NOTÍCIA

Bett Brasil

Autor

Redação revista Educação

Publicado em 05/05/2026

Segurança psicológica na escola: nem tudo é violência

Ao diferenciar que nem toda violência é passível de punição, possibilidades de reparação com o aluno se ampliam

Por Ruam Soares, estudante de jornalismo na FIAM-FAAM* | Violência nas escolas é um tópico frequente, porém, não se vale de uma simples definição. Faz parte do papel dos educadores terem sensibilidade sobre o contexto em que ocorre e qual a melhor ação para tratar o caso. Tanto que o tema foi abordado no painel Segurança psicológica na escola: o que gestores precisam enfrentar agora, que ocorreu nesta terça-feira, 5, no primeiro dia de Bett Brasil 2026*, em São Paulo. E contou com a presença de Luciene Tognetta, professora livre-docente da Unesp e pesquisadora da área, e Katia Mello Dantas, consultora em proteção infantil e salvaguarda. A conversa foi mediada por Giselle Fouyer, fundadora e CEO da escola Giselle Fouyer Idiomas.

A fim de combater problemas ainda recorrentes de saúde mental, o cenário atual entre os mais jovens dá cada vez mais sinais de necessidade de revisão na grade curricular das escolas. Segundo os últimos dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), três em cada 10 estudantes de 13 e 17 anos sentem-se tristes constantemente, ou na maioria das vezes, e 18% acham que a vida não vale a pena e são tomados por desânimo profundo e frequente. Outros 42,9% relatam irritabilidade constante, mau humor, desmotivação, e 21% dos jovens sentem que ninguém se importa com eles.

segurança psicológica

Painel com Luciene Tognetta aconteceu no modelo sala de aula invertida (foto: Enzo Assis/ FIAM-FAAM)

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A identificação por parte do educador

A segurança psicológica é o tema “calcanhar de Aquiles da educação”, afirma Luciene. Duas funções fundamentais do profissional de ensino são “humanizar e transformar,” mas essa tarefa se torna difícil quando falta a ele o tato para entender as raízes do problema com o aluno envolvido.

“A leitura que a sociedade em geral faz dos problemas de convivência da escola são nomeados como [simplesmente] violências, mas, na escola, como profissionais que somos, temos o dever de nomear os diferentes problemas de convivência com a característica que de fato possuem,” adverte Luciene Tognetta.

A especialista ilustrou a situação com um caso real onde um aluno, no primeiro andar de uma escola, brincava de competição de cuspe e acertou a cabeça da professora que, furiosa, não deu chance para que a criança se explicasse, dado seu mau comportamento frequente. Então o levou para a diretoria. A diretora, conhecendo o histórico do aluno, também não quis ouvi-lo e lhe entregou uma advertência. Revoltado por não ter voz, o garoto rasgou o papel e o jogou na dirigente. Sentindo sua autoridade desprezada, a líder da escola chamou a polícia e o jovem foi levado à delegacia.

A matéria no jornal descreveu o ocorrido como ‘mais um caso de violência na escola’, quando, na verdade, era um caso de mau comportamento, avalia Luciene. Segundo ela, a falta de identificação precisa do caso resulta na intervenção ineficiente por parte do educador, nisso, dependendo da atitude, a busca da boa convivência nas escolas acaba sendo comprometida.

Tratar e prevenir

Nessa linha de abordagem, ao saber diferenciar que nem toda violência é necessariamente passível de punição, as possibilidades de reparação com o estudante se ampliam. Só que, atualmente, na grade curricular dos docentes e alunos ainda não há temas transversais para lidar com casos presentes nas instituições de ensino, desde bullying, racismo e outra formas de preconceito.

Para Tognetta, não basta que as instituições escolares revisem suas regras ou até as criem. É necessário estabelecer princípios também de forma aberta, como em assembleias dispostas a ouvir a todos. Inclusive, que sejam transparentes aos pais que, cientes, se tornam também ativamente responsáveis e passíveis de enfrentar consequências legais em casos de extrema negligência. No fim, o trabalho reparativo se estabelece e, depois, se torna apenas uma constante manutenção preventiva.

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Embora o profissional de educação seja responsável por acompanhar e constatar algum desvio na conduta do aluno, este nunca deixa de ser um projeto conjunto. Além de ser um processo que deve ser acompanhado pela família, também é necessário saber discernir até onde o âmbito familiar pode estar envolvido, levando a intervenção para além da criança e do adolescente, orienta a especialista.

“Essa segurança psicológica precisa ser entendida como sinônimo de cuidado. É difícil, mas é o que será funcional e que tende a modificar a conduta dessas crianças e adolescentes que mais precisam no momento,” conclui Luciene Tognetta.

No encerramento, Luciene anunciou o lançamento do seu novo livro, O cuidado que restaura (ed. Adonis, 2026), em que discute temas e propostas abordados neste painel.

Bett Brasil

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*Esta matéria foi produzida numa parceria entre a revista Educação e a FIAM-FAAM.

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