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Arte e Cultura

Autor

Revista Educação

Publicado em 10/06/2026

Instituto Tomie Ohtake apresenta ‘Viva Viva Escola Viva’

Exposição com curadoria de Cristine Takuá tem cerca de 300 metros quadrados de pinturas realizadas por povos indígenas, entre eles, os Baniwa, Maxakali e Guarani Mbya

Viva Viva Escola Viva, exposição dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas, acontece de 10 de junho a 9 de agosto, no Instituto Tomie Ohtake, com entrada gratuita. Apresentada pelo  Ministério da Cultura e o Nubank, a mostra tem curadoria de Cristine Takuá, filósofa, educadora e colunista da revista Educação, em colaboração com os coordenadores das Escolas Vivas.

A correalização é do Instituto Tomie Ohtake e da Associação Selvagem, organização não governamental que envolve o movimento indígena das Escolas Vivas e uma rede colaborativa voltada a aprendizagens e traduções entre mundos.

Desde 2024, a direção artística do Instituto Tomie Ohtake acompanha e atua junto ao desenvolvimento do projeto. Viva Viva Escola Viva acontece paralelamente às mostras Quando o museu é rio, realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, e Estrelas escolhidas, individual do artista carioca Luiz Zerbini.

Coordenado por Cristine Takuá, curadora da exposição, o movimento das Escolas Vivas propõe uma prática de aprendizagem que integra saberes indígenas, científicos e artísticos a partir dos territórios, e das relações entre gerações.

Com essa proposta, articula cinco núcleos de transmissão de saberes indígenas: Shubu Hiwea, do povo Huni Kuĩ, no Acre; Apne Ixkot Hãmhipak, a Aldeia Escola Floresta do povo Maxakali, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais; Arandu Porã, do povo Guarani Mbya, na Terra Indígena Rio Silveira, em São Paulo; Bahserikowi, Centro de Medicina Indígena, localizado em Manaus (AM), ligada aos povos Tukano, Desana e Tuyuka, todos do Alto Rio Negro, no Amazonas; e Madzerokai, Casa dos Conhecimentos Ancestrais, também no Alto Rio Negro, no Amazonas, ligada ao povo Baniwa, e propõe uma prática de aprendizagem que integra saberes indígenas, científicos e artísticos a partir dos territórios, e das relações entre gerações.

 

Escola Viva

Obra de Frank Baniwa compõe os cerca de 300 metros quadrados de pinturas da exposição (Foto: Divulgação)

 

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Para a curadora, “as Escolas Vivas se afirmam como um coletivo que busca transformar a relação do ensinar-aprender, a relação do que é realmente útil e necessário na troca constante de saberes que são ancestrais, mas que, por uma arrogância colonial e epistemológica, foram desfigurados numa escola clássica e quadrada”.

Antes de chegar ao Instituto Tomie Ohtake, a primeira exposição das Escolas Vivas foi apresentada na Casa França Brasil, no Rio de Janeiro, entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024. As obras presentes na exposição atual foram produzidas no âmbito de oficinas nos territórios das Escolas Vivas e também na residência Casa Escola Viva, realizada em outubro de 2025 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, reunindo dez artistas indígenas em um processo de criação e troca de saberes.

Na abertura, 25 artistas indígenas realizam uma grande pintura no espaço expositivo, concebida como pano de fundo para boa parte da mostra e integrada a outros trabalhos apresentados no percurso. A exposição reúne ainda cinco bandeiras com grafismos dos povos que compõem as Escolas Vivas. Somados, esses conjuntos totalizam cerca de 300 metros quadrados de pinturas realizadas no Instituto Tomie Ohtake. 

Além disso, cada uma das Escolas Vivas apresenta um trabalho coletivo de referência. Do povo Baniwa vem a instalação ‘O umbigo do mundo’, com trançados de fibra de tucum produzidos pelas mãos de mulheres Baniwa. Já os Huni Kuĩ apresentam um pano professor com kenes, grafismos tradicionais que orientam o aprendizado e a transmissão de conhecimentos ligados à sua cosmologia. 

 

Escola Viva

Obra de Thais Desana, até 9 de agosto, no Instituto Tomie Ohtake (Foto: Elea Mercurio)

 

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Entre os Maxakali, a instalação coletiva se organiza a partir de mastros — os mīmãnãns — que, segundo sua cosmologia, orientam e tornam possível a presença dos espíritos nos rituais. A instalação ‘Pytü, o Escuro’, dos Guarani Mbya, é uma representação do escuro intenso, de onde pode surgir o primeiro suspiro, o primeiro ser, a primeira vida. Completa o conjunto uma farmácia amazônica, com plantas medicinais, elixires e bálsamos trazidos pelos povos Tukano, Desana e Tuyuka.

A exposição reúne ainda um núcleo dedicado aos “avós”, entendidos como referências fundamentais na preservação e transmissão dos conhecimentos indígenas. São eles que sustentam, por meio de histórias, cantos e práticas cotidianas, uma memória que atravessa o tempo e conecta diferentes planos de existência.

Ao trazer essas presenças para o espaço expositivo, a mostra propõe uma aproximação com modos de saber baseados na escuta, na experiência e na continuidade entre gerações. Integram esse conjunto Ailton Krenak, Ehuana Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri (Luiz Lana) e Moisés Piyãko.

 

As oficinas 

Como parte do programa público, o Instituto oferece quatro oficinas conduzidas por Veronica Pinheiro, pesquisadora, artista de rua e integrante da Associação Selvagem, propondo experiências de escuta, memória e criação a partir da exposição.

No dia 26 de junho de 2026, a atividade ‘Umbigo, memórias que nos ligam ao mundo’ será realizada para alunos de uma escola pública. No dia 27 de junho, sábado, acontece a formação para professores ‘Tudo na memória’. Já no dia 11 de julho, sábado, a oficina ‘Tudo na memória’ será aberta ao público espontâneo. Encerrando a programação, no dia 8 de agosto, a oficina ‘O sonho do guerreiro’, com jovens indígenas Guarani do Jaraguá, marca o fechamento da exposição. 

Inspiradas nas aprendizagens das Escolas Vivas, as atividades partem da escuta, da presença e das marcas que a experiência deixa no corpo, articulando visita sensível e práticas coletivas. A participação nas oficinas é gratuita, com vagas limitadas, e as inscrições são feitas no site:

Instituto Tomie Ohtake

 

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