NOTÍCIA

Bett Brasil

Autor

Revista Educação

Publicado em 21/08/2026

Especialistas no uso de tecnologias apontam: o futuro da educação é mais humano 

O desenvolvimento de competências para uso da IA na sala de aula, inclusão e casos bem sucedidos em escolas foram temas do segundo dia da Jornada Bett Nordeste 

A Jornada Bett Nordeste 2026 encerrou nesta quinta-feira (20). Os debates sobre os desafios e transformações em curso permearam temas como  inteligência artificial, tecnologias, inclusão, inovação, aprendizagem e a dimensão humana que permanece no centro das mudanças.

O evento foi realizado pela Bett Brasil com o  Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino no Estado de Pernambuco (Sinepe-PE), no Recife Expo Center, e reuniu educadores, gestores, especialistas e empresas do setor, registrando mais de 2.500 participantes, um crescimento de 20% em relação à edição anterior.

A advogada especialista em direito digital Alessandra Borelli abriu a programação de palestras do segundo dia, no auditório Plenária, com a apresentação de Educar em um mundo desenhado para distrair. Ao abordar os desafios da presença da tecnologia no ambiente escolar, a especialista destacou a importância de políticas, diretrizes e protocolos institucionais para orientar professores, gestores e famílias diante de incidentes digitais, e defendeu que as escolas estejam preparadas para responder a essas situações, com fluxos de decisão previamente definidos. 

“Mais do que tentar afastar os estudantes das telas, o desafio é formar competências para o uso consciente e responsável das tecnologias, que é muito mais do que bem-vinda, desde que haja política, diretrizes e que todo mundo esteja na mesma página. Não é vencer a tela, a gente precisa sustentar a presença dela”, destacou. 

No auditório Educação Pública, Maraína Fernandes, secretária de educação de São Paulo, e Carla Mauch, coordenadora-geral do Mais Diferenças – Educação e Cultura Inclusivas, participaram do painel Incluir é transformar: caminhos para uma escola que aprende com a diversidade, com mediação da jornalista Gabriela Castello Buarque. Maraína destacou que a inclusão exige uma transformação da própria escola, com mudanças na cultura, no planejamento pedagógico e na formação dos profissionais. 

“Não é o estudante que se encaixa no padrão, é a escola que precisa entender quais barreiras precisam ser vencidas para que esse estudante, de fato, seja incluído, ganhe autonomia e aprendizagem”, disse. 

No auditório Educação Pública, o CEO do Instituto do Autismo, Kadu Lins, abordou o tema Entender para acolher, destacando que a inclusão efetiva nas escolas passa, sobretudo, pela compreensão das necessidades das pessoas neurodivergentes. 


Leia: Jornada Bett Nordeste: IA e formação docente são temas na abertura

 

Segundo ele, apesar do aumento da presença de estudantes neurodivergentes nas escolas públicas e da busca por estratégias para lidar com os desafios do cotidiano, ainda existe falta de conhecimento sobre o tema. “A inclusão verdadeira vem quando a gente entende o que faz, a ideia é passar um pouquinho de conhecimento para que elas consigam fazer ações que vão ser efetivas para aquelas famílias”, explicou. 

No auditório Plenária, a professora Débora Garofalo, da DG Educação e colunista da revista Educação, discutiu o tema Muito Além da Inteligência Artificial: por que a aprendizagem humana será o maior diferencial do futuro, destacando a necessidade de compreender a tecnologia de forma crítica, ética e integrada ao processo educacional. 

 

Tecnologias

Auditórios receberam educadores, gestores, especialistas e empresas do setor educacional;  cerca de 2.500 pessoas estiveram no Recife Expo Center (Foto: Divulgação)

O papel do professor permanece essencial na formação de valores, na mediação do conhecimento e no desenvolvimento de competências como criatividade, empatia, autonomia e pensamento crítico.  “A IA não substitui o planejamento, mas dá tempo ao professor para aquilo que só ele sabe fazer: cuidar, formar valores, dar sentido ao que está aprendendo e mediar o conhecimento”, ressaltou. 

No auditório Aquário, a roda de conversa A escola do futuro não é digital, inclusiva ou inovadora. Ela é humana — e por isso precisa ser tudo isso ao mesmo tempo reuniu o trio da CESAR School André Lopes, analista sênior de Soluções Educacionais, o professor Luciano Meira e a gestora de soluções educacionais Carla Alexandre. 

O debate abordou os impactos da inteligência artificial, destacando a necessidade de repensar práticas e experiências de aprendizagem diante das novas tecnologias. Para Luciano Meira, a IA deve ser compreendida para além de uma ferramenta: “Ela é uma infraestrutura cognitiva, portanto muda a forma como você vê o conhecimento, os novos usos da tecnologia, como a produção de ensaios e resumos por estudantes, provocam mudanças profundas no sistema educacional e exigem estratégias que não busquem evitar a inteligência artificial, mas promover seus usos mais produtivos e saudáveis”, afirma.

 

Leia: A nova linguagem do universo

 

 Já o poeta e escritor best-seller Allan Dias Castro, da Voz ao Verbo Produções, conduziu a palestra inspiradora O ser Humano por trás do crachá, no auditório Plenária. Em uma reflexão que aproximou educação, aprendizagem, inovação e futuro da dimensão humana, Castro utilizou a poesia para falar sobre essência, vulnerabilidade, saúde mental e sonhos. 

“A gente acaba ficando tão competitivo que vive com medo de perder, mas por trás de cada profissional, existe uma história, com desafios, sentimentos e sonhos que também precisam ser considerados”, afirmou. 

Escolas em ação 

No segundo dia de apresentações dos cases de sucesso nas escolas, educadores de instituições pernambucanas apresentaram experiências voltadas à transformação do cotidiano escolar, reunindo estratégias para consolidar aprendizagens, fortalecer a cultura institucional e envolver as equipes na construção de novos modelos educacionais. 

Alena Nobre, diretora pedagógica do Colégio Saber Viver, compartilhou uma prática de realização semanal de quizzes digitais para reforçar os conteúdos trabalhados em sala de aula, estimular a autorregulação dos estudos e desenvolver a metacognição dos estudantes. 

Já Sybele Barros Soares, diretora de unidade do Colégio CBV, apresentou o processo de reconstrução da cultura escolar após uma crise institucional e disciplinar, integrando a busca pela excelência acadêmica ao fortalecimento da convivência ética. Paula Carneiro Leão, diretora de comunicação e inovação da Escola Vila Aprendiz, mostrou a experiência de um hackathon com professores e equipe pedagógica, criado para pensar coletivamente a escola capaz de responder às necessidades dos estudantes do presente e do futuro.

 

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