NOTÍCIA

Bett Brasil

Autor

Sandra Seabra Moreira

Publicado em 06/05/2026

O melhor da sala de aula pode se expandir

Uma boa maneira de ‘ouvir o professor’, como tanto se preconiza, é buscar por experiências exitosas nas escolas e multiplicá-las, indica Cláudia Costin, especialista em políticas públicas

A atuação dos docentes depende das políticas públicas na mesma medida em que a criação e o aperfeiçoamento delas dependem dos resultados obtidos na sala de aula. O quanto essas duas esferas estão ou não em concordância, e de que maneira estão, foram temas do painel A inteligência das redes: quando políticas públicas aprendem com a escola, no auditório escola pública, no segundo dia da Bett Brasil, 6 de maio, com a presença de Cláudia Costin e Rafael Parente, respectivamente, presidente e diretor-executivo do Instituto Salto.

Cláudia, que é referência em políticas públicas, abriu o painel com o quarto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS4), entre os 17 existentes, que assegura a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e a garantia do ensino básico gratuito, a igualdade de acesso e habilidades para o trabalho. E apontou desafios da educação brasileira a partir de dados recentes, entre eles, o da matemática. De acordo com o Pisa 2022, 73% dos estudantes de escolas públicas e particulares não alcançaram o nível básico (nível 2).

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sala de aula

Gestores devem buscar experiências exitosas, indica Cláudia Costin (foto: Shutterstock)

Diante dos desafios, cientistas, acadêmicos e órgãos governamentais são atores fundamentais para a criação e manutenção de um sistema educacional eficiente.  Entretanto, de que maneira os docentes tomam parte desse debate ou participam da criação de soluções ainda é uma questão.

Os exemplos da falta de sintonia entre essas esferas são vários. Um deles, apresentado por Rafael Parente e relacionado ao tipo de linguagem utilizado na comunicação, pode ser o de um professor pós-doutor ministrando formação em matemática para docentes de uma rede pública. “No final das contas o docente sai se perguntando se aquela formação resolveu os problemas reais que ele enfrenta no dia a dia, e às vezes nem entende o que trouxe o especialista.”

Outro exemplo são palestras motivacionais realizadas por influencers ou palestrantes consagrados, aponta Cláudia, que abordam temas como, por exemplo, o sofrimento do professor.

“O professor já sabe que sofre. O que falta não é uma catarse”, alerta Cláudia Costin. “Não basta dizer que sofrem, que tal trazer saídas no mundo real e concreto e o que merece ser aperfeiçoado? Então, chega de palestra academicista e de palestra puramente motivacional.”

Quando o conhecimento está na sala de aula

Uma boa maneira de ‘ouvir o professor’, como muito se preconiza, é buscar por experiências exitosas em sala de aula. Cláudia mencionou ação realizada na cidade do Rio de Janeiro, à época em que exerceu o cargo de secretária municipal, de 2019 a 2014. A partir de microdados de pesquisa realizada pela própria Secretaria, foi possível descobrir quais escolas da rede municipal estavam melhor alfabetizando os alunos.

“Como a alfabetização inicial não precisa tanto de repertório cultural, por acaso, duas escolas situadas em favelas se saíram bem. Nós chamamos essas professoras alfabetizadoras e pedimos para elas explicarem para toda a rede o que elas estavam fazendo. Ou seja, a inteligência da sala de aula serve também para o pedagógico”, orienta Costin.

Outra iniciativa, conta ela, é o apadrinhamento de escolas. A especialista mencionou o ocorrido na favela de Antares, na zona oeste do Rio de Janeiro, também durante sua gestão. Os dados apontavam que uma escola neste local se saía muito bem e outra, bem próxima e com uma iniciante na direção, se saía muito mal.

“Fizemos com que uma escola apadrinhasse a outra e, juntas, pensassem num plano de melhoria, algo que Londres também fez. Pensar em rede é isso, é olhar para as realidades locais como um ativo, algo positivo para toda a rede.”

 

Bett Brasil

*A Bett Brasil é um dos maiores eventos de inovação e tecnologia para a educação da América Latina. Acontece de 5 a 8 de maio, no Expo Center Norte, capital paulista. E nós, da Educação, estamos fazendo uma cobertura especial. Clique aqui para ficar por dentro de tudo.

Nossa cobertura jornalística tem o apoio das seguintes empresas: FTD Educação, Santillana Educação e Multiverso das Letras.

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