados por aqueles que buscam rebatizar a profissão. Para ele, tais termos muitas vezes pretendem nublar ou apagar o compromisso maior com o ensino, esvaziando ou colocando em risco a essência de um ofício voltado à complexa e exigente tarefa de planejar, pensar, intervir, estudar e avaliar as relações que ocorrem em sala de aula: os laços entre a intenção de ensino, a aprendizagem do aluno, o objeto de conhecimento e as variantes do cotidiano escolar, que refletem os inúmeros desafios que a contemporaneidade impõe.

 

Profissão

‘Ao lutar pela preservação do termo professor, luta-se também pela importância histórica da participação autoral desse profissional’ (Foto: Pexels)

 

Nessas disputas do campo discursivo, deveríamos reafirmar que as funções primeiras da escola são: transmitir criticamente a cultura e o conhecimento produzidos pela humanidade; ensinar a humanizar-se e a conviver na diversidade; formar sujeitos comprometidos com o estudo e assegurar, pelo ensino, que os alunos possam também fazer escolhas para além do que é estritamente definido por seus grupos de origem, ampliando seu olhar para o contexto maior, mirando no bem comum.

Tenho defendido nesta coluna a importância de reinventarmos continuamente a escola como forma de defendê-la. É necessário, porém, permanecermos ‘atentos e fortes’ para não desconsiderarmos as intensas disputas sobre seu sentido político, pondo em risco sua importância e sua potência. Muitas vezes, escolhas aparentemente simples, como a mudança nas formas de dizer, podem representar interesses de esvaziamento de parte fundante da função social e política da escola.

 

Leia: Salário nota zero

 

Ao lutar pela preservação do termo professor, luta-se também: 

  • pela importância histórica da participação autoral desse profissional;
  • pela força do seu trabalho intelectual e crítico nas escolhas curriculares e metodológicas, junto aos seus pares;
  • por sua capacidade de enfrentar a diversidade de ritmos no equilíbrio entre o cuidado com as singularidades e a potência dos coletivos discentes;
  • pelas possibilidades de emancipação que sua atuação lhe confere, ao ensejar novos e outros modos de ver, interpretar e existir no mundo

 

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