NOTÍCIA
A interdisciplinaridade pressupõe relação entre os conhecimentos. Em vez de cada componente abordar um tema separadamente, diferentes conceitos, procedimentos e linguagens contribuem para compreender uma questão comum

Uma criança que investiga o consumo de água da escola pode observar de onde ela vem e como é utilizada, registrar informações, comparar quantidades, produzir gráficos, pesquisar mudanças ocorridas no entorno e escrever uma campanha de conscientização. Ciências da Natureza, História, Geografia, Matemática e Língua Portuguesa podem participar desse percurso. Mas é justamente aqui que aparece uma diferença importante: trabalhar a interdisciplinarmente não significa simplesmente utilizar o mesmo assunto em várias aulas.
A interdisciplinaridade pressupõe relação entre os conhecimentos.
Em vez de cada componente abordar um tema separadamente, diferentes conceitos, procedimentos e linguagens contribuem para compreender uma questão comum. O objetivo não é apagar as particularidades de cada área, mas criar pontes entre elas.
Nos Anos Iniciais, essa perspectiva ganha ainda mais força. É nessa etapa que os estudantes começam a ampliar sistematicamente suas formas de observar, registrar, calcular, localizar, argumentar, pesquisar e comunicar aquilo que aprendem.
Quando essas ações se conectam, uma aprendizagem pode fortalecer a outra.
Uma dificuldade de interpretação pode ser retomada durante uma investigação de Ciências da Natureza. A leitura de gráficos pode reaparecer em um estudo sobre a comunidade. Conceitos de medida podem ganhar uma nova função durante a representação dos espaços da escola.
É nesse ponto que interdisciplinaridade e a recomposição das aprendizagens também podem se aproximar.
Ao criar novas situações para mobilizar conhecimentos anteriores, o professor amplia as oportunidades para que os estudantes retomem aquilo que ainda precisa ser fortalecido, sem separar esse processo do avanço curricular.
A proposta da coleção Para Aprender dialoga com essa perspectiva ao valorizar atividades investigativas, práticas colaborativas, participação, contextualização e acompanhamento das aprendizagens nos diferentes componentes.
Conheça a coleção Para Aprender
A interdisciplinaridade é uma abordagem que coloca conhecimentos de diferentes componentes curriculares em relação para investigar um tema, responder a uma pergunta, compreender um fenômeno ou enfrentar determinado problema.
Isso significa que a existência de um assunto comum não é suficiente.
Imagine uma sequência sobre alimentação.
Se, em Ciências da Natureza, os estudantes estudam hábitos alimentares; em Matemática resolvem contas utilizando nomes de alimentos; e em Língua Portuguesa escrevem palavras relacionadas ao tema, mas sem conexão entre essas aprendizagens, existe uma aproximação temática, porém pouca integração entre os conhecimentos.
A proposta se torna efetivamente interdisciplinar quando os conhecimentos de uma área são necessários para desenvolver a investigação realizada pela turma.
Os estudantes poderiam, por exemplo, investigar os hábitos alimentares da comunidade escolar, elaborar perguntas para uma pesquisa, coletar e organizar dados, representar os resultados graficamente, pesquisar informações sobre alimentação e produzir um texto para comunicar as conclusões.
Nesse percurso:
Língua Portuguesa contribui para formular perguntas, realizar entrevistas, pesquisar informações e produzir os textos;
Matemática ajuda a organizar, representar e interpretar os dados;
Ciências da Natureza oferece conhecimentos necessários para analisar questões relacionadas à alimentação e aos hábitos de cuidado.
O tema permanece comum, mas existe uma questão cuja compreensão depende de conhecimentos diferentes.
É essa relação que caracteriza a interdisciplinaridade.
O trabalho interdisciplinar não elimina os componentes curriculares nem reduz suas especificidades. Pelo contrário: parte dos conhecimentos próprios de cada área para estabelecer conexões que permitam interpretar uma mesma realidade por diferentes perspectivas.
A realidade não chega até os estudantes organizada em componentes curriculares.
