NOTÍCIA

Ensino Fundamental

Autor

Sandra Seabra Moreira

Publicado em 05/08/2026

Ideb avança em todas as etapas da educação básica

Frente ao PNE anterior, o país ultrapassou a meta de 6.0 nos anos iniciais, com Ideb de 6.3. Os anos finais, com índice de 5.3, e o ensino médio, com 4.5, ainda estão aquém. A boa notícia é a retomada de médias de crescimento pré-pandemia 

O Ministério da Educação (MEC) divulgou hoje, 5 de agosto, os resultados do  Ideb, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, e do Saeb, Sistema de Avaliação da Educação Básica, de  2025. Os indicadores cresceram nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. O Saeb também apontou avanço na aprendizagem em língua portuguesa e matemática.

De 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10 e considerando as redes privada e pública de todo o país, o Ideb do ensino fundamental passou de 6 para 6,3 nos anos iniciais e de 5 para 5,3 nos anos finais. Já o Ideb do ensino médio passou de 4,3 para 4,5. Na rede pública, o resultado passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais; de 4,7 para 5 nos anos finais; e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.

Leonardo Barchini,  Ministro da Educação, destacou que em todos os estados e Distrito Federal os resultados melhoraram nos anos iniciais do ensino fundamental. “Esse é o melhor Ideb da série histórica brasileira iniciada em 2005. Em vinte anos, o Brasil enfrentou, simultaneamente, três problemas históricos. Colocou mais estudantes na escola, melhorou a trajetória e elevou a aprendizagem”. Ele também afirmou que “ainda há muito a fazer  em relação à melhoria da aprendizagem”.

Calculado pelo Inep — Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – a cada dois anos, o Ideb 2025 expõe a  realidade de 14,5 milhões de matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental em 101 mil escolas. Nos anos finais, 11,2 milhões de matrículas em 61 mil escolas. No ensino médio, os resultados do Ideb correspondem a 7,3 milhões de matrículas em 30 mil escolas. 

O crescimento de 0.3 no ensino fundamental de todo o país é “uma boa notícia”, diz  Mozart Neves Ramos,  titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, do Instituto de Estudos Avançados da USP, em Ribeirão Preto (SP) e ex-secretário de Educação de Pernambuco (2003 a 2006). 

 

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“Se considerarmos que a média de crescimento para o ensino fundamental era de 0.2 antes da pandemia, segue o comportamento que tínhamos antes e, em 2025, ultrapassamos essa média. Também ultrapassamos o índice de  2019.” O Ideb nacional dos anos iniciais do ensino fundamental, em 2019, foi de 5.9; em 2021, 5.8. Dos anos finais, 4.9 em 2019 e 5.1 em 2021. 

Ramos destaca que o avanço de 0.3, verificado com o Ideb atual, é importante, também, quando se leva em conta as questões climáticas, preponderantes no período de 2023 a 2025, como as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul. “Tivemos estados em que as redes escolares ficaram fechadas em alguns municípios.”

Diante das metas do PNE 

O Ideb, calculado a partir da aprendizagem (médias de desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática no Saeb) multiplicada pelo fluxo (taxas de aprovação e reprovação disponíveis  no Censo Escolar)  foi a principal referência de qualidade  para o Plano Nacional de Educação (2014-2024), e teve seu ciclo de metas estabelecido até 2021, ano atípico, em função da pandemia de Covid 19. 

A vigência do PNE foi prorrogada até 31 de dezembro de 2025, portanto, para o MEC, o Ideb permanece como referência para o monitoramento das políticas educacionais, mesmo com seu ciclo encerrado. 

“Em 2014, quando foi estabelecido o PNE, nos anos iniciais a meta para o Ideb era 6. Alcançamos a meta em 2023 e agora, com 6,3,  ultrapassamos. Nos anos finais, a meta do PNE era 5.5, fomos para 5,3 em 2025, então, apesar de um crescimento importante, ainda estamos abaixo da meta estipulada”, analisa Ramos.

 

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O ensino médio sempre apresentou índices menores. O avanço de 4,, para 4.5 aponta a retomada do que se verificava antes da pandemia, “mas é um crescimento insuficiente”, atesta Ramos. No PNE, para o ensino médio, a meta era de 5.0 até 2021.

Discussões em torno da reformulação do Ideb vêm acontecendo há dois anos. Ramos afirma que para o novo PNE o parâmetro de qualidade será o ‘aprendizado adequado’ em língua portuguesa e matemática, extraídos das notas do Saeb.  Para o 5º ano do ensino fundamental, por exemplo, serão 200 pontos em português e 225 em matemática; para  9º ano do ensino fundamental, 275 pontos em língua portuguesa e 300 pontos em matemática.

O novo parâmetro traz informações mais refinadas que podem ajudar num “novo mergulho”, diz Ramos, nas desigualdades educacionais do país para entender, por exemplo, porque municípios com características semelhantes têm resultados educacionais tão díspares. 

 

Ideb

O ‘aprendizado adequado’, extraído do Saeb, será o parâmetro para o novo PNE e ajudará a entender as desigualdades educacionais entre os municípios (Foto: Agência Brasil)

Os índices do Saeb

O Saeb 2025 avaliou 5,9 milhões de alunos distribuídos por 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas em todo o território nacional. Em uma escala que vai de 0 a 500, no 5º ano do ensino fundamental, em português, a avaliação passou de 207,6 em 2023, para 215,1 pontos, em 2025; em matemática, de 218,3 para 227,4. 

No 9º ano do ensino fundamental, em língua portuguesa a média passou de 252,9 para 256,6; em matemática, de 249,9 para 255,3. Já no 3º ano do ensino médio, em língua portuguesa, o resultado passou de 269,1 para 272,3; e em matemática, de 263,9 para 268,0.

Considerando toda a rede estadual, que inclui o ensino médio tradicional e o ensino médio integrado à educação profissional e tecnológica, em língua portuguesa, o desempenho dos estudantes que cursaram o 3º ano passou de 271,7 para 275,8; em matemática, de 267,3 para 271,4 no mesmo período. 

 

Saiba mais:
Inep – resultados do Ideb

 

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