Sob o jugo do controle

 
Adriana Aguillar
Durante quase três anos, a pedagoga Adriana Maimone Aguillar realizou pesquisa numa escola pública em Ribeirão Preto (SP) para analisar como a instituição escolar lida com o corpo das crianças na transição da educação infantil para o ensino fundamental.
Ela acompanhou o mesmo grupo de alunos – inicialmente na educação infantil e posteriormente no 1º ano do ensino fundamental –, observando como elas se situam e se movimentam no espaço escolar, além das interações infantis e dos adultos com os alunos.
O estudo, que resultou em sua tese de doutorado em psicologia defendida em 2011 na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (USP), aponta para a existência, mesmo na educação infantil, de um modelo de escola teoricamente ultrapassado, mas ainda presente: a escola que pauta o processo de ensino e aprendizagem pela disciplina, num processo em que o alvo de controle é o corpo, num movimento que acarreta a inibição do potencial criativo.
Por outro lado, as crianças criam “linhas de fuga” para dar vazão à potência de movimento de seu corpo, o que explica a “explosão” corporal observada nos recreios, com os consequentes machucados. A ausência de situações institucionalizadas para as crianças se movimentarem, a falta de atividades que empolguem e ao mesmo tempo ensinem e a pressão pela alfabetização são algumas das fontes para os corpos subjugados.
Na entrevista concedida à Educação Infantil, a professora do Instituto de Educação, Letras, Artes, Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), localizada em Uberaba (MG), defende uma educação pelo contato: “que tal deixar as crianças se embolarem?”.
——————————————–
Conteúdo exclusivo para assinantes. 
 

Envie um comentário

Your email address will not be published.