Uma praça envolve espaço, natureza, convivência, história e transformações provocadas pela ação humana. Uma brincadeira envolve linguagem, regras, contagem, corpo e cultura. O consumo de energia pode ser analisado por meio de dados, hábitos cotidianos, recursos naturais e decisões coletivas.
As diferentes áreas do conhecimento oferecem ferramentas para interpretar essas situações.
Quando o estudante começa a estabelecer relações entre elas, deixa de mobilizar determinado conhecimento apenas porque “agora é aula de Matemática” ou “este conteúdo pertence à Geografia”.
Ele passa a compreender quando, como e por que aquilo que aprendeu pode ser utilizado.
Esse é um dos potenciais mais importantes do trabalho interdisciplinar: favorecer aprendizagens que circulam entre diferentes situações.
Nos Anos Iniciais, essa articulação também ajuda a desenvolver procedimentos que atravessam vários componentes, como:
Essas ações podem ganhar complexidade progressivamente e ser retomadas em diferentes contextos.
Uma criança que aprende a organizar informações em uma tabela durante uma aula de Matemática poderá utilizar esse conhecimento posteriormente em uma pesquisa de Ciências da Natureza. Um estudante que desenvolve estratégias para localizar informações em Língua Portuguesa poderá mobilizá-las durante uma investigação histórica.
Assim, os conteúdos deixam de aparecer como aprendizagens isoladas e passam a compor um repertório que o estudante pode utilizar diante de diferentes situações.

Uma das contribuições da interdisciplinaridade para a recomposição das aprendizagens está na possibilidade de mobilizar um mesmo conhecimento em novos contextos.
Considere um estudante que ainda apresenta dificuldade para interpretar informações em um gráfico.
Essa aprendizagem pode ser retomada em uma atividade específica de Matemática, mas também durante uma pesquisa sobre os hábitos da turma, na análise de informações ambientais ou em uma investigação sobre os meios de transporte utilizados pela comunidade escolar.
O gráfico deixa de ser apenas o conteúdo de um exercício e passa a ser uma ferramenta necessária para compreender outra questão.
O mesmo pode acontecer com leitura e escrita.
Um estudante que precisa fortalecer estratégias de compreensão leitora pode utilizá-las ao interpretar um problema matemático, consultar fontes para uma pesquisa ou analisar informações sobre determinado lugar.
Nesse sentido, a interdisciplinaridade amplia as oportunidades de retomar, aplicar e consolidar aprendizagens.
Isso não significa que qualquer atividade envolvendo mais de um componente promoverá, automaticamente, a recomposição das aprendizagens.
É necessário planejamento.
O professor precisa identificar:
• qual aprendizagem precisa ser fortalecida;
• em que nova situação ela poderá ser mobilizada;
• que apoio o estudante precisará;
• quais evidências permitirão acompanhar o avanço.
A interdisciplinaridade oferece justamente novos contextos para esse movimento.
O conhecimento reaparece cumprindo outra função. O estudante percebe que aquilo que aprendeu pode ajudá-lo a resolver um problema, compreender uma situação ou comunicar uma descoberta.
E o professor consegue observar se a aprendizagem começa a ser mobilizada com mais autonomia.
Essa relação é particularmente importante porque a recomposição das aprendizagens não deve ser confundida com uma revisão indiscriminada de tudo aquilo que já foi trabalhado.
Nem sempre o estudante precisa “ver novamente” determinado conteúdo da mesma maneira.
Às vezes, precisa utilizá-lo em outra situação.
Uma dificuldade com medidas pode ser retomada durante a construção de uma representação da escola. Nesse processo, os estudantes medem espaços, comparam dimensões, registram informações e discutem como representar o ambiente.
Uma dificuldade relacionada à organização temporal pode aparecer em uma investigação sobre as mudanças de uma paisagem, utilizando fotografias, relatos e uma linha do tempo.
Uma aprendizagem de produção textual pode ser retomada quando a turma precisa comunicar as conclusões de um projeto para outras pessoas.
O conhecimento anterior passa a responder a uma nova necessidade.
É justamente essa possibilidade de estabelecer conexões que ajuda a transformar a retomada em avanço.
Para levar a interdisciplinaridade para a sala de aula, não é necessário começar por um grande projeto envolvendo todos os componentes curriculares.
