Escola falha ao permitir que o aluno se forme com propósitos de vida frágeis

Em discussão sobre competências para projetos de vida, professor e diretor ressaltaram a necessidade de desenvolver habilidades socioemocionais em estudantes e educadores

A preocupante situação em que, muitas vezes, os estudantes se encontram ao sair da escola: sem conseguir pensar no futuro e com propósitos frágeis de vida, foram abordadas no terceiro dia da Bett Brasil pelo diretor de educação do Instituto Iungo, Paulo Emílio de Castro Andrade.

O diretor afirma que, quando isso ocorre, a escola falhou em oferecer o maior propósito da educação. “Entendemos projeto de vida frágil como aqueles desconectados da vida real.”


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Um estudo apresentado pelo profissional aponta que mais de 60% dos jovens brasileiros têm projetos de vida frágeis, idealizados ou centrados no consumismo. De acordo com Paulo, jovens passam pelas instituições de ensino sem conseguir construir degraus entre seus sonhos e as ações que devem ser tomadas a partir deles.

Dialogando com o conceito de projetos de vida do psicólogo William Damon, Andrade defende a necessidade de uma intenção estável que sirva para orientar o caminho do jovem para o futuro.

Como base para que isso ocorra, em especial, no ambiente escolar, há certas competências que podem ser desenvolvidas no estudante durante os anos letivos, como:

– Conhecimento;

– Pensamento científico, crítico e criativo;

– Repertório cultural;

– Comunicação;

– Cultura digital;

– Trabalho e projeto de vida;

– Argumentação;

– Autoconhecimento e autocuidado;

– Empatia e cooperação;

– Responsabilidade e cidadania.

Foto: Envato Elements

Como destaca, os projetos de vida podem ser trabalhados em todas as áreas de conhecimento. “Aprender a ler e escrever não pode ser responsabilidade apenas do professor de língua portuguesa. O mesmo acontece com os projetos”, exemplificou.

O professor de física Idelfranio Moreira também ressalta a importância do desenvolvimento dessas competências no aluno, mas indica a necessidade de professores desenvolverem, em si mesmos, algumas habilidades socioemocionais para conduzir melhor a relação com seus estudantes. “Professores de exatas, por exemplo, são os que mais precisam desenvolvê-las”, enfatizou antes de argumentar: mesmo que não haja projeto, há vida.

“Temos que falar de gerações, do século 21, de tecnologia, de como tudo está acelerado e sobre a nossa incapacidade de pensar no futuro”, disse.

Moreira frisa ainda a necessidade de se abrir espaços informais para que o diálogo flua melhor dentro ou fora da sala de aula.


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