NOTÍCIA
O futurista e educador Peter Bishop falou acerca da importância do aprendizado sobre o futuro na primeira manhã do IV Congresso do Sesi-SP
O IV Congresso Internacional de Educação, realizado pelo Sesi-SP e a Faculdade Sesi de Educação, aconteceu nos dias 11 e 12 de maio na capital paulista. No dia 11, pela manhã, a cerimônia de abertura teve a participação de Daniele Nascimento, diretora da Faculdade Sesi, e pelo deputado federal José Mendonça Filho, presidente do Conselho Superior de Educação da Fiesp.
A primeira conferência internacional foi com Peter Bishop, educador, futurista e fundador do movimento Teach the Future, que abordou o tema “Letramento em Futuros para uma Educação Transformadora”. Para o educador, pouco se fala do futuro nas escolas e nas aulas de história, fato que compromete o conhecimento dos estudantes acerca do que está por vir.
Tema transversal, para Bishop, o letramento em futuro deveria ser uma disciplina presente nos currículos escolares de história, matemática, literatura, ciências e demais matérias, desde a educação básica à graduação.

Peter Bishop, educador e futurista, foi a primeira atração internacional do IV Congresso (Foto: Everton Amaro – Fiesp/Sesi)
E para que este letramento seja aplicado, os professores precisam passar por treinamentos específicos. Entre os alunos, reforçou Bishop, ao longo do processo de letramento eles “precisam aprender que podem intervir nas análises que serão desenvolvidas.”
Do âmbito dos estudos do futuro, Bishop trouxe conceitos como o Futuro esperado, o Futuro alternativo e o Futuro referencial. O Futuro esperado é a construção de cenários baseado em eventos atuais, tendências e perspectivas do que pode acontecer. Sobre o Futuro alternativo, o professor afirmou que, a partir de um tema, se criam realidades alternativas, que são diferentes da cronologia, do tempo habitual. Já o Futuro referencial é a análise de tendências para cenários prospectivos para entender um futuro não linear e com diferentes alternativas de pesquisa.
A pesquisadora internacional Veerle Ponnet, reconhecida por suas pesquisas nos campos da comunicação, educação e inteligência artificial e a psicopedagoga Ana Luiza Neiva do Amaral, pesquisadora do Departamento Nacional do SESI e integrante do Conselho de Administração da Rede Nacional de Ciência para a Educação, discutiram os avanços da neurociência a partir do tema “Repensando a Formação Docente sob a lente da Neurociência”.
Veerle Ponnet abordou a relação entre pedagogia, psicologia e neurociência como pilares fundamentais para compreender os processos de aprendizagem. “Quando esses três se juntam, nós usamos esses insights, essas ideias, para melhorar o aprendizado e a educação dentro do campo da neurociência.”

As pesquisadoras Veerle Ponnet e Ana Luiza Neiva do Amaral palestraram sobre neurociência e formação docente (Foto: Everton Amaro – Fiesp/Sesi)
A pesquisadora destacou que o aprendizado está diretamente conectado às emoções, às experiências e ao ambiente em que o estudante está inserido. Também refletiu sobre a importância da aprendizagem ativa, da repetição e do sono para a consolidação da memória. A pesquisadora explicou que repetir conteúdos fortalece as conexões neurais e facilita a retenção das informações.
Veerle mencionou, ainda, o caráter social da aprendizagem e a importância do sentimento de pertencimento nos processos educativos. “Aprendemos mais quando sabemos que todos estamos interessados no mesmo assunto e estamos motivados a fazer progresso”, afirmou.
Na segunda palestra da mesa, Ana Luiza Neiva do Amaral, ao abordar a formação de professores, defendeu a necessidade de transformar a educação a partir das evidências da neurociência. “Precisamos entender a diferença entre informar e educar. Quando informo, transmito dados e conceitos; quando educo, transformo. Educação tem a ver com transformação”, afirmou.
Modelos do passado, afirmou Ana Luiza, não respondem aos desafios atuais. A pesquisadora destacou que a escola já não pode responder aos desafios atuais. A sociedade do conhecimento ficou para trás. “Estamos em uma sociedade pautada por uma cultura de inovação”, afirmou e, nessa sociedade, “mais importante do que a quantidade de conhecimento é a capacidade de manejar esse conhecimento de forma crítica e criativa”, explicou.
O cenário atual exige mudanças profundas nas práticas pedagógicas, disse a especialista, apontando a transformação da pergunta ‘o que ensinar’ para o ‘como ensinar’. Para responder à última pergunta, diz a especialista, “precisamos entender como o aluno aprende do ponto de vista cerebral”.
Para a pesquisadora, uma das principais contribuições da neurociência para a educação é justamente a compreensão de que a aprendizagem ocorre por meio da experiência e da reflexão sobre ela.
Para Ana Luiza, o tempo é um dos recursos mais importantes para a inovação educacional. “O manejo do tempo na sala de aula é fundamental para romper com essa aprendizagem superficial e garantir uma aprendizagem duradoura”, explicou. Segundo ela, o cérebro precisa de tempo para processar, reorganizar e consolidar as informações até que elas sejam armazenadas na memória de longa duração.
Para finalizar, Ana Luiza reforçou a urgência de transformar a formação docente. “A educação não tem a ver com informação, ela tem a ver com transformação. A educação do futuro é agora. Agora é a hora da gente virar a chave da formação docente no nosso país”, concluiu.
*Com informações do site da Faculdade Sesi de Educação