COLUNA

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Débora Vaz

Diretora pedagógica do Colégio Santa Cruz, SP. É pedagoga com especialização em educação. Participou da produção e implementação do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores do MEC.

Publicado em 12/05/2026

Colaborar e enfrentar todo dia o isolamento e a solidão no trabalho docente

Colaborar é assumir, em equipe, as decisões em relação às tramas complexas da construção do currículo

Da origem latina da palavra colaborar depreendemos uma qualidade essencial: a força do ‘fazer junto’, a de trabalhar de forma cooperativa. A pesquisadora argentina Delia Lerner, em artigo sobre o tema, recorda-nos que:

“Apesar de sua indubitável complexidade, o ensino, em geral, é concebido como uma atividade solitária. Embora existam experiências em que dois professores dividem o trabalho, o seu alcance ainda é limitado. Também é limitado — quando existe — o tempo no horário escolar para que os educadores se reúnam a fim de planejar ou analisar a prática, discutir e estudar.”

Mais uma vez, nesta coluna, reitero que a complexidade do cenário atual do fazer escolar exige a construção de condições para que a função social da escola não seja apagada ou desvalorizada. Uma das principais condições é garantir espaços e modalidades de trabalho colaborativo entre professores. Afinal, é na força das interações e do diálogo entre educadores que se torna possível fortalecer o projeto pedagógico e reinventá-lo sempre que necessário.

Trabalhar em cooperação significa assegurar tempo e lugar para que os educadores possam intercambiar saberes e confrontar verdades provisórias com outras formas de pensar o fazer escolar. Se defendemos que os alunos aprendem mais e melhor em agrupamentos produtivos — com parcerias baseadas ora em saberes próximos, ora na diversidade entre pares —, como não garantir que os adultos educadores também fortaleçam a docência em cooperação mútua?

 

Colaborar

“É necessário um esforço coletivo constante para refletir sobre as transformações nos programas de ensino.” (Foto: Pexels)

Um mesmo fenômeno pode ser interpretado de diferentes formas, dependendo do olhar e do repertório de quem observa. Como garantir tempo e espaço na vida profissional dos professores para que possam colocar essa multiplicidade de perspectivas a serviço de um planejamento coletivo? Como desenhar intervenções que permitam voltar à cena da sala de aula com novas possibilidades de atuação?

 

Leia: Currículo oculto

 

Colaborar é assumir, em equipe, as decisões em relação às tramas complexas da construção do currículo. É necessário um esforço coletivo constante para refletir sobre as transformações nos programas de ensino. Sabemos que toda escolha curricular possui certo grau de arbitrariedade, mas essa constatação não deve nos conduzir a mudanças abruptas ou motivadas apenas por fatores externos à experiência de cada escola. É no grupo, ao ‘pensar o trabalho’, que os educadores construirão consensos e alicerces para defender tanto as mudanças necessárias quanto as permanências essenciais do projeto escolar.

Pode parecer desnecessário afirmar a importância do trabalho colaborativo em escolas que já contam com redes de professores; contudo, não o é. Urge avaliar o modelo político-pedagógico de cada instituição: se os encontros promovem a troca, o diálogo e a colaboração, ou se apenas fortalecem protagonismos e méritos individuais que, de alguma forma, abandonam os professores em percursos solitários.

 

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