Uma sequência de aulas, uma investigação ou um problema comum já pode estabelecer conexões significativas, desde que exista intencionalidade pedagógica.
O ponto de partida está menos em decidir quais disciplinas serão “juntadas” e mais em definir uma questão que demande diferentes conhecimentos para ser compreendida.
A partir daí, o professor identifica o que cada componente pode acrescentar, quais aprendizagens serão mobilizadas e que conhecimentos anteriores podem precisar de retomada.
Um caminho possível é organizar esse planejamento em quatro movimentos.
Em vez de pensar primeiro “como posso juntar Matemática e Ciências da Natureza?”, pode ser mais produtivo começar por uma questão.
Por exemplo:
“Como podemos reduzir o desperdício de água na escola?”
A própria pergunta começa a indicar quais conhecimentos serão necessários.
A turma pode observar os espaços da escola, levantar hipóteses, registrar situações de desperdício, estimar ou comparar quantidades, pesquisar formas de consumo responsável e produzir materiais para comunicar suas descobertas.
Os componentes entram no planejamento porque oferecem ferramentas para responder à questão, e não apenas porque precisam aparecer na atividade.
Esse movimento torna a integração mais orgânica e ajuda a preservar a função de cada conhecimento.
Depois de estabelecer a questão central, é importante identificar que aprendizagem específica cada área oferece ao percurso.
Esse cuidado evita que um componente apareça apenas como complemento decorativo.
Em uma investigação sobre o bairro, por exemplo, diferentes áreas podem assumir funções claras:
Geografia: localização, paisagens, circulação e organização do espaço;
História: mudanças, permanências, memórias e fontes sobre o lugar;
Ciências da Natureza: elementos ambientais e relações entre sociedade e natureza;
Matemática: levantamento, organização, comparação e interpretação de dados;
Língua Portuguesa: entrevistas, pesquisa, leitura de fontes e produção de textos para comunicar os resultados.
Cada componente oferece uma lente diferente para compreender a mesma realidade.
É justamente essa especificidade que torna possível estabelecer relações significativas.
É nesse momento que interdisciplinaridade e recomposição das aprendizagens podem se aproximar de maneira ainda mais intencional.
Antes da atividade, o professor pode identificar conhecimentos que a turma já estudou, mas que ainda precisam ser fortalecidos.
Durante uma investigação, os estudantes podem retomar, por exemplo:
Assim, a proposta não apenas introduz novas aprendizagens. Ela cria situações para mobilizar aquelas que ainda estão em processo de consolidação.
Para alguns estudantes, essa mobilização ocorrerá com autonomia. Para outros, o professor poderá oferecer apoios, reorganizar os agrupamentos ou retomar determinados procedimentos antes da atividade.
É essa observação que transforma uma proposta interdisciplinar em oportunidade efetiva de recomposição das aprendizagens.
Um mural bem produzido, uma exposição ou uma apresentação coletiva não são, por si só, evidências de interdisciplinaridade.
É importante acompanhar o que os estudantes precisaram mobilizar para chegar até aquele resultado.
O professor pode observar se conseguem utilizar dados para justificar uma conclusão, relacionar informações de diferentes fontes, empregar conhecimentos matemáticos em uma situação concreta ou recuperar uma aprendizagem anterior para enfrentar um novo problema.
Registros de investigação, portfólios, produções individuais, apresentações, conversas coletivas e autoavaliações podem ajudar a acompanhar esse percurso.
A avaliação passa a considerar não apenas aquilo que foi produzido, mas também as relações construídas ao longo da atividade.
A coleção Para Aprender valoriza atividades investigativas, práticas colaborativas, participação dos estudantes e situações conectadas à realidade da sala de aula. Nos diferentes componentes, também apresenta recursos voltados ao acompanhamento e à recomposição das aprendizagens.
É importante, porém, fazer uma distinção.
Nem todas as obras da coleção possuem uma organização formalmente interdisciplinar.
No PNLD 2027, a coleção Para Aprender Ciências da Natureza, História e Geografia articula diretamente esses três componentes na Categoria 1.
