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A escola Professor Bernardino Moreira, em Salvador (BA), investe no digital para se aproximar da juventude e para que os docentes tenham mais tempo no processo de aprendizagem
Que a tecnologia chegou à educação (e às nossas vidas) para ficar não é novidade. Mas como utilizá-la de forma produtiva e a favor da aprendizagem? Se, por um lado, o uso de telas como o celular precisa ser controlado — sobretudo quando falamos das redes sociais —, por outro, a verdade é que o universo digital abre uma série de possibilidades para docentes e estudantes — desde que utilizado com equilíbrio e intencionalidade.
Na Escola Professor Bernardino Moreira, instituição privada localizada em Salvador (BA), fundada há 58 anos e que conta com 470 alunos da educação infantil aos anos finais do ensino fundamental, o uso de ferramentas tecnológicas faz parte do dia a dia e é bastante incentivado.
Um dos destaques é a utilização de uma plataforma digital que permite que alunos vejam videoaulas, ouçam podcasts e façam simulados, por exemplo, e que docentes planejem as aulas e tenham ainda acesso a dados valiosos para o processo educativo.
Para a vice-diretora da instituição, Analis Moreira, o ambiente digital permite, ao mesmo tempo, se conectar com a nova geração de estudantes (que já nasceram num mundo em que o digital é parte do cotidiano) e facilitar o trabalho do professor, que ganha mais tempo e liberdade para focar na aprendizagem real. Ou seja: se bem explorados, recursos tecnológicos podem ser parceiros do processo educacional.
Analis conta que, na Bernardino Moreira, os alunos têm acesso tanto ao material didático físico quanto ao digital — e podem escolher qual desejam utilizar. Em muitos casos, preferem a segunda opção. “Hoje em dia as crianças reclamam muito sobre a questão do peso da mochila. Então, se eles têm a oportunidade de usar o material online, esse peso diminui”, afirma.
Quando os alunos optam pelo material digital, podem utilizar notebooks fornecidos pela instituição. O importante, segundo Analis, é permitir que cada um utilize o recurso com o qual tem mais aptidão. “Nem todos têm a mesma habilidade. Há aqueles que têm habilidade e que desenvolvem muito mais a questão do digital. Mas outros ainda necessitam do físico”, explica. “O objetivo da escola é fazer com que o aluno se sinta bem e que consiga realmente acompanhar o melhor processo de aprendizado.”

Fundada há 58 anos, a escola tem 470 alunos da educação infantil aos anos finais do ensino fundamental (Foto: Divulgação)
Mas o uso da tecnologia vai muito além do material didático. A plataforma utilizada pela escola permite que os estudantes façam simulados, tenham acesso a conteúdos audiovisuais e gamificados, e realizem atividades e avaliações. Além disso, os professores podem tanto utilizar atividades já disponíveis na plataforma quanto desenvolver a sua própria e passar para os estudantes realizarem como tarefa de casa.
De acordo com Analis, tais recursos oportunizam que a escola fale a linguagem dos estudantes, o que gera engajamento. Podcasts e jogos, por exemplo, são interesses dos alunos — e, na plataforma, estão conectados ao conteúdo. Ou seja: por meio do digital, é possível estabelecer uma ponte com os estudantes.
No caso das atividades realizadas na plataforma, elas entram na avaliação processual. “Nós temos escalas de atividades que são pontuadas e fecham a média final. Então, a cada momento em que eles desenvolvem essas atividades, avançam em pontuação e ganham cada vez mais pontos. São avaliações processuais”, conta.
O uso do digital se dá em todos os segmentos atendidos pelo colégio, da educação infantil aos anos finais do ensino fundamental. No caso do infantil, porém, a ferramenta não é utilizada para atividades, mas sim para explorar recursos como canções e contações de histórias.
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“O objetivo da escola é fazer com que o aluno se sinta bem e que consiga acompanhar o melhor processo de aprendizado”, afirma Analis Moreira, vice-diretora (Foto: Arquivo pessoal)
No caso do trabalho docente, o ambiente digital serve como um facilitador. A vice-diretora Analis conta que sempre incentivou a equipe a utilizar a tecnologia. Por isso, buscou capacitar professores para que eles pudessem enxergar o ambiente digital como uma ferramenta que veio para somar.
“Eu comecei a mostrar para eles [professores] que não precisavam ter tanto trabalho, porque já estava tudo ali, na própria plataforma. Eles não precisavam ter vários trabalhos”, conta.
“A partir do momento em que a plataforma já dá a avaliação corrigida, um relatório com o que o aluno precisa e com o que ele não precisa, onde ele está bem, onde ele não está bem, isso já é um facilitador para aquele professor não perder tempo.”
Segundo Analis, isso se torna importante porque o professor precisa ter mais liberdade e tempo para desenvolver as aulas, focando no aprendizado concreto. Dessa forma, com o uso equilibrado das ferramentas digitais e dos dados fornecidos, ganham o professor, os alunos e, claro, o processo de ensino e aprendizagem.