NOTÍCIA
A inclusão precisa fazer parte naturalmente do dia a dia da escola. “Precisamos sair do campo emocional e ir para o profissional”, afirma a gestora Josevanda Franco
Por Ricardo Pinheiro, estudante de jornalismo na FIAM-FAAM*| Josevanda Mendonça Franco iniciou sua exposição neste último dia da Bett Brasil**, 8, com a provocação “como faz para fazer inclusão?” Professora, historiadora, escritora e consultora da Unesco e do Ministério da Educação, ela defende que educar também significa garantir cidadania, promover justiça social e assegurar que todos os estudantes tenham voz, acesso e reconhecimento dentro da escola pública.
Natural de Itabaiana (SE), Josevanda construiu uma trajetória marcada pela atuação em políticas públicas educacionais e pela defesa dos direitos humanos. Ao longo da carreira, ocupou cargos estratégicos na Undime de Sergipe e também representando o Nordeste pela mesma entidade, além de atuar como secretária municipal de Educação em Aracaju e Nossa Senhora do Socorro.
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Para a historiadora, nós evoluímos ao longo do século 20, porém como fazer a inclusão? Como preparar o professor? “Estamos com uma educação 2.0 no nosso país enquanto outros países estão na 5.0.”
Josevanda ressalta que as diferenças não podem ser entendidas como um problema, uma vez que a escola é o centro do sistema, não a ponta. Inclusive, todos os envolvidos no contexto escolar, desde porteiros, merendeiras, professores e gestores precisam entender o que é uma escola com crianças e adolescentes autistas.
Fato é que a inclusão deve fazer parte naturalmente do dia a dia da escola. “Precisamos sair do campo emocional e ir para o profissional. A atitude é determinante no processo de inclusão, principalmente uma gestão escolar democrática que assuma responsabilidade.”

Josevanda Franco é assessora técnica da Undime Nordeste. Na imagem, durante seu painel na Bett (foto: Maria Sohia FIAM-FAAM)
A educadora cita o amparo dos Decretos 12.686 de 2025 e 12.773 de 2025, que recolocam o Brasil no caminho da educação inclusiva, garantindo que a escola comum seja o espaço de aprendizagem, convivência e pertencimento para todos os estudantes.
Dentre os desafios estruturais das escolas públicas, a professora destaca as desigualdades tecnológicas, formação docente e dos profissionais, infraestrutura adequada e violações de direitos.
Já sobre garantia dos direitos educacionais, cita cinco esferas de extrema importância: acesso, permanência, participação, aprendizagem e inclusão. Aliado ao protagonismo juvenil, aprendizagem, convivência, gestão escolar, em conjunto, geram impacto positivo na comunidade local. A educadora aponta temas norteadores para práticas concretas de inclusão: Acessibilidades, acolhimento, mediação de conflitos, construção de pertencimento, planejamento inclusivo e protagonismo.
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“Precisamos nos apropriar da política nacional de educação especial inclusiva, eliminar barreiras à inclusão, garantir formação continuada dos profissionais, garantindo um sistema educacional inclusivo em todos os níveis.”
Ao final da palestra, Josevanda deixa um conselho para os profissionais e educadores, reiterando que se apropriem do contexto que rege a educação inclusiva. “Executem e operacionalizem o que temos na política para se avançar na inclusão. Não só no sentido de crianças com educação especial, mas também nas perspectivas étnico-raciais, quilombola, indígena. Inclusão nada mais é do que um grande guarda-chuva, que acolhe tanto modalidades quanto situações específicas. Precisamos tornar esse país inclusivo e a educação é o caminho.”
*A Bett Brasil é um dos maiores eventos de inovação e tecnologia para a educação da América Latina. Começou em 5 de maio e termina hoje, 8 de maio, no Expo Center Norte, capital paulista. E nós, da Educação, estamos fazendo uma cobertura especial. Clique aqui para ficar por dentro de tudo.
Nossa cobertura jornalística tem o apoio das seguintes empresas: FTD Educação, Santillana Educação e Multiverso das Letras.
*Esta matéria foi produzida numa parceria entre a revista Educação e o curso de Jornalismo da FIAM-FAAM.
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