Já a coleção Para Aprender Matemática e a coleção Para Aprender Língua Portuguesa desenvolvem conhecimentos e procedimentos próprios de suas áreas, que também podem participar de projetos, sequências e investigações interdisciplinares planejadas pelo professor.
É justamente nessa combinação entre especificidade dos componentes e possibilidade de estabelecer conexões que o livro didático pode apoiar o planejamento.
A própria organização da coleção Para Aprender Ciências da Natureza, História e Geografia aproxima conhecimentos relacionados à natureza, à sociedade, ao espaço, ao tempo, à identidade e à convivência.
As propostas permitem investigar uma mesma realidade a partir de diferentes perspectivas: observar elementos naturais, compreender os usos sociais de um espaço, identificar transformações e perceber relações entre ações humanas e ambiente.
Pesquisas, observações, experimentos, entrevistas, mapas, imagens, tabelas e oficinas favorecem a construção dessas relações.
Ao mesmo tempo, o trabalho integrado preserva os conhecimentos e procedimentos próprios de cada componente, permitindo que as crianças compreendam desde os primeiros anos que um mesmo fenômeno pode ser observado por diferentes perspectivas.

Código completo: 0540 P27 01 01 037 037
Resolver problemas, interpretar informações, comparar grandezas, trabalhar com medidas, organizar dados e construir gráficos são aprendizagens matemáticas que podem ser mobilizadas em diferentes investigações interdisciplinares.
Uma pesquisa sobre a comunidade pode exigir tratamento de dados. Um estudo do espaço escolar pode mobilizar medidas e representações. Uma investigação sobre consumo pode envolver quantidades, comparações e estimativas.
Na coleção Para Aprender Matemática, situações-problema, leitura de dados, desafios e comparação de estratégias ajudam a desenvolver esses conhecimentos em contextos que favorecem sua aplicação.

Código completo: 0373 P27 01 02 020 020
Ler, pesquisar, entrevistar, argumentar, registrar e comunicar descobertas atravessam praticamente qualquer investigação interdisciplinar.
A Língua Portuguesa permite tanto acessar conhecimentos produzidos em outras áreas quanto organizá-los para diferentes interlocutores e finalidades.
Na coleção Para Aprender Língua Portuguesa, leitura, produção de texto, oralidade e análise linguística aparecem integradas a diferentes gêneros e situações de comunicação.
Essas práticas podem participar de projetos envolvendo outras áreas quando os estudantes precisam formular perguntas, consultar informações, produzir registros ou comunicar os resultados de uma investigação.

Código completo: 0486 P27 01 02 010 010
Trabalhar interdisciplinaridade não significa abandonar os componentes curriculares nem transformar todas as aulas em grandes projetos. Significa reconhecer que os conhecimentos ganham novas possibilidades quando são colocados em relação.
Uma criança aprende a interpretar um gráfico em Matemática e pode utilizar essa aprendizagem para compreender uma investigação sobre o ambiente. Desenvolve estratégias de leitura em Língua Portuguesa e as mobiliza para pesquisar informações históricas. Aprende a observar paisagens em Geografia e passa a relacioná-las às transformações naturais e sociais estudadas em outros momentos.
Para a recomposição das aprendizagens, essas conexões são especialmente valiosas porque oferecem novas oportunidades para mobilizar conhecimentos que ainda precisam ser fortalecidos.
O estudante não retorna simplesmente ao mesmo exercício. Ele encontra aquela aprendizagem novamente, agora necessária para resolver outro problema, compreender outra situação ou comunicar uma nova descoberta.
Essa experiência também ajuda a mostrar que aprender não significa acumular conhecimentos separados.
Significa construir relações e perceber que aquilo que foi aprendido pode ser recuperado, transformado e utilizado novamente.
A interdisciplinaridade, portanto, não acontece apenas quando diferentes componentes aparecem na mesma atividade. Ela se concretiza quando um conhecimento contribui para ampliar o outro e, juntos, permitem compreender uma questão de maneira mais abrangente.
É esse olhar para as relações entre investigar, aprender, retomar e avançar que também atravessa a proposta da coleção Para Aprender para os Anos Iniciais.
Conheça a coleção aprovada para o PNLD 2027