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Academia Líderes de Educação

Autor

Revista Educação

Publicado em 25/05/2026

É hora de pensar na precificação de 2027

Diante de um cenário de profissionalização, um dos passos mais críticos para garantir a saúde do negócio é a definição estratégica da precificação escolar

Por Júlio Aranha*, especialista em estratégias financeiras e tributárias| O setor de educação básica privada é um dos que mais cresce atualmente, atraindo inclusive novos investidores e players do mercado. Com essa forte movimentação, as escolas que desejam se manter relevantes precisam adotar um ritmo rigoroso de gestão e planejamento. Projetos que nascem com um plano de negócios bem estruturado conseguem alinhar um número rentável de alunos a uma excelente qualidade pedagógica. Diante desse cenário de profissionalização, um dos passos mais críticos para garantir a saúde do negócio é a definição estratégica da precificação escolar. 

Historicamente, muitas instituições deixavam para pensar nas mensalidades do ano seguinte apenas em setembro ou outubro. Hoje, a antecipação é fundamental. Pensar na precificação de 2027 exige entender profundamente o cenário, especialmente com a chegada da reforma tributária. O regime de tributação é a segunda maior saída do orçamento de uma instituição de ensino, tornando o entendimento dessas novas regras uma prioridade absoluta para a viabilidade financeira. 

O perigo de copiar a concorrência 

Um erro grave e comum na gestão escolar é aguardar o lançamento dos valores dos concorrentes para, só então, definir os próprios preços. Utilizar o indicador ou o reajuste da escola vizinha como um remédio para a sua própria estrutura é uma prática altamente arriscada. O que funciona para terceiros não reflete as suas despesas, os seus custos operacionais ou a qualidade do seu serviço. 

 

Precificação

Para Júlio Aranha, “pensar na precificação de 2027 exige entender profundamente o cenário, especialmente com a chegada da reforma tributária” (Foto: Divulgação)

 

Pilares para precificação sólida em 2027 

Para que a escola alcance a lucratividade desejada e mantenha a operação sustentável, é preciso voltar a atenção para os dados da própria instituição. Acompanhe os passos essenciais para essa estruturação: 

  1. Diagnóstico econômico e financeiro: Tenha total clareza sobre o orçamento atual da escola e defina a margem de lucratividade que deseja alcançar em 2027. Simule o crescimento quantitativo de alunos de forma realista e embasada. 
  2. Análise de capacidade e ponto de equilíbrio: O volume total de matrículas não é garantia automática de sucesso financeiro. Uma escola com 720 alunos pode apresentar um resultado líquido muito superior a uma com 900 alunos, desde que gerencie bem a capacidade por sala e conheça o ponto de equilíbrio exato de cada turma. 

 

Leia: Escolas não perdem alunos, perdem confiança

 

  1. Gestão estratégica de descontos e bolsas: Uma sala de aula com 100% de ocupação pode operar no prejuízo se houver distribuição desordenada de bolsas e descontos agressivos. Essa falta de critério, conhecida como erro de alçada, faz com que o custo da folha de pagamento do professor fique insustentável perante a receita real da turma. 
  2. Identificação e tratamento de sintomas de risco: O atraso no pagamento de impostos é um reflexo direto da falta de saúde financeira, gerando uma bola de neve de parcelamentos que prejudicam os anos seguintes. Recorrer a empréstimos bancários para manter a operação rodando ou vender recebíveis com deságio são sinais de alerta críticos que uma precificação correta e antecipada deve evitar. 

 

Caminho seguro para a gestão

A saúde financeira é o motor que permite à escola ir mais longe e investir naquilo que realmente importa. É essencial saber qual é a lucratividade exata por cada segmento oferecido, desde a educação infantil até o ensino médio, pois cada etapa possui particularidades financeiras e pedagógicas. 

Para 2027, a recomendação de ação é clara: elabore pelo menos três simulações financeiras diferentes antes de cravar o valor da mensalidade. 

Faça a reunião com o seu contador e com consultores financeiros especializados para desenhar cenários precisos. Dessa forma, a sua instituição garante não apenas a manutenção das portas abertas, mas um crescimento estruturado, seguro e duradouro no competitivo mercado educacional. 

 

*Júlio Aranha é CEO da Juliu’s Business Financial Consulting. Especialista em estratégias financeiras e tributárias para escolas privadas.

 

Este artigo foi originalmente produzido para a Academia Líderes de Educação, hub da revista Educação para diretores de escolas públicas e privadas. Conheça e faça parte: 

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