NOTÍCIA

Edição 320

Autor

Redação revista Educação

Publicado em 14/04/2026

Ouvir quem ensina, para o PNLD cumprir seu papel

Secretarias de Educação devem ter equipe capacitada para analisar as obras aprovadas pelo PNLD; informações precisam ser repassadas aos docentes para eles realizarem a seleção. Entenda o porquê

O fato de o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) ser consagrado como uma das políticas públicas mais eficazes do país não significa que basta a secretaria de Educação escolher aleatoriamente algumas obras e, pronto, o resultado esperado no processo de ensino e aprendizagem estará garantido.

Há 20 anos, Tatiana Pita oferece consultorias e assessorias sobre o PNLD. Ela orienta que é fundamental as secretarias terem uma equipe capacitada e organizada para atuar na análise das obras que, espera-se, sejam escolhidas pelos professores. Aqui o nome da editora e do autor não são a discussão central, uma vez que os critérios de avaliação do PNLD são altíssimos. “A secretaria de Educação precisa se atentar ao método, metodologia, sequência didática e frequência das obras — se vão, realmente, conversar com o projeto político-pedagógico, com a educação esperada no município. Quando isso realmente acontece, esse livro se torna ferramenta para o professor e a professora”, orienta.

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Livro didático precisa ser visto não como fim, mas como ferramenta pedagógica, orienta a educadora Tatiana Pita (foto: Arquivo pessoal)

Outro ponto fundamental é verificar no Manual do Professor (feito pelas editoras, sendo uma das regras do PNLD) os tipos de recursos que as obras podem ofertar aos docentes. “Resumo que a equipe precisa olhar o livro didático não como um fim ou escolha aleatória, mas como ferramenta pedagógica que pode, e muito, potencializar o trabalho do professor. Por isso a análise criteriosa.”

 

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O Manual do Professor, por exemplo, já indica quais habilidades alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a obra desenvolve, bem como a proposta pedagógica. A estrutura geral de cada livro tende a ser comum, sendo assim, “a análise deve se debruçar nas particularidades da sua região — ‘esse livro traz itens que contêm a nossa realidade, a nossa história? Ou é um livro genérico ou apenas com a lógica do Sudeste? Como o Brasil é visto dentro desse material? Como as imagens são colocadas ali? Como os exemplos são apresentados? Todos esses pontos dialogam com o que a secretaria acredita?’ Então, é no detalhe que tenho que me atentar, não na estrutura geral”.

 

Escuta democrática

 

PNLD

A escolha das obras deveria ser, prioritariamente, dos professores, defende Luiz Andrioli, do Grupo Prosa Nova (foto: Arquivo pessoal)

Após esses processos, é ideal que a equipe da secretaria repasse as informações aos docentes para eles também avaliarem os livros. Contudo, escolher as obras exclusivamente e diretamente pela secretaria de Educação, sem escutar aqueles que as utilizarão — os professores —, não é vantajoso, alertam Tatiana Pita e também Luiz Andrioli, editor de livros literários e didáticos e sócio-fundador do Grupo Prosa Nova, em Curitiba (PR).

Tatiana e Luiz reconhecem que, se aprovada no PNLD, trata-se de uma obra de excelência e que vem ainda acompanhada de materiais de apoio — as editoras investem e prezam pela qualidade visando a melhoria da aprendizagem. O foco aqui é que a visão do professor é fundamental.

 

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“Sem escuta, o livro chega à escola por chegar, sem atender às reais expectativas de quem, de fato, necessita dele. O que era para ser bom se torna mais um problema dentro da sala de aula. Então, o entrave é a seleção não ser feita a partir de uma conversa democrática com as pessoas que estão e estarão envolvidas no processo. Quanto mais diálogo, quanto mais análise, quanto mais olhar para o detalhe, mais a obra se tornará essa ferramenta potente de auxílio também na formação docente”, esclarece Tatiana Pita, que já foi professora, coordenadora e diretora em escola particular e tem o PNLD como uma grande aula, a partir dos Brasis, do que de fato é educação.

Luiz Andrioli completa que a escolha das obras deveria ser, prioritariamente, dos professores. “Quiçá, obrigatoriamente. Porque o docente tem um nível de granularidade do entendimento do fenômeno educacional que a gestão da secretaria de Educação não tem. O professor tem a temperatura da sala de aula, é ele que sabe do que as turmas daquele ano necessitam. Ele conhece a localidade, o bairro, o município. É difícil uma alta gestão, em nível de secretaria, ter essa granularidade”, pontua. 

Para Luiz, a seleção deve ser por escola, “para atender de maneira efetiva e objetiva pequenas realidades regionais — do bairro e do município — já que é difícil uma política mais ampla ter essa lupa tão apurada que o professor possui”.

 

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