Alunos não devem ser vistos como uma massa homogênea, diz neurocientista

Neurocientista Fabiano de Abreu defende uma educação individual que respeite as particularidades de cada um. Para ele a hora é de mudança

A educação é fundamental para a formação intelectual, social e profissional do ser humano. Com base nisso, “o processo de aprendizagem deve considerar as particularidades e a inteligência de uma forma individual, única”, argumenta o especialista em psicopedagogia, Ph.D., neurocientista, neuropsicólogo e biólogo Fabiano de Abreu. Para ele, que defende uma educação focada no individual, a educação está defasada, seja ela a dos pais, seja ela do governo ou das instituições particulares. “Temos que educar as crianças como persona, como indivíduo único.”

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O neurocientista propõe métodos pedagógicos mais inclusivos que acolham e respeitem as diferenças, personalidade, deficiência, facilidades e potencialidades de cada um, destacando que “aplicando o mecanismo correto se consegue levar ao aluno o conhecimento, habilidades e competência que se encaixam em seu intelecto”. Fabiano de Abreu, inclusive, orienta aos pais, testes de inteligência, “não apenas para medir o QI, mas para revelar aptidões e quais profissões a inteligência daquele aluno poderia fazê-lo se sair melhor”.

As pessoas são diversas

De acordo com Abreu, a educação não é plural e sim individual, baseada no potencial tecnológico. “Os alunos devem deixar de ser vistos como um todo, como uma massa homogênea que se comporta e pensa da mesma forma. A hora é de mudança.”

“O estudante deve ser visto nas suas particularidades, deve ser motivado a desenvolver as suas capacidades, as áreas de seu interesse e onde é particularmente notável. O ensino deve ser feito com ritmo próprio explorando o melhor de cada um e entendendo as suas dificuldades. Todos têm um papel nesta alteração, desde os pais aos professores, passando pelas instâncias governativas”, ressalta.

Além disso, o neurocientista salienta que o desenvolvimento passa por uma capacidade ampla de pensar, encontrar soluções e produzir. “A nossa sociedade seria muito mais avançada e faria face a muitas problemáticas se tivéssemos mentes a pensar de forma diferenciada. A formatação não traz nada de positivo, a formatação não traz inovação.” Segundo ele, o indivíduo deve ser tratado exatamente assim, de forma especial por ser único.

“Estamos na era da rede social, do usuário, onde todos têm uma conta pessoal, é semântico, o olhar tem que ser neste perfil, mas como pessoa fora das telas.”

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neurocientista alunos

Neurocientista sobre alunos e escola: a hora é de mudança (foto: divulgação)

Teia Multicultural

E dentro do conceito de uma educação individual, Fabiano de Abreu valida o método pedagógico da Teia Multicultural, escola em Perdizes, zona oeste de São Paulo, que pratica o ensino lúdico, dinâmico e prazeroso para conduzir, assim sendo, o processo de aprendizagem aos alunos do ensino fundamental e médio de forma individual e aceitou o convite para ser coordenador do Grupo de Habilidades Socioemocionais/Inteligências onde poderá também trabalhar alguns de seus conceitos e descobertas na escola.

A escola investe em uma pedagogia inovadora que tem as artes, o autoconhecimento e a criatividade como eixos centrais. O processo de aprendizagem, por exemplo, é horizontal, sendo que alunos e professores constroem juntos os projetos interdisciplinares com todas as áreas comuns da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aliadas à yoga, música, artes plásticas, dança, moda, design, empreendedorismo, entre outros.

Explorando o mundo e a si mesmo

Em resumo, a Teia Multicultural tem como eixo condutor o autoconhecimento e trabalha com diferentes inteligências e potencialidades para desenvolvimento social, emocional e cognitivo individualizado dos estudantes. Além disso, tem uma linha humanista que visa explorar o lado criativo dos alunos, bem como estimulá-los a se descobrirem suas potencialidades, priorizando as áreas do conhecimento que fortalecem as relações e os valores humanos, que desenvolvem a criatividade, a resiliência, a força de vontade, a colaboração e outras competências.

Fabiano de Abreu sublinha que a escola aplica conceitos de inteligência nos processos de aprendizagem, trabalhando o aluno de forma individual. Como exemplo ele cita as mentorias individuais que orientam o estudante a desenvolver as próprias ideias em relação ao empreendedorismo.

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