Inclusão em uma rede de idiomas: desafios e ações de sucesso

A inclusão de pessoas com síndrome de down, autismo e hiperatividade - dentre outras - no ambiente educacional é destaque deste artigo, uma vez entende-se que só há ganhos com tal acolhimento
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Por Ana Lúcia Carriel e Luciana Locks*

Temos testemunhado, nos últimos anos, uma mudança na percepção e nas atitudes da sociedade como um todo em relação às pessoas com algum tipo de deficiência.

Naturalmente, sempre houve conhecimento da existência de pessoas com deficiências, mas ao se observar a infraestrutura das cidades, dos ambientes de trabalho, dos lugares de entretenimento, das escolas e de outros contextos, fica claro que suas necessidades, potenciais, interesses e preferências têm sido amplamente ignorados.

Leia: Como está a inclusão das pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Ainda temos um longo caminho pela frente, mas algumas leis dirigidas aos direitos dessas pessoas já vigoram e parecem promover algum tipo de mudança, mesmo que ainda sutil.

Ciente e atenta a esse cenário, a rede de escolas CNA é um bom exemplo de como podemos, e devemos, incluir pessoas com deficiência no ambiente educacional.

As escolas da rede vêm observando um aumento sensível da procura por cursos de idiomas por pessoas com deficiência. Em função disso, nos últimos tempos, muitos professores e coordenadores pedagógicos têm procurado o Departamento de Educação do CNA Administração Nacional buscando algum tipo de orientação sobre como receber e trabalhar com esse público.

Como a equipe do franqueador não tem formação específica na área, iniciamos uma série de pesquisas, passamos a participar de cursos e workshops, e acabamos por contratar especialistas que nos ajudassem a organizar um guia simples, mas que fosse efetivo para apoiar o trabalho dos professores em sala de aula.

Inclusão na prática

síndrome e down inclusão CNA

Foto: Shutterstock

Assim surgiu o primeiro volume do guia Entender para Incluir. Ele aborda quatro síndromes ou dificuldades de aprendizagem: Síndrome de Down, Autismo, Dislexia e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Para cada um desses quadros, trouxemos alguns estudos de caso para facilitar o entendimento pelo professor (e por outros profissionais das escolas), e informações sobre o processo de ensino e aprendizagem para esses alunos.

O CNA entende a importância da disseminação desse tipo de conteúdo e da desconstrução de medos e preconceitos, e por isso disponibiliza gratuitamente a versão digital do guia Entender para Incluir em seu site www.cna.com.br.

Leia: Precisamos falar sobre alergia alimentar dos alunos

Os ganhos do processo de inclusão não beneficiam somente as pessoas com deficiência, mas também todos aqueles que fazem parte desse convívio. Colaboradores e demais alunos das escolas passam a ter a oportunidade de conhecer e entender seus desafios e potenciais. A inclusão promove a empatia e a solidariedade. Ao entender e aceitar o outro, passamos a entender e a aceitar nossas próprias deficiências e necessidades e nos tornamos mais equilibrados e generosos.

De mãos dadas

Como nota final é importante frisar que esse trabalho não teria sido possível se não fosse a participação e interesse genuíno de nossos professores e coordenadores pedagógicos em contribuir com suas dúvidas e soluções intuitivas. Elas nortearam a elaboração de um material de consulta que fosse realmente útil.

Como educadores, queremos ir além das questões linguísticas de nossos cursos e trabalhar ações e valores éticos que contribuam para a uma coletividade mais justa e plural, fiéis ao nosso propósito de educar para o desenvolvimento das pessoas e a construção de uma sociedade melhor.

Compartilhamos da sábia visão de Gentili (2001:54) sobre o papel da educação na sociedade:

Uma educação que contribua para quebrar o encanto do desencanto, para nos livrar da resignação, para recuperar ou para construir nossa confiança na possibilidade de uma sociedade baseada em critérios de igualdade e justiça, uma sociedade na qual a proclamação da liberdade individual não questione os direitos e a felicidade de todos. Uma sociedade em que a diferença seja uma possibilidade para a construção da autonomia, não o argumento para legitimar injustas desigualdades econômicas, sociais e políticas.

 GENTILI, Pablo. Escola e cidadania em uma era de desencanto. In Shirley Silva e Marli Vizim (orgs): Educação Especial: Múltiplas leituras e diferentes significados. ALB-Campinas. 2001

*Ana Lucia Carriel é coordenadora de Produtos de Inglês e Luciana Locks gerente de Serviços Pedagógicos, ambas do CNA

inclusão na educação

Da esq. para a dir.: Luciana Locks e Ana Lúcia Carriel

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