NOTÍCIA
Na travessia do fundamental 1 para o 2, a leitura e produção de texto podem ajudar a criança a se reconhecer e se expressar
A transição do 5º para o 6º ano é um momento carregado de expectativas, curiosidades e inseguranças. Para as crianças, trata-se de um rito de passagem: nos anos finais do ensino fundamental, elas irão se deparar com novas disciplinas e professores, mais responsabilidades e, claro, as mudanças próprias da chegada à adolescência. Não é uma etapa simples. Mas há duas aliadas que podem ajudar não só nessa travessia, como em todas as outras que acontecerão ao longo da vida: a leitura e a escrita.
Para Luara Almeida, editora de literatura da Via Lúdica, grupo Multiverso das Letras, a literatura é uma verdadeira ‘companheira de viagem’. No caso da passagem para o 6º ano, as histórias podem oferecer tanto um espaço de reconhecimento quanto de conforto. “A literatura é esse lugar de alteridade, de humanização, de sensibilidade”, afirma. “Os estudantes podem se reconhecer em personagens, em situações de mudanças e transições que os personagens estão vivenciando”, explica.

“A literatura é esse lugar de alteridade, de humanização, de sensibilidade”, diz Luara Almeida, editora da Via Lúdica (Foto: Arquivo pessoal)
Além disso, a especialista destaca que, ao longo das dificuldades naturais que a criança enfrenta nessa fase, a leitura pode também ser um refúgio — um lugar para o qual elas voltam para encontrar acolhimento.
Para isso, a mediação do professor ocupa um papel central: é por meio desse trabalho cuidadoso que a criança poderá se encantar com o mundo dos livros, conhecer histórias e ver, nos personagens, seu próprio reflexo.
Karina Favaro, coordenadora de projetos de literatura do Multiverso das Letras, destaca, porém, que a curadoria do docente não precisa, necessariamente, estar ligada a um momento específico que a turma esteja vivendo (por exemplo: se vários estudantes estão vivenciando situações de luto, escolher uma leitura com essa temática).
“Eu não preciso de um momento para adotar um livro que aborde tristeza. Não preciso de um momento para trabalhar uma obra que aborde saudade. Porque, na verdade, a literatura ajuda a criança não só a passar por essa transição [para o 6º ano], como ajuda o ser humano a entender sua humanidade, a sua condição humana”, avalia.
Trata-se, portanto, de um processo. E, para que a escola possa colocá-lo em prática, é fundamental ter um professor que seja, também ele, apaixonado pela literatura. Segundo Karina, é assim que o docente consegue encantar o aluno e transpor, em sala de aula, aquilo que ele mesmo vive como experiência. “A literatura ajuda a criança a passar por vários tipos de transição, mas não só a criança. O adulto também”, afirma.
Para escolher as obras e textos, é importante arriscar, ou seja, desbravar diferentes gêneros, estilos e títulos que abordam o poético e o literário, em vez de se manter numa ‘zona de conforto’ — isso permite dar mais repertório para os estudantes e prepará-los para a entrada no 6º ano. Segundo Karina Favaro, além de boa formação, o mediador também precisa ter sensibilidade. “O professor precisa ter um olhar para o poético que, às vezes, alguns docentes muito bem-formados não têm.”

Para Karina Favaro, coordenadora de projetos de literatura do Multiverso das Letras, a literatura ajuda a criança a passar por vários tipos de transição (Foto: Arquivo pessoal)
Outro ponto importante é saber acolher os interesses dos estudantes, para que a leitura não caia no lugar de ‘obrigação escolar’. “Se a gente menospreza o que essa criança gosta, se a gente fala: ‘Isso aqui não é válido, isso não basta, isso não é bom’, a gente rompe com esse interesse da criança. Criamos uma barreira em vez de aproximar essa criança da gente, das nossas indicações”, analisa Luara Almeida. “É justamente nesse momento de transição do 5º para o 6º ano que a gente perde muitos leitores, porque a gente menospreza o que eles estão gostando de consumir, seja na leitura, seja em outras mídias.”
Esse olhar para a experiência do aluno vale também para a escrita, um processo que, na escola, pode gerar inseguranças. Segundo Heloísa Takazaki, autora de livros didáticos no Multiverso das Letras e na Editora Órbita (PNLD), a ideia de que os alunos ‘não escrevem’ é equivocada. “Na verdade, é o contrário — eles escrevem, e muito. Só que escrevem em espaços que muitas vezes a escola ainda não reconhece como escrita ‘de verdade’. Mensagens, comentários, legendas, roteiros de vídeo, posts, threads — são todos gêneros textuais, com convenções, propósitos e leitores específicos. E, mais interessante ainda: em muitos desses gêneros da nossa era digital, os estudantes dominam muito melhor do que os adultos”, constata.

A autora de livros didáticos no Multiverso das Letras, Heloísa Takazaki, menciona gêneros que dialogam com a experiência pessoal da criança: páginas de diário, cartas pessoais, narrativas de vida, biografias e autobiografias (Foto: Arquivo pessoal)
Desta forma, a insegurança que aparece na escola está relacionada, na verdade, à falta de familiaridade com os gêneros mais formais. Daí a importância de apresentá-los às crianças e dar intencionalidade e propósito à escrita. Heloísa exemplifica que se a escola pede que a criança escreva uma redação sobre um tema específico — sem definir público, finalidade e contexto —, isso tira o sentido do ato de escrever. “É natural que isso gere insegurança. É como pedir para alguém falar sem saber com quem está falando, nem por quê.”
Além disso, há gêneros que dialogam com a experiência pessoal da criança — e que podem proporcionar a possibilidade de autoconhecimento, assim como a literatura e outras formas de arte. Heloísa cita, por exemplo, páginas de diário, cartas pessoais, narrativas de vida, biografias e autobiografias, além de relatos pessoais.
“Esses textos não são apenas conteúdo escolar — eles são espelhos. Quando a criança lê uma biografia e percebe que aquela pessoa também enfrentou medos e incertezas antes de conquistar algo, ou quando ela mesma escreve uma página de diário e coloca no papel o que está sentindo diante dessa nova fase, ela está desenvolvendo autoconhecimento de uma forma muito concreta e ao mesmo tempo muito potente”, diz.
Luara Almeida indica: trabalho com histórias em quadrinhos e livros com capítulos curtos.
Títulos: Vovó Frida, frango e Fritz (Via Lúdica) e O lobo de cueca (Via Lúdica)
Karina Favaro indica: Beijos em potes (Via Lúdica) e As coisas de que mais gosto (Via Lúdica).




As Obras da coleção Para Aprender e seus objetos digitais aprovados no PNLD 2027 já estão disponíveis para análise docente.
Categoria 2 (3º, 4º e 5º anos)
Língua Portuguesa | Código de escolha: 0486 P27 01 02 010 010
Para conhecer melhor a coleção, acesse o site: https://pnld.editoraorbita.com.br/efai-27