NOTÍCIA

Edição 319

Autor

Revista Educação

Publicado em 06/04/2026

Instituições de ensino e comunidades pesquisam as mudanças climáticas

Parceria internacional com instituições de ensino visa apoiar em soluções para as mudanças climáticas em Curitiba, Natal e Niterói; pesquisadores comunitários têm papel fundamental

O Brasil possui mais de 12 mil favelas, segundo dados do Censo 2022, onde vivem cerca de 16,39 milhões de pessoas — o equivalente a 8,1% dos 203 milhões de habitantes do país. Essa população, que convive com moradias precárias e ausência de infraestrutura adequada, está entre as mais afetadas pelos impactos das mudanças climáticas, como chuvas intensas, deslizamentos de terra, enchentes e ondas de calor.

Diante desse cenário, um projeto liderado pela Universidade de Glasgow (Reino Unido) reúne quatro instituições brasileiras para avaliar como a combinação entre risco ambiental e vulnerabilidade social afeta a qualidade de vida de moradores de favelas e comunidades urbanas do Brasil.

Por meio de um modelo de Laboratórios Urbanos Participativos, o projeto será desenvolvido em parceria com agências governamentais e associações de moradores de favelas e comunidades urbanas nas cidades de Curitiba (PR), Natal (RN) e Niterói (RJ).

A iniciativa atuará em três frentes: a produção de dados para subsidiar políticas públicas; o engajamento das comunidades em ações de intervenção e adaptação climática; e a geração de conhecimento para fortalecer a atuação coordenada dos municípios, transformando evidências em medidas concretas de adaptação climática e promoção da saúde.

“O projeto tem por objetivo construir capacidades de adaptação às mudanças climáticas com um foco específico na saúde de pessoas que moram em favelas e comunidades urbanas no Brasil, integrando perspectivas de geração cidadã de dados com análise de grandes bases de dados nacionais por meio desses laboratórios. Assim, será possível desenvolver políticas públicas que considerem melhor as desigualdades sociais e ambientais”, explica Paulo Nascimento, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

 

Leia: Agenda do clima e universo escolar: os desafios são históricos

 

Com financiamento superior a 14 milhões de reais, provenientes da fundação britânica Wellcome Trust, o projeto Pacha (Análise Participativa para Adaptação Climática e Saúde em Comunidades Urbanas Desfavorecidas no Brasil) envolve, além da PUCPR, o Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da FGV EAESP, o Centro de Integração de Dados em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Cidacs/Fiocruz) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Líderes das comunidades e favelas terão papel fundamental na pesquisa (foto: Shutterstock)

Utilizando uma abordagem transdisciplinar, as universidades irão reunir líderes comunitários urbanos, formuladores de políticas públicas, cientistas sociais, especialistas em clima e pesquisadores da área da saúde com o objetivo de integrar dados climáticos e de saúde para mapear vulnerabilidades — considerando os impactos sobre pessoas de diferentes gêneros, raças e idades —, e transformar essas evidências em ações públicas e estratégias de adaptação.

 

Ouça nosso podcast:
Educação para enfrentar crises e construir futuros regenerativos Adriana Martinelli, diretora de conteúdo da Bett Brasil, fala sobre o tema em novo episódio

 


Leia Edição 319

Young,Girl,With,Curly,Hair,Exploring,With,A,Magnifying,Glass

Imediatez é inimiga número um do pensamento crítico

+ Mais Informações
Jakarta,,Indonesia.,February,13,,2007.,Children,Play,On,The,High

Instituições de ensino e comunidades pesquisam as mudanças climáticas

+ Mais Informações
Foto 4 - Residência

Universidade e escola básica, aproximação fundamental

+ Mais Informações
pexels-ron-lach-9794727

O dilema da proibição

+ Mais Informações

Mapa do Site