NOTÍCIA
“As crianças do século 21 nasceram na era dos chips e não sabem lidar com isso", afirma o diretor escolar Antonio Landulfo
Por Ruan Soares, estudante de jornalismo na FIAM-FAAM*| De acordo com os dados recentes da Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (PeNSE), os alunos demonstram constante insatisfação pessoal. A falta de saúde mental influencia a vida das crianças e dos adolescentes em diversos níveis, portanto, iniciativas devem ser tomadas. Hoje, 7, Antonio Landulfo, diretor do Colégio Sêneca, em Vitória da Conquista (BA), e Hugo Silva, ex-presidente (2024-2026) da União Brasileira dos Estudantes Secundarista (UBES), debateram o assunto na Bett Brasil**.
Presas em diretrizes antigas, muitas escolas perdem a oportunidade de atualização. Segundo os debatedores, ações ‘simples’, como reparar nos alunos, dá a chance de o educador entendê-los e, assim, agir da melhor forma.
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Debater filmes é ferramenta pedagógica eficaz
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Se os jovens estão adoecidos, eles devem ser ouvidos, reforçou Landulfo. “As crianças do século 21 nasceram na era dos chips e não sabem lidar com isso”, atestou. Fato é que o mundo da tecnologia está acelerado e dando indícios de que não irá parar tão cedo. A partir desse contexto, a orientação de Antonio Landulfo é que o papel da escola — respeitando seus limites — é o de instruir eticamente esses jovens na busca por propósito e significado e, ao mesmo tempo, educá-los digitalmente e midiaticamente, sem sobrecarregá-los diante de tanta informação.

Da esq. para a dir.: Antonio Landulfo e Hugo Silva durante o debate na Bett (foto: Mariana Souza FIAM-FAAM)
Algumas instituições de ensino deixam passar oportunidades, segundo ele, por direcionar sua atenção em outras direções, por exemplo, ouvir achismos dos pais dos estudantes. “Nós já sabemos as dificuldades que possuímos e, muitas vezes, as famílias querem dizer o que devemos fazer. Acho engraçado que ninguém diz ao médico como deve fazer uma cirurgia, ninguém diz ao dentista como fazer uma restauração”, refletiu Antonio Landulfo a respeito do papel ativo dos professores e diretores.
Atualmente, a sociedade tem reforçado cada vez mais o senso de individualidade na juventude, apontou Hugo Silva. Essa tendência, segundo o ex-presidente da UBES, acaba por prejudicar a construção de grupos autônomos como os grêmios estudantis, organização ativa fundamental nos colégios para defender os direitos, os interesses e opiniões dos alunos. Ele ainda ressaltou que os grêmios têm perdido espaço nas instituições de ensino.
Silva constatou que os estudantes secundaristas avançaram na conquista de direitos após a redemocratização e, para ele, é necessário manter a mobilização para que não haja retrocesso. Ele exemplificou com o movimento Escola sem Partido: “uma desculpa para censurar os professores e impedir a mobilização dos estudantes. Só no ano passado, a UBES construiu um encontro nacional de grêmios no nosso Brasil e contou com mais de dois mil grêmios estudantis de diversas partes do país,” ponderou.
**A Bett Brasil é um dos maiores eventos de inovação e tecnologia para a educação da América Latina. E nós, da Educação, estamos fazendo uma cobertura especial. Clique aqui para ficar por dentro de tudo.
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*Esta matéria foi produzida numa parceria entre a revista Educação e o curso de Jornalismo da FIAM-FAAM.
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