NOTÍCIA
Da relação com as famílias ao suporte docente, conheça os caminhos para uma escola com direção participativa e que funcione como uma rede de apoio
A busca por uma escola de qualidade acadêmica, que não se preocupe apenas com conteúdos programáticos, que se baseie em princípios cristãos e também funcione como rede de apoio, impulsionou um grupo de famílias a fundar, em 2013, o Colégio Colabore, sem fins lucrativos, localizado dentro da Mata Atlântica, em Várzea das Moças, Niterói (RJ). O colégio só saiu do campo das ideias porque os familiares trabalharam voluntariamente, por exemplo, fazendo a própria estrutura física (o espaço já existia, mas necessitou de reforma), o jardim e pintando as paredes.
Antes de ser uma escola, o Colabore era um projeto de suporte escolar para as crianças da comunidade de Várzea das Moças.
O Colabore começou com 16 estudantes — a pequena quantidade fez com que algumas turmas, de diferentes níveis, se agrupassem. Hoje são 220 alunos (não há mais agrupamentos) e 35 educadores. No início, só havia turmas do ensino fundamental 1 e 2 e ensino médio. A educação infantil chega em 2015, mesmo ano em que as matrículas foram abertas à população (antes, as vagas eram apenas para filhos das famílias voluntárias). Atualmente, há dois turnos, o da manhã, com fundamental 2 e médio, e o da tarde, com infantil e fundamental 1.

Escola é compreendida como espaço de aprendizagem e acolhimento (Foto: Divulgação)
“Colaborar está na nossa essência. O nome do colégio tem tudo a ver com a maneira com que a instituição nasceu e atua ainda hoje. Entendemos que a família e a escola precisam caminhar juntas, colaborando para a criação e para a educação plena dos filhos e estudantes”, reforça a diretora Mariana Gonçalves Luz.
A diretora enxerga o colégio como uma extensão da família (com seus limites), sendo esse um dos grandes diferenciais. Contudo, reconhece que o diálogo família e escola está cada vez mais desafiador, “porque vivemos o tempo da socialidade, em que as pessoas são imediatistas e têm a possibilidade cada vez maior de se frustrar. Todo mundo quer ter razão, todo mundo quer que a sua ideia seja ouvida, seja escolhida. Então isso é, sim, um desafio”, analisa.
Diante dessa realidade, a saída encontrada pelo Colabore é o diálogo: ouvir as famílias e, assim, permitir que falem de suas inquietações. “Mas, ser ouvido não quer dizer que será atendido. Numa comunidade, a discordância é comum. O diferencial está em escutar a insatisfação. Pelo perfil do colégio, a maior parte das famílias é parceira.”
Diante de tantas transformações de impacto na sociedade, Mariana destaca que a escola não é mais o local apenas em que se ensina uma gama de disciplinas. “Hoje, a escola é lugar de acolhimento, lugar de buscar desenvolver habilidades sociais e emocionais, das quais a família não dá conta. No Colabore a gente não aceita a transferência de responsabilidades. Estamos sempre chamando a família. Afinal, o caminhar precisa ser junto. Então, quando a família não quer muito essa parceria, geralmente ela não permanece conosco.”
Dadas as ‘novas’ responsabilidades da escola, as formações continuadas e conversas diárias são ainda mais fundamentais. “Muitas vezes, nosso grupo de estudo é quase um grupo terapêutico, porque são muitas as situações das quais a escola tem precisado dar conta.”
Mariana, que já foi professora, afirma que a sua gestão é a que olha de maneira empática para o docente. Ela entende que todos que atuam na escola, seja docente ou gestor, precisam de um espaço de diálogo seguro e sincero. “Muito se fala da formação, que é imprescindível, mas, nós também precisamos de uma rede de apoio. Não podemos dizer: ‘o seu problema está do portão para fora’. Isso porque somos seres completos. Se eu acolho o meu aluno em todas as emoções, o professor também precisa ser acolhido. E a gestão também, uma vez que costumamos ter uma carreira solo.”

Instituição é cercada pela Mata Atlântica. Aula embaixo do pé de jamelão faz parte da rotina
Nesse modelo, o docente e a coordenação precisam ver a gestão como um espaço para conversar, desabafar o motivo de não estar bem, apresentar seus desafios para que, juntos, encontrem uma solução. “Nesse processo, também não faz sentido uma gestão que só fique em sua própria sala elaborando belos projetos — apenas na teoria. A gestão precisa partir para a prática, acolher o docente e entender os desafios. Acredito numa gestão participativa e que não apenas delega responsabilidade. Precisamos dar suporte.”
O currículo como um todo é cuidadosamente elaborado para fazer sentido com a realidade dos estudantes. Sendo as metodologias ativas um meio para se chegar à aprendizagem significativa. O pilar verde também é adotado pelo Colégio Colabore, até porque os estudantes convivem diariamente com a Mata Atlântica. Há, inclusive, atividades debaixo da árvore, como a leitura de livro sobre matemática. Além disso, também existe um projeto institucional que vai da educação infantil até o ensino médio, que consiste em pesquisar um tema relacionado à ecologia e que esteja latente na atualidade.
Sendo uma instituição com Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), pelo menos 30% das matrículas são destinadas a bolsas sociais. Outra característica é que, tendo consciência das necessidades globais, o Colabore adota um programa bilíngue — o qual não significa que a instituição seja bilíngue — que vai da educação infantil até o ensino